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quarta-feira, 2 de março de 2016

Mineradora Codelco diz que recuperação não se sustentará

Mina de cobre

A Codelco, maior produtora de cobre do mundo, disse que a abundância global vai persistir neste ano e no próximo, e rejeitou as insinuações de que o ganho recente dos preços teria chances de perdurar.

O metal provavelmente vai flutuar em torno de US$ 2 a US$ 2,10 por libra durante dois anos, com extrema volatilidade, disse o Óscar Landerretche, presidente do conselho, em uma entrevista na Flórida. 

Depois do excedente deste ano e de 2017, o mercado poderia oscilar para um déficit de 50.000 a 100.000 toneladas em 2018, e a escassez poderia subir para 300.000 a 400.000 toneladas em 2019, disse ele.

O cobre se recuperou de uma baixa de seis anos em janeiro após ter afundado 25 por cento no ano passado porque a desaceleração do crescimento na China prejudicou a demanda do maior usuário e provocou uma abundância mundial. 

A queda forçou as mineradoras, incluindo a Codelco, com sede em Santiago, a controlar os custos, e outras, como a Glencore, fecharam minas para reduzir a oferta. O CEO da Glencore, Ivan Glasenberg, disse na terça-feira que agora vê os preços das commodities chegando ao fundo do poço.

No mercado, quem acredita que o cobre vai ficar acima de US$ 3 por libra “deve ter alguma informação secreta que nós desconhecemos”, disse Landerretche, na terça-feira, em uma conferência sobre mineração. “Isso não parece muito plausível”.

O cobre para entrega em três meses subiu 0,5 por cento, para US$ 4,716 a tonelada, na London Metal Exchange na terça-feira, o equivalente a US$ 2,14 por libra, e ampliou o avanço da quarta-feira para US$ 4,786. 

Os preços estão 11 por cento mais altos que a baixa de US$ 4,318 registrada no dia 15 de janeiro, depois de terem subido 2,9 por cento em fevereiro e registrado o maior ganho mensal desde abril.

A precificação de operações recentes de minas implicou que alguns produtores esperam que o cobre fique significativamente mais alto no longo prazo, disse Landerretche. 

O acordo de US$ 1 bilhão da Sumitomo Metal Mining no mês passado para aumentar sua participação em uma mina da Freeport-McMoRan refletiu um preço implícito que excede os preços à vista atuais, de acordo com a Sanford C. Bernstein.

O Goldman Sachs Group projetou mais perdas para o cobre neste ano, dizendo no mês passado que não esperava uma recuperação material no crescimento da demanda chinesa de metais. 

É provável que haja um déficit no final da década, disse a BHP Billiton na semana passada, pois a produção de cobre está limitada nas minas existentes nos graus mais baixos.

Embora talvez algumas mineradoras pequenas com custos mais elevados tenham que fechar para estabilizar os preços, uma grande proporção dos produtores tem custos de caixa que os deixam “em cima do muro”, disse Landerretche. 

“Então, isso faz com que este tipo de situação seja angustiante”, porque as mineradoras ainda estão tentando evitar o fechamento completo de operações, disse ele.

Até o final de 2016, a Codelco terá reduzido os custos operacionais em US$ 2,5 bilhões em dois anos e continua procurando mais formas de economizar, disse ele.

Senado autoriza BB e Caixa a comprarem fatias de empresas

Agência da Caixa

O plenário do Senado aprovou hoje (2) o texto da Medida Provisória (MP) 695/15, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirir participação em empresas, inclusive no ramo de tecnologia da informação (TI).

A medida altera a Lei 11.908/09, que deixou de valer em 2012.

Com a aprovação, volta a valer a permissão aos bancos para a compra de ativos de instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, além dos ramos de atividades complementares às do setor financeiro.

Uma alteração no decorrer da tramitação da MP incluiu também a possibilidade de os bancos atuarem na área de tecnologia da informação.

A MP também autoriza a Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex), a chamada raspadinha, a explorar comercialmente eventos de grande apelo popular, datas comemorativas, referências culturais, licenciamento de marcas ou personagens e demais elementos gráficos e visuais que possam aumentar a atratividade comercial do produto.

Com a medida, o governo espera poder arrecadar até R$ 1 bilhão.

Um destaque do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), aprovado quando a MP passou pela Câmara, permite aos clubes de futebol comercializar eventuais produtos da Lotex, mediante remuneração de mercado.

A medida também reabre o prazo para clubes de futebol aderirem ao parcelamento de dívidas previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (Lei 13.155/15).

Com a aprovação, o prazo, que acabou no dia 30 de novembro do ano passado, foi estendido até o dia 31 de julho.

O texto foi aprovado sem alterações em relação ao enviado pela Câmara dos Deputados e segue agora para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Matéria atualizada às 21h43

Prisão de executivo mostra obstáculos do Facebook

Diego Dzordan, vice-presidente do Facebook para América Latina, conversa durante uma palestra

A expansão internacional do Facebook tem enfrentado obstáculos como encerramento de aplicativos, bloqueios regulatórios e protestos. 

Na última terça-feira, o governo brasileiro tentou outra tática: prender um executivo.

Um juiz de Sergipe ordenou a prisão de Diego Dzodan, vice- presidente do Facebook e do Instagram para a América Latina, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto que não tem autorização para se pronunciar publicamente, depois de a empresa não ter acatado em diversas ocasiões a ordem judicial que fazia parte de uma investigação sobre tráfico de drogas.

O executivo teve a prisão revogada por um habeas corpus hoje pela manhã, o Facebook confirmou em nota por e-mail.

“Detenção de Diego era medida extremamente desproporcional, e temos o prazer de ver o tribunal de Sergipe expedir uma liminar ordenando a sua libertação”, disse Facebook nesta quarta-feira em comunicado por e-mail de de sua assessoria de imprensa na América Latina. 

“Prender pessoas sem conexão com uma investigação em curso é um passo exagerado e estamos preocupados com os efeitos para os brasileiros e para o setor de inovação no país.”

Dzodan poderia permanecer detido antes de ser acusado ou levado a julgamento por um máximo de 30 dias, de acordo com essa ordem judicial, que poderia ser estendida por mais 30 dias.

Essa briga é o capítulo mais recente de uma série de desentendimentos entre o Facebook e governos de todo o mundo, e indica que o caminho para a rede social conquistar o próximo bilhão de usuários poderá ser mais difícil do que o percorrido para alcançar os 1,6 bilhão de usuários atuais. 

A empresa teve enfrentamentos diretos com os reguladores na Índia por um aplicativo para usuários iniciantes na internet -- e perdeu. O mesmo programa, Free Basics, já tinha sido fechado no Egito.

No Brasil, essa não é a primeira tentativa de forçar a empresa a cooperar com investigações locais. Em dezembro, uma juíza da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo bloqueou temporariamente o serviço do WhatsApp, que pertence ao Facebook, depois que a empresa se recusou a fornecer o conteúdo das comunicações entre supostos traficantes de drogas. 

A interrupção afetou mais de 100 milhões de usuários locais e provocou indignação nas redes sociais.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, disse na época que estava abismado com “a decisão extrema de um único juiz para punir cada uma das pessoas que usa o WhatsApp no Brasil”.

Legislação brasileira

A legislação brasileira relativa à internet permite que juízes solicitem a divulgação de informações confidenciais quando há indícios suficientes de que os dados contribuíram para atividades criminosas. 

O juiz também pode tomar medidas para obrigar empresas de internet e de telecomunicações a divulgarem dados.

O Brasil já tentou a tática de prisão antes. No início do ano passado, a polícia brasileira invadiu os portões do apartamento em São Paulo do mais alto executivo da Microsoft no Brasil e o intimou a se apresentar perante um tribunal. 

A fabricante de software tinha se recusado a fornecer informações do Skype armazenadas nos EUA relativas a um cliente brasileiro envolvido em uma investigação criminal.

Recusar a fornecer dos dados é uma violação da lei brasileira; fornecê-los é uma violação da lei de escutas telefônicas dos EUA, disse o presidente da Microsoft, Brad Smith, na semana passada. 

O executivo, que a Microsoft não quis identificar por motivos de segurança, ainda está respondendo a acusações e, até o momento, o Brasil impôs uma multa de US$ 28 milhões à Microsoft.

Supermercado vende comida quase vencida por metade do preço

Supermercado WeFood, na Dinamarca: o local, comandado por voluntários, tem os lucros revertidos para projetos contra a pobreza

 Um supermercado na Dinamarca está dando o que falar. Na luta contra o desperdício de comida, o WeFood resolveu vender alimentos que teriam como destino a lata de lixo.

Entre os itens vendidos por lá, pode estar um produto temático para um feriado que já passou, um vegetal "feio" para ser colocado nas prateleiras, uma caixa de cereais rasgada, ou um pacote de arroz branco que foi colocado em uma embalagem de arroz integral, por exemplo.

Sem contar, é claro, nos produtos que estão perto da data de vencimento.

Os preços praticados por lá são de 30% a 50% mais baixos do que em outros supermercados, segundo o The Star.

De acordo com o site local NPR, a iniciativa não é inédita mas, diferente dos "mercados sociais" destinados aos cidadãos de baixa renda, a versão dinamarquesa é intencionalmente dirigida ao público geral.

"Se você chama de 'supermercado social', fica difícil convencer os clientes a irem ao local. Quem quer ser pobre?", questiona Per Bjerre, um dos líderes da iniciativa, que afirma que o desperdício de alimentos é um problema de todos.

A maior parte dos clientes, segundo ele, faz as compras no local por razões políticas.

O estabelecimento, comandado por voluntários da uma ONG, tem os lucros revertidos para projetos que lutem contra a pobreza em outras partes do mundo.

O WeFood conta com uma ampla rede de parcerias, incluindo supermercados, importadores e pequenos produtores conta com o apoio do governo, que já se pronunciou sobre o desperdício de alimentos no país.

"É ridículo que a comida seja apenas jogada fora", criticou a ministra de Alimentos e Ambiente, Eva Kjer Hansen, na abertura do WeFood, na semana passada.

"É ruim para o meio-ambiente e é dinheiro destinado a absolutamente nada. Um supermercado com o WeFood faz muito sentido e é um passo importante na batalha para combater o desperdício de comida".

Embora esteja em funcionamento há poucos dias, a loja já é sucesso. Todos os dias, os clientes fazem fila do lado de fora, para aguardar a abertura das portas. No primeiro dia de funcionamento, praticamente todo o estoque da WeFood foi vendido.

 Nos últimos cinco anos, os dinamarqueses conseguiram reduzir o desperdício de comida em 25%. Segundo estimativas o país ainda joga fora 700 mil toneladas de comida por ano.

De acordo a ONU, cerca de 795 milhões de pessoas estão subnutridas no mundo todo.

E a conta não fecha: cerca de um terço de toda a comida produzida no mundo - algo em torno de 1,3 bilhão de toneladas - é desperdiçada todos os anos. O custo disso? US$ 1 trilhão por ano.

Na Itália, ganhos da máfia rivalizam com lucros da Fiat

Homem com chapéu em beco escuro / Máfia

  Mafiosos italianos ganham tanto dinheiro vendendo narcóticos na Itália quanto a Fiat ganha vendendo carros, e eles ainda não pagam impostos, disse o gabinete dos promotores antimáfia nesta quarta-feira.

Citando estimativas do programa sobre narcóticos e crime das Nações Unidas, os promotores afirmaram que o comércio de narcóticos rende mais de 32 bilhões de euros por ano para o crime organizado, que controla o comércio de drogas na Itália.

"É como se a principal fabricante de carros do país junto com os seus fornecedores, provedores de serviço e concessionárias pagassem todos os seus salários e fornecedores e produzissem tudo completamente sem registro e sob nenhuma legislação, e então vendessem e reinvestissem tudo sem pagar impostos”, afirmou o relatório anual da promotoria antimáfia.

"A pequena diferença é que a margem de lucro para os traficantes de drogas é pelo menos dez vezes maior do que a de qualquer fabricante industrial.”

O estudo diz que a máfia calabresa, conhecida como a ‘Ndrangheta, havia se tornado a principal fornecedora de cocaína sul-americana na Europa.

Graças aos laços “privilegiados” com grupos criminosos sul-americanos que “reconhecem a credibilidade total dos clãs da Calábria”, a ‘Ndrangheta também se estabeleceu como a principal fornecedora de cocaína para outros grupos mafiosos na Itália, disse o documento.

De julho de 2014 a junho de 2015, a Itália apreendeu quatro toneladas de cocaína, uma queda de mais de 8 por cento em relação ao período anterior. No porto de Gioia Tauro, na Calábria, três toneladas da droga foram apreendidas pela polícia nos últimos três anos.

O relatório usava para comparação os ganhos da Fiat na Itália, e não da produção mundial do mais amplo grupo Fiat Chrysler.

Alemanha, o país onde desemprego baixo eleva salários

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A ligação entre salários e desemprego parece quebrada em grande parte da economia do mundo industrial. Na Alemanha, nem tanto.

Declínios acentuados na taxa de desemprego nos EUA e no Reino Unido têm demorado muito em incentivar ganhos salariais significativos. 

Isto fez com que os economistas debatessem se a relação tradicional conforme a qual mercados de trabalho mais ajustados vêm com salários mais altos e no final das contas, inflação – a chamada Curva de Phillips, no linguajar da profissão – não funciona em uma economia globalizada.

Contudo, na Alemanha, onde a taxa de desemprego é a mais baixa em um quarto de século, a tabela mostra um padrão mais clássico. Então, o que é diferente?

A divisão

Nos EUA, os salários estão dando os primeiros sinais de aumento em se analisando a média de ganhos por hora, mas a média semanal continua apresentando uma tendência horizontal. 

A recuperação fraca intrigou muitos economistas, porque o desemprego está em níveis considerados por muitos como consistentes com uma economia saudável. Isso deveria elevar os salários, porque as empresas concorrem pelos trabalhadores.

A situação no Reino Unido é parecida: os ganhos estão dando sinais de uma alta nascente, mas que está parando, apesar de que a taxa de desemprego é a mais baixa em uma década. 

O Banco da Inglaterra disse no mês passado em seu Relatório de Inflação que a tendência “vai contra a melhoria constante em outras condições do mercado de trabalho”.

Na Alemanha, a maioria dos salários tem avançado em sentido contrário à taxa de desemprego.

A causa

Por que a Alemanha está desafiando o colapso da curva de Phillips? 

Provavelmente porque o país eliminou de verdade a inatividade no mercado de trabalho, diz Jacob Funk Kirkegaard, membro superior do Peterson Institute for International Economics.

“Pode-se dizer honestamente que a Alemanha tem pleno emprego; mas esse é um argumento difícil de sustentar no caso dos EUA”, disse Kirkegaard. 

Os níveis de emprego na Alemanha beiram um recorde, mas a proporção de americanos com emprego ou procurando emprego um caiu para o patamar mais baixo desde a década de 1970. 

Esse conjunto de mão de obra deixada de lado poderia evitar que os empregadores sintam a pressão para aumentar os salários.

Em comparação com os EUA, a Alemanha também tem sindicatos fortes que podem pressionar por aumentos salariais, disse Kirkegaard.

Outra possibilidade é que a Alemanha simplesmente esteja sendo recompensada por uma interrupção de sua relação com a Curva de Phillips ocorrida muito antes. 

Os salários na Alemanha estagnaram antes da crise financeira em meio a reformas no mercado de trabalho, portanto “pode-se argumentar que a Alemanha só foi a precursora das Curvas de Phillips mais baixas e planas”, disse David Milleker, economista-chefe da Union Investment em Frankfurt.

Também vale a pena destacar que embora a Alemanha “talvez seja um país onde a relação simplesmente se mantém melhor, é um pouco surpreendente que o crescimento dos salários não esteja aumentando mais rapidamente”, disse Frederik Ducrozet, economista do Banque Pictet Cie em Genebra. 

E apesar de que o nível de desemprego em fevereiro foi o mais baixo desde a reunificação, o terceiro pé da relação – uma recuperação da inflação – ainda não se materializou.

As implicações

Uma relação mais forte com a Curva de Phillips tem um lado positivo para a Alemanha: salários mais altos apoiam o gasto do consumidor, que pode compensar uma desaceleração nas exportações. 

Em contraste, ganhos salariais constantemente fracos nos EUA e no Reino Unido poderiam abafar o poder aquisitivo.

“Isto tem implicações sociais, mas na minha visão, também tem implicações macroeconômicas”, disse Kirkegaard. “No final das contas, restringirá o potencial dos EUA para crescer muito mais rapidamente do que têm crescido”.

Deputados pedem saída de Cunha da presidência da Câmara

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha

A decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou o desconforto que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vem causando no comando da Casa.

Se na madrugada de hoje (2) a aprovação pelo Conselho de Ética da continuidade das investigações sobre Cunha por quebra de decoro parlamentar gerou mal estar entre os parlamentares, a abertura de ação penal no STF fez com que vários deputados ocupassem a tribuna para pedir o afastamento dele do comando da Instituição.

Autores da representação no Conselho de Ética e principais críticos de Cunha na Câmara, os deputados do Psol e da Rede Sustentabilidade aproveitaram a decisão do conselho e do Supremo para redobrarem os apelos pelo afastamento de Cunha.

“O STF já formando maioria considera que o deputado tem que virar réu de uma ação gravíssima”, disse Alencar (Psol-RJ). “Eduardo Cunha não nos representa e não pode presidir a Câmara dos Deputados [...] presidir a Câmara nessas condições é uma vergonha para o parlamento brasileiro”, acrescentou.

Para o deputado Alessandro Molon (RJ), líder do Rede Sustentabilidade, as duas decisões reforçam a necessidade de afastamento do presidente da Casa. Molon lembrou ainda que os partidos já fizeram um pedido formal à Procuradoria Geral da República (PGR), solicitando o afastamento.

“A nossa expectativa é que o Supremo enfrente essa questão [do afastamento cautelar de Cunha] assim que terminar a admissão da denúncia. Enquanto isso não ocorre, queremos que o presidente, para preservar a Casa do constrangimento dessas circunstâncias, se afaste da presidência e responda de fora a essas investigações”, argumentou.

Anunciando que falaria em nome da bancada do PT, o deputado Henrique Fontana (RS)  também cobrou a saída de Cunha. “Estamos em nome da bancada do PT para pedir o imediato afastamento do deputado Eduardo Cunha da presidência da Casa”, disse. “Ele não tem nenhuma condição de continuar presidindo a todos nós”, emendou.

Líder do maior partido de oposição ao governo, o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) subiu o tom e cobrou a renúncia de Cunha, em “beneficio da democracia, da nossa própria economia, dessa tragédia que o país está vivendo”.

“Solicito de maneira clara que o presidente renuncie, será um gesto de grande importância para a Câmara”, defendeu.

Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR) a renúncia também é o melhor caminho para a instituição. “Para que a Câmara possa aliviadamente respirar e seguir o seu processo interno, para seguir democraticamente, de acordo com o regimento, de acordo com a proporcionalidade das bancadas e de seus partidos. Não podemos ficar à mercê de uma decisão dessa e continuar aqui, olhando, como se nada estivesse acontecendo”, afirmou.

Dentre os poucos que falaram a favor de Cunha, o deputado Laerte Bessa (PR-DF), disse que a abertura da ação penal contra Cunha não significa que ele é culpado e que será condenado.

“Isso tem um processo que tem instrução criminal e lá, ao final de tudo, o senhor [Cunha] vai ser julgado se é culpado ou inocente”, disse. “Tá cheio de juiz na Casa”, apontou Bessa que também defendeu que Cunha, antes de ser julgado, tem “direito a ampla defesa”.

Mesmo diante dos apelos para que deixasse a comando da Casa, Cunha manteve-se impassível na condução das votações, nem comentando, nem respondendo as arguições do Plenário.

No final da tarde dessa quarta-feira, a maioria dos ministros do Supremo votou pela abertura de ação penal contra Cunha e a ex-deputada federal e atual prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Almeida.

Seguindo o voto do relator, ministro Teori Zavascki, os demais minsitros entenderam que há indícios de que Cunha recebeu US$ 5 milhões de propina por um contrato de navios-sondas da Petrobras.

Até o momento, seis dos 11 ministros da Corte aceitaram a denúncia contra Cunha e Solange. Os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio, Cármen Lúcia e Rosa Weber acompanharam voto do relator, ministro Teori Zavascki.

A sessão do STF foi suspensa e será retomada amanhã (2), com os votos dos demais ministros que compõem a Corte. Faltam os votos de Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski.

Doria tem relator favorável em processo de impugnação

João Dória Junior, do Grupo Dória

 A direção do PSDB paulistano escolheu nesta noite Jorge Farid, vice-presidente do diretório municipal, como relator do processo contra João Doria nas prévias que vão escolher o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo.

Fahrid foi apontado pelo presidente da Executiva do PMDB no município, Mario Covas Neto, o Zuzinha, em uma reunião que durou mais de duas horas e que teve objeções de aliados de Andrea Matarazzo.

"Primeiro eu pedi que aqueles que se sentissem impedidos levantassem a mão, restaram quatro ou cinco e eu escolhi um que me pareceu que ao longo da campanha teve uma exposição menor a respeito de envolvimento (com algum dos três pré-candidatos - Doria, Matarazzo ou Ricardo Trípoli)", disse Zuzinha ao sair da reunião.

O dirigente relatou que "alguém mais ligado ao Andrea (Matarazzo) começou a atribuir uma desconfiança" ao nome de Farid, mas que a escolha foi a melhor possível.

Ao sair do encontro em que foi escolhido como relator, Farid disse que manteve-se isento no primeiro turno das prévias enquanto vice-presidente do diretório municipal, mas que seu diretório zonal assumiu uma postura pró Dória ao votar majoritariamente com o empresário, que é o candidato do governador Geraldo Alckmin.

"No momento que as urnas falam, você acaba se mostrando", admitiu. "Assumo algumas posições pessoais nesse segundo turno. Em função da própria votação que tivemos lá (em Vila Prudente), assumimos uma posição junto ao candidato Doria", afirmou.

Farid disse ainda, pessoalmente, não ver nas ações da campanha de Doria motivo para cancelar a inscrição dele como candidato nas prévias.

"Não acredito nesse tipo de excesso que venha a desqualificar a eleição ou que possa ter desequilibrado a eleição da forma que ela ocorreu. Acho que a eleição ocorreu de uma forma vitoriosa para a própria condição do diretório municipal", disse.

"Me parece que estava na regra do jogo (a conduta da campanha de Doria), num acerto entre os candidatos", completou.

Apesar de suas posições favoráveis em relação a Doria, Farid se disse preparado para relatar o processo da petição de impugnação da candidatura do empresário. "Vou buscar apresentar a maior isenção possível. Não faço campanha carnívora, não sou tucano carnívoro."

No domingo, 28, dia dos primeiro turno das prévias tucanas, em que Doria teve a maior votação, passou para o segundo turno com Matarazzo e em que Trípoli saiu derrotado, o ex-governador Alberto Goldman e o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, entraram com uma petição pedindo a impugnação da candidatura de Doria e sanções a ele.

Goldman e Aníbal, respectivamente aliados de Matarazzo e de Trípoli, alegaram que Doria desrespeitou a lei eleitoral e cometeu "abuso de poder econômico" ao usar cavaletes e práticas como boca de urna e transporte de eleitores no dia da votação.

Doria e seus aliados argumentam que as práticas estavam autorizadas pelo partido e que haviam sido combinadas verbalmente entre as equipes dos três candidatos. No domingo, os advogados do PSDB emitiram um parecer autorizando o uso de cavaletes e o transporte de eleitores.

Agora, a petição de Goldman e Aníbal seguirá um rito, aprovado pela direção municipal nesta quarta-feira. Depois de ouvir as partes, Farid produzirá um relatório que será levado à apreciação do diretório municipal - composto por 75 membros.

A solução agrada a Alckmin e a aliados de Doria, pois se a decisão coubesse apenas à Executiva municipal, Matarazzo teria mais força para aprovar a impugnação de seu adversário na disputa interna.

Facebook cria segmentação de anúncios por renda

Facebook

No ano passado, o especialista em redes sociais e marketing digital, Hilário Júnior, publicou em seu perfil no LinkedIn a informação sobre uma suposta parceria entre Facebook e a Serasa Experian.

Embora nenhuma das empresas tenha entrado em detalhes com a imprensa para falar sobre a questão, o fato é que a rede social de Mark Zuckerberg já começou a disponibilizar, pelo menos para parte de seus usuários, uma nova opção de segmentação para os seus anúncios, algo que é possivelmente fruto da aproximação das empresas.

Agora, será possível segmentar o post patrocinado por renda de consumidor, de acordo com sua renda individual ou familiar.

Quem já descobriu e testou a novidade foi o Fábio Prado Lima, fundador da AdResults, agência especializada em Facebook Ads.

Para explicar ao seu público o recurso, além de publicar um vídeo em seu canal no Facebook, o especialista procurou o Adnews. Abaixo está a explicação didática gravado pelo profissional.

Juiz concede liminar que impede condução coercitiva de Lula

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em São Paulo

O juiz Nuevo Campos, da 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu parcialmente hoje (2) liminar favorável ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que nem ele, nem a esposa, Marisa Letícia, sejam conduzidos coercitivamente para prestar depoimento no Ministério Público de São Paulo sobre a compra de um apartamento tríplex, em Guarujá, no litoral paulista.

De acordo com o juiz, o próprio promotor que notificou Lula e Marisa para prestar depoimento presencial, Cássio Conserino, admitiu ter havido equívoco sobre a forma proposta para o casal apresentar esclarecimentos.

“O representante do Ministério Público em primeiro grau de jurisdição, espontaneamente, prestou esclarecimentos e apresentou documentos. Esclareceu, a propósito, ter ocorrido equívoco, em relação aos termos das notificações dos pacientes, consistente em utilização de formulários inadequados, pois, por estarem na condição de investigados, não estão sujeitos à condução coercitiva”, disse o juiz na liminar.

Nuevo Campos explicou que, como o próprio promotor reconheceu o erro, a liminar foi concedida apenas para obrigar a correção das notificações no caso, sem a exigência de que Lula e Marisa prestem esclarecimentos presenciais ao Ministério Público na atual fase do processo.

“De rigor o deferimento parcial da liminar tão somente para, afastada a condução coercitiva dos pacientes, determinar, nos autos da investigação criminal, seja formalizada a regularização das notificações apontadas como equivocadas”, ressaltou Campos na decisão.

Em nota, o Instituto Lula destacou que a convocação, originalmente marcada para amanhã (3), foi a segunda tentativa do promotor de forçar depoimento presencial de Lula e Marisa.

“O próprio promotor admite que 'errou' ao ameaçar Lula e Marisa com a obrigatoriedade (inexistente) do testemunho presencial -- ainda que só tenha se manifestado sobre o assunto depois de protocolado o pedido de habeas corpus.”

A nota acrescenta que o pedido da defesa de Lula, ratificado pela decisão do Tribunal de Justiça, não é uma "tentativa de protelar investigações ou de não prestar as informações pertinentes, mas de garantir o regular andamento do processo."

Segundo o texto, por ser um cidadão como todos os demais, Lula deve ter seus direitos constitucionais preservados.

O ex-presidente e sua esposa apresentaram ao Ministério Público explicações por escrito, na última segunda-feira (29).

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