quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
PIB deve cair 4% em 2016, mas 'sensação térmica' é pior, prevê Itaú
O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira que a projeção da instituição é de queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, mas que a "sensação térmica" é pior, já que este número leva em conta a contribuição do setor externo, que será positiva.
"O mercado doméstico tem uma queda maior de PIB do que esses 4%, a absorção doméstica está caindo mais. Se a contribuição do setor externo é positiva em 1%, podemos dizer que a 'sensação térmica' interna é de queda de cerca de 5%", comentou.
Esse é um dos fatores - juntamente com o ambiente global deflacionário - que levam o Itaú a estimar três cortes de 0,5 ponto porcentual na Selic no fim deste ano, mesmo com uma projeção de 7% de inflação em 2016. Questionado se esse afrouxamento na política monetária poderia ser antecipado, Goldfajn comentou que a sinalização atual do Banco Central é de manutenção dos juros, "então a nossa projeção de redução nos juros no segundo semestre está de bom tamanho".
O economista do Itaú Felipe Salles comentou que, desde o pico em março de 2014, o PIB já caiu 7,5% e deve recuar mais 2% este ano. Um dos fatores que vão colaborar para isso é a forte retração na formação bruta de capital fixo, que deve encolher 13%. "Consumo e investimento, que são os maiores motores do PIB, continuam caindo", comentou.
Mesmo assim, ele vê algum sinal de melhora incipiente nos dados mais recentes, com a confiança da indústria começando a subir. Um dos motivos para isso é o ajuste nos estoques, que continuam excessivos, mas vêm caindo. "De qualquer forma, já temos contratada uma queda de pelos menos 3,5% do PIB este ano, então, se houver algum viés para nossa projeção de -4% em 2016, ele é, no máximo, neutro", afirmou, descartando um maior otimismo com a recuperação brasileira.
Goldfajn disse que a crise política e fiscal, que foi o maior motivo para a queda do PIB em 2015, também é a principal responsável pela contração da economia este ano "e possivelmente até em 2017". Para o economista, é preciso rediscutir o tipo de Estado que se deseja. "Temos de rediscutir muitos benefícios. Existem gastos obrigatórios que não estão mais cabendo nas contas públicas", afirmou. "O maior risco para o Brasil é o fiscal, é não conseguir estabilizar a dívida púbica", acrescentou.
Dólar volta a fechar acima de R$ 4 com petróleo e apreensão fiscal
O dólar saltou quase 2% nesta terça-feira e fechou acima de 4,05 reais pela primeira vez em mais de duas semanas, refletindo a retomada da aversão a risco nos mercados globais diante do tombo dos preços do petróleo e preocupações com a situação fiscal do país. A moeda americana avançou 1,86% e fechou a 4,07 reais na venda, maior nível de fechamento desde 28 de janeiro (4,08 reais). O dólar futuro avançava cerca de 1,75% no final da tarde.
O dólar vinha operando abaixo de 4 reais durante todo o mês, após renovar suas máximas históricas em meados de janeiro.
"O movimento do mercado estava bom demais para ser verdade, bom demais para a nossa situação", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato. "O petróleo serviu de gatilho, mas a verdade é que o investidor local está pessimista demais para aceitar esses níveis baixos."
Investidores temem que o governo brasileiro se afaste do rigor fiscal que vem prometendo desde o ano passado diante da profunda recessão econômica e das turbulências políticas. Segundo operadores, o cenário de incerteza deve ganhar mais força nos próximos dias com a volta das atividades do Congresso.
"Faz sentido buscar proteção (no dólar) em um cenário de incertezas locais como o atual", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.
As preocupações locais somaram-se às perdas nos preços do petróleo, que passou a cair depois que Rússia e Arábia Saudita concordaram em congelar a produção nos níveis de janeiro se outros grandes exportadores se juntarem a eles. Irã, no entanto, era um dos entraves ao plano. "As moedas ligadas a commodities acompanham o petróleo, uma segue a outra", disse o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik.
Operadores ressaltaram ainda que o mercado voltou a ganhar volume nesta sessão, após o pregão de liquidez reduzida na segunda-feira devido ao feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos, que manteve os mercados locais fechados.
Nesta manhã, o Banco Central promoveu mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em março, vendendo a oferta total de 11,9 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou 5,217 bilhões de dólares, ou 52% do lote total, que equivale a 10,118 bilhões de dólares.
Um dia ele estará de volta entre nós", diz empresária de Schumacher
A empresária e porta-voz oficial de Michael Schumacher, Sabine Kehm, voltou a falar sobre a condição de saúde do ex-piloto alemão depois de vários meses sem atualizações. Durante a inauguração de uma exposição sobre a vida e a carreira do maior campeão da história da Fórmula 1, Kehm disse manter a esperança de ver Schumacher saudável novamente.
"Michael não está aqui e é claro que sentimos sua falta. O que aconteceu com ele é algo que, infelizmente, não podemos mudar. Só nos resta ter paciência e manter a esperança de que um dia ele estará de volta entre nós", disse Kehm, na mostra dedicada ao heptacampeão mundial, em Marburg, na Alemanha.
Ele é o piloto mais bem-sucedido da história da Fórmula 1 e às vezes, em dias como esse, é bom que ele seja lembrado", completou a porta-voz na conversa com jornalistas. A mulher do ex-piloto, Corinna Schumacher, e os dois filhos do casal, Mick e Gina Marie, também estiveram no evento.
Michael Schumacher sofreu um grave acidente quando esquiava nos Alpes franceses em dezembro de 2013. O ex-piloto alemão permaneceu durante meses em um hospital em Grenoble antes de ser transferido para Lausanne.
Após uma pequena melhora, a família conseguiu transferi-lo para casa onde ainda segue em tratamento e não apresenta grandes avanços na recuperação. Seus familiares procuram manter discrição e não divulgam muitas novidades do estado de saúde do homem mais vitorioso da Fórmula 1.
Antes de Sabine Kehm, a última pessoa próxima a falar sobre Schumacher foi o ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo. "Infelizmente, as notícias que tenho não são boas", disse o ex-chefe da escuderia italiana. "Infelizmente, um acidente de esqui arruinou sua vida.
EUA sobrevoam península da Coreia com caças F-22
Os Estados Unidos sobrevoaram nesta quarta-feira a península da Coreia com quatro caças F-22 de última geração, em uma nova demonstração de força frente à Coreia do Norte após o teste nuclear e o lançamento do foguete espacial do regime de Kim Jong-un. Os caças voaram em baixa altitude sobre a base aérea de Ousam, que fica a cerca de 50 quilômetros ao sul de Seul, pouco depois de serem enviados ao país asiático.
Em outro sinal do aumento da pressão sobre Pyongyang, o jornal oficial chinês Global Times advertiu nesta quarta do risco de uma possível guerra em um editorial apoiando a imposição de sanções contra a Coreia do Norte e pedindo a destruição de seu arsenal nuclear. Mas o poderio nucleal norte-coreano não é a única preocupação da China. O editorial também aconselha que Pequim instale mais "mísseis avançados" no nordeste da Ásia a fim de manter seu poder de dissuasão se a Coreia do Sul insistir em instalar desdobrar o sistema antimísseis americano em seu território.
O F-22 modelo Raptor é um caça de tecnologia de ponta, dificilmente detectável nos radares, e tem importância estratégica para as Forças Armadas dos EUA, as únicas que possuem os aparelhos fabricados pela Lockheed Martin. O regime de Kim Jong-un realizou um teste nuclear no dia 6 de janeiro e, no último dia 7, lançou um satélite através de um foguete espacial - ação que foi considerada um teste encoberto de mísseis, que viola resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
Washington já enviou um bombardeiro B-25 à Coreia do Sul em janeiro como resposta ao teste nuclear. Depois do lançamento espacial, os dois países realizaram várias manobras militares, entre elas uma de infiltração aérea. Os EUA mantêm 28.500 efetivos militares na Coreia do Sul e se compromete a defender seu aliado em um eventual conflito com o Norte.
Antena de celular em sítio de Atibaia foi 'presente' de amigo de Lula
O ex-sindicalista José Zunga Alves de Lima, amigo do ex-presidente Lula, deu de "presente" ao petista, em 2010, uma antena de celular da operadora Oi próxima ao sítio frequentado pelo ex-presidente e seus familiares, localizado em Atibaia (SP), segundo a edição desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Esse é mais um indício de que empresas dirigidas por amigos de Lula bancaram obras e melhorias na propriedade rural. A revelação da existência da antena foi feita pelo jornal Valor Econômico, no início da semana.
Na Oi, o então diretor João de Deus Pinheiro Macedo conduziu o pedido e teve aval de Otávio Marques de Azevedo - presidente da AG Telecom, uma das empresas controladoras da Oi e que integra o grupo Andrade Gutierrez, alvo na operação Lava Jato. Azevedo esteve preso durante oito meses e é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.
Para construir a antena, a Oi alugou um terreno a cerca de 100 metros da entrada do sítio. Conforme especialista disseram à Folha, a obra custou em torno de 1 milhão de reais entre equipamentos, licenças e taxas. Engenheiros de telecomunicações também disseram ao jornal que, levando em consideração a geografia da área e o mapa das antenas das outras operadoras, a antena foi instalada só para atender o sítio.
Isso porque, para que o sinal tenha alcance em um raio de 30 a 50 quilômetros, a antena costuma estar posicionada em pontos elevados. Mas moradores a cerca de 500 metros da antena disseram não conseguir sinal.
Ainda segundo o jornal, nenhuma concorrente da Oi - Vivo, TIM, Claro e Nextel - cobre a zona rural da cidade.
Zunga foi indicado por Lula, em 2008, para uma vaga no conselho consultivo da Anatel, mas foi afastado dois anos depois por conflito de interesses, pois já era funcionário da Oi. O ex-sindicalista também é ligado a Jonas Suassuna, um dos proprietários do sítio em Atibaia e sócio de Fabio Luis, um dos filhos de Lula, na empresa Gamecorp. Em 2005, quando já trabalhava na Oi, a companhia de telecomunicações comprou participação minoritária na empresa do filho do ex-presidente por 5,2 milhões de reais. Três anos depois, Lula mudou a Lei Geral das Telecomunicações para permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom.
O Instituto Lula disse que o ex-presidente não usa celular e "não tem comentários para ilações absurdas". José Zunga Alves de Lima, por sua vez, negou, por mensagem de texto, qualquer participação no processo de instalação da Antena. A Oi também não quis fazer comentários sobre o caso.
Liminar do CNMP suspende depoimento de Lula e Marisa
Uma decisão proferida na noite desta terça-feira pelo Conselho Nacional do Ministério Público adia o depoimento do ex-presidente Lula e da ex-primeira-dama Marisa Leticia no inquérito aberto para averiguar a propriedade de um triplex no Guarujá que seria ligado à família do petista.
O conselheiro Valter Araujo, do CNMP, concedeu liminar em pedido do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) por entender que Cassio Conserino não é o “promotor natural” para conduzir o inquérito.
No pedido, Teixeira alega que já há investigação correlata ao caso correndo na 5a. Vara Criminal de São Paulo, o que tornaria a 1a. Promotoria, que atua na vara, preventa (isto é, a promotoria natural) para atuar numa investigação sobre Lula.
Diz a decisão: “Ex positis, e com fundamento no art. 43, inciso VIII, do RICNMP, defiro parcialmente o pedido de medida liminar formulado pelo Requerente, a fim de tão-somente suspender a prática de qualquer ato pelo Requerido relacionado aos fatos narrados neste Pedido de Providências, em especial no âmbito do PIC nº 94.2.7273/2015, até que o Plenário deste CNMP delibere sobre a alegação de ofensa ao princípio do Promotor Natural na hipótese dos autos. Intime-se, com urgência, o Reclamado e a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo para ciência e cumprimento desta liminar”.
Em seu voto, o conselheiro do CNMP diz ver “fumaça de bom direito”, isto é, razões suficientes para conceder a liminar para sustar atos futuros até que o Conselho decida, em plenário, qual a promotoria que deve atuar no caso. Até lá, diz ele, medidas já tomadas no inquérito não serão anuladas.
Usiminas tem ‘dia D’ para evitar pedir recuperação judicial
Diante de uma disputa por poder na Usiminas que se arrasta desde 2014, os japoneses da Nippon Steel e os argentinos da Ternium, sócios majoritários da siderúrgica, têm hoje um dia decisivo para evitar que a companhia recorra à recuperação judicial. O Conselho de Administração se reúne hoje para analisar os resultados da empresa em 2015. Na mesma reunião, será apresentado um plano de reestruturação — elaborado pela diretoria — que prevê aporte imediato de até R$ 1 bilhão por parte dos controladores para que a empresa continue a operar este ano.
CHOQUE DE GESTÃO’
Num cenário de excesso de oferta de aço e queda do produto nos mercados interno e externo, a Usiminas vive uma das maiores crises de sua história e não tem caixa para honrar dívidas, que somam cerca de R$ 4 bilhões até 2018. Só neste ano, vence R$ 1,8 bilhão do total.
A proposta de aporte de capital tende a esbarrar no conflito entre os acionistas. Uma fonte a par das negociações informou que os japoneses da Nippon Steel estão dispostos a colocar mais capital na empresa, enquanto os argentinos descartam a hipótese. Procurada, a Ternium confirmou por meio de nota que não está disposta a injetar recursos na Usiminas e questiona a atual gestão, que tem os japoneses no comando:
“A Ternium acredita que realizar aumento de capital não é possível sem que haja um choque de gestão na companhia. A Usiminas passa por uma crise estrutural que precisa ser resolvida. Novo investimento vai apenas adiar os problemas e não atacar a causa. É uma solução de médio prazo, frágil e ineficiente”.
Procurados, os japoneses da Nippon Steel não responderam até o fechamento desta edição. A Usiminas também não comentou o aporte de recursos necessário. Sem a anuência dos argentinos, o aporte de capital não pode ser feito já que as decisões precisam ser tomadas em conjunto, segundo o acordo de acionistas. Outra fonte a par das discussões afirma que os argentinos estariam dispostos a deixar a siderúrgica recorrer à decisão judicial para forçar uma mudança na gestão da empresa.
A Usiminas já conseguiu fechar um acordo com os principais bancos credores — Bradesco, Itaú e Banco do Brasil — para renegociar os R$ 4 bilhões que vencem até 2018. O êxito da renegociação, porém, está vinculado ao aporte de capital dos sócios, segundo uma fonte. A dívida total da Usiminas é de R$ 8,1 bilhões.
À espera de resultados
A siderúrgica divulga resultados amanhã. Segundo analistas, ela deve ter registrado prejuízo de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões no quarto trimestre de 2015. Até setembro do ano passado, ela acumulava perdas de R$ 2,3 bilhões.
— Além da situação ruim do setor siderúrgico, que prejudica o desempenho da empresa, a disputa dos acionistas majoritários inviabiliza um aporte de capital e a recuperação judicial torna-se uma alternativa — diz o analista Lenon Borges, da Ativa Investimentos.
Borges também prevê um Ebitda (lucro antes de impostos, depreciação, juros, amortizações) negativo, o segundo consecutivo, o que mostra a dificuldade operacional da empresa de gerar recursos para quitar seus débitos.
Uma das saídas para tentar evitar a recuperação seria a venda de ativos, mas, com a crise no setor siderúrgico e a economia fraca, os ativos estão desvalorizados, e o preço seria muito baixo, observa o analista Pedro Galdi, da Galdi Investimentos.
— A empresa colocou à venda a Usiminas Mecânica em novembro passado, quando contratou o banco Credit Suisse para encontrar compradores. Mas, até agora, isso não avançou e, mesmo que avançasse, o valor de venda não seria suficiente para as suas necessidades de caixa — avalia Galdi.
O analista lembra que o desligamento dos altos-fornos de Cubatão, no litoral de São Paulo, e de Ipatinga, em Minas Gerais, no ano passado, que reduziu sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês, deve se refletir negativamente no balanço da Usiminas.
Sem mais recursos do BNDES
As informações sobre um possível aporte dos acionistas para reforçar o caixa da companhia animaram os investidores, e os papéis da empresa avançaram na Bovespa ontem. As ações preferenciais fecharam em alta de 4,44%, cotadas a R$ 0,94. Na máxima, chegaram a subir 15,6% — por terem baixo valor, qualquer mudança de centavos no preço do papel representa uma grande variação percentual. Já as ações ordinárias, que dão direito a voto nas assembleias, mas que não fazem parte da composição do Ibovespa, subiram 11,2%, chegando a R$ 3,95.
Com o caixa apertado, a Usiminas teve de cortar investimentos e diminuir o ritmo de projetos em implantação. A previsão de investimento para 2015 era de R$ 1 bilhão, mas foram executados cerca de R$ 750 milhões, segundo fontes a par da situação. O mercado já trabalhava com uma redução de 25% nos investimentos, e a expectativa é que, em 2016, o corte seja ainda maior.
Para não elevar a dívida bilionária e dificultar ainda mais sua renegociação, a empresa interrompeu os saques nas linhas de financiamento do BNDES. Ao longo de todo o ano de 2015, não foi solicitado qualquer desembolso, de acordo com fontes. No site do banco, são listados seis contratos de financiamento para a Usiminas com prazos de amortização entre 2015 e 2020. Eles totalizam R$ 1,6 bilhão.
Segundo a Usiminas, boa parte dos projetos financiados pelo BNDES já foi concluída. A empresa reconhece, no entanto, que os projetos de modernização e proteção ambiental nas unidades de Cubatão e Ipatinga tiveram seu “cronograma ajustado de acordo com a possibilidade da empresa”. Eles somam cerca de R$ 700 milhões ou pouco menos da metade do R$ 1,6 bilhão.
Procurado, o BNDES disse que “torna público, em seu site, todos os seus contratos de financiamento realizados, mas tem impedimentos legais, por ser um banco, em fazer comentários sobre questões financeiras das empresas”.
Apple se opõe a ordem judicial para ajudar FBI a desbloquear iPhone
A Apple se opôs à decisão judicial que ordena a companhia a desbloquear um iPhone recuperado de um dos atiradores da chacina em San Bernardino, na Califórnia, no final do ano passado, informou o presidente-executivo da Apple, Tim Cook, nesta quarta-feira. Em uma carta aos clientes, Cook disse que a demanda ameaçava a segurança dos usuários e tinha implicações para além do caso legal em questão. O caso aumentando ainda mais a disputa entre empresas de tecnologia e autoridades americanas sobre os limites da encriptação.
“O governo está pedindo para a Apple hackear seus próprios usuários e minar décadas de avanços de segurança que protegem nossos clientes - incluindo dezenas de milhões de cidadãos americanos - de hackers e criminosos cibernéticos”, disse o presidente. “Não encontramos nenhum precedente de uma companhia do país ser forçada a expor seus consumidores a um risco maior de ataque."
Na terça-feira, a juíza Sheri Pym da corte distrital de Los Angeles disse que a Apple precisava fornecer assistência técnica razoável para os investigadores que buscava desbloquear dados de um iPhone 5C que pertencia Syed Rizwan Farook. O americano de origem iraniana e sua mulher, Tashfeen Malink, mataram 14 pessoas e deixaram mais de 20 feridos em um ataque a tiros em dezembro do ano passado. Os dois morreram após confrontos com a polícia.
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A equipe de investigação agora tenta descobrir se o casal tinha ligação com o Estado Islâmico ou outros grupos extremistas. Nas especialistas em tecnologia e defensores da privacidade argumentam que forçar as empresas americanas a enfraquecer seus métodos de encriptação deixaria os dados pessoais mais vulneráveis a hackers e daria vantagem competitiva a companhias em outros países.
Guerra do rum esquenta entre a Bacardi e Cuba
Uma antiga disputa judicial teve mais um desdobramento na terça-feira, quando a Bacardi, multinacional do setor de bebidas de origem cubana, hoje com sede nas Bermudas, solicitou explicações ao governo dos Estados Unidos em relação à marca Havana Club, devolvida pelos EUA à empresa estatal cubana de destilados Cubaexport. Cuba não pode vender seu rum nos EUA devido ao embargo comercial de Washington à ilha, mas espera, eventualmente, ter acesso ao maior mercado de rum do mundo, o americano, num momento em que as relações entre os dois países vêm melhorando.
Em janeiro, o Escritório de Registros e Patentes dos EUA decidiu permitir que a companhia estatal cubana Cubaexport registrasse o nome Havana Club nos Estados Unidos. O movimento foi estratégico para a Cubaexport e sua parceira francesa, a Pernod Ricard — segunda maior empresa do mundo no ramo de destilados —, para competir com a Bacardi no mercado dos EUA.
— O povo americano tem o direito de saber a verdade de como e por que esta ação sem precedentes, súbita e silenciosa foi feita pelo governo americano para reverter uma decisão de longa data, ferindo também leis internacionais — afirmou o vice-presidente da Bacardi, Eduardo Sanchez.
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A Bacardi deixou Cuba após a Revolução de 1959 e, posteriormente, adquiriu os direitos da marca Havana Club do antigo proprietário, cuja destilaria foi nacionalizada. O governo cubano não comentou o caso. E o Escritório de Registros e Patentes informou que não comenta casos específicos.
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