Obrigada a produzir a substância por liminares emitidas pela justiça, a
USP chegou a se manifestar sobre o assunto. "Essa substância não é
remédio. Ela foi estudada na USP como um produto químico e não existe
demonstração cabal de que tenha ação efetiva contra a doença", escreveu a universidade em um comunicado.
O medicamento deixa muitas perguntas no ar. O que se sabe sobre
a fosfoetanolamina? Quais são seus efeitos? Ele realmente pode curar o
câncer?
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Veja as informações a seguir.
O que é a fosfoetanolamina?
É uma substância química produzida no organismo humano. Ela é
indispensável para a vida humana. Dela se origina outra substância, a
fosfatidiletanolamina, que está presente em todos os tecidos e órgãos
humanos.
A fosfatidiletanolamina é responsável por normalizar o metabolismo
oxidativo, que gera energia no corpo. Esse processo fica prejudicado em
células cancerosas. Em teoria, a ingestão do medicamento faria com que
as células voltassem a trabalhar normalmente. Com isso, o câncer pararia
de se desenvolver.
A fosfoetanolamina (produzida em laboratório) apresentou em testes propriedades antitumorais em células (
in vitro)
e em animais portadores de tumores. Já a natural não apresenta essas
propriedades—ela para de funcionar, mas os pesquisadores ainda não sabem
os motivos disso.
Já foram feitos testes com fosfoetanolamina em células humanas?
Os testes foram feitos em células humanas em laboratório, porém não em
pessoas. Segundo o pesquisador Durvanei Maria, foram estudadas linhas
celulares de tumores, como melanoma, pâncreas, renais, leucemias, entre
outros.
A fosfoetanolamina é eficaz contra o câncer?
O professor Durvanei Maria afirma que a fosfoetanolamina sintética
inibiu a capacidade de multiplicação ou proliferação celular dos
tumores. Isso foi feito a partir da morte celular programada– um efeito
que pode ser visto, geralmente, na queda das folhas das árvores no
outono.
Os resultados foram obtidos por Maria em todos os modelos estudados (células de camundongos, ratos ou em células humanas).
Qual é a diferença entre a pílula e outras medicações em desenvolvimento?
Segundo a doutora Giovana Torrezan, medicamentos contra o câncer que
estão em desenvolvimento atualmente não são como a quimioterapia, que
mata todas as células que se dividem no corpo humano. Esses medicamentos
em desenvolvimento são chamados de “drogas alvos” e só alteram as
células tumorais.
Já a pílula de fosfoetanolamina reativa a morte celular programada,
estimula o sistema imune a eliminar a célula do tumor e pode impedir o
desenvolvimento de vários outros tumores. “Mas ainda não se sabe quais
seriam seus efeitos colaterais", explica.
A fosfoetanolamina serviria como um substituto para outros tratamentos, como a quimioterapia?
As pesquisas comprovam que a fosfoetanolamina não altera as propriedades
dos remédios usados durante a quimioterapia. Além disso, ela também é
capaz de aumentar a probabilidade de sobrevida e diminuir
significativamente os efeitos colaterais.
Assim, a fosfoetanolamina não serve como substituto da quimioterapia. Na
realidade, a associação dos dois medicamentos e de outros tratamentos
talvez possa ajudar no combate ao câncer.
Há riscos ao usar a pílula, já que ela não foi testada clinicamente?
De acordo com Roberto Ferreira, a substância já passou por ensaios
pré-clínicos e apresentou bons resultados. No entanto, a cada etapa do
processo de estudo de um potencial candidato a medicamento, muitas
moléculas que eram promissoras são abandonadas por perda de atividade ou
na avaliação de riscos e benefícios.
A fosfoetanolamina já passou por duas importantes etapas, mas a
história nos mostra que não há garantias que mantenha a atividade em
humanos e que não haja riscos, ou interações importantes com outros
medicamentos que o paciente esteja utilizando