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domingo, 27 de março de 2016

Você pode comer esta garrafa de água — ela é de alga!

Garrafa de água feita de ágar-ágar, projeto do estudante Ari Jónsson

Já pensou na quantidade interminável de garrafas plásticas que circulam pelo mundo? Estima-se que pelo menos metade destas embalagens são usadas apenas uma vez e logo descartadas, a maior parte indo parar nos lixões, onde demoram uma eternidade para se decompor.

Atento ao problema, o estudante de design islandês Ari Jónsson desenvolveu uma alternativa curiosa para evitar a poluição causada por plástico — uma garrafa biodegradável a base de alga.Eu sinto que há uma necessidade urgente de encontrar formas de substituir uma parte da quantidade irreal de plástico que produzimos, usamos e jogamos fora todos os dias", disse o jovem ao site dezeen.com.

A solução usada por Jónsson chama-se ágar (também conhecida como ágar-ágar), uma substância feita a partir de algas que apresenta consistência gelatinosa. 

Para criar uma "garrafa de algas", ele misturou um pouco de ágar em pó com água, aqueceu o composto e o verteu em um molde com forma de garrafa que, em seguida, foi resfriado até o agár ficar sólido e pronto para uso.

Depois de um tempo, a garrafa se decompõe naturalmente, sem gerar poluição. Quem preferir pode mastigá-la, ela praticamente não tem sabor. Na culinária, o Agar é muito utilizado por vegetarianos como um substituto para gelatina convencional.

Jónsson apresentou seu projeto no DesignMarch, um festival de design realizado recentemente em Reykjavik, na Islândia.

Mas ele não é o único a pensar numa solução sustentável para as garrafas plásticas. Outro exemplo bacana no mundo do ecodesign é a embalagem Ooho. Com forma de bolha gelatinosa, que lembra uma água-viva, ela é feita a partir de algas marinhas e cloreto de cálcio.

Quando você está com sede, basta perfurar a membrana e beber o líquido de seu interior. Para quem curte novas experiências, também é possível colocar tudo de uma vez na boca, já que a Ooho também é comestível e biodegradável. O projeto é do trio designers espanhóis Rodrigo García González, Guillaume Couche e Pierre Paslier.

Startup brasileira cria a 1ª plataforma de realidade virtual

Máscara de realidade virtual Gear VR, da Samsung

 Muitas pessoas já conhecem ou ouviram falar dos óculos de realidade virtual, porém uma das questões do mercado é como será feita a distribuição do conteúdo em realidade virtual (VR). Uma plataforma de conteúdo que reúna Entretenimento, Games, Educação e ecommerce em um só ambiente virtual, essa é a proposta da startup brasileira Youfacer.

O projeto em desenvolvimento pretende revolucionar a forma que homem e computador interagem. Navegar no Facebook, assistir um vídeo em 360° do Youtube, estudar ou fazer compras em um shopping virtual são algumas das opções disponíveis na Youfacer. A plataforma será disponibilizada para PC, Web, Android, iOS e será compatível com os principais dispositivos do mercado como Oculus Rift, HTC Vive, Samsung Gear VR, Google Cardboard, entre outros. A plataforma prevista para ser lançada em 2017, traz experiências que tornem o uso dos dispositivos de realidade virtual, algo comum em nosso dia a dia, assim como já utilizamos smartphones, por exemplo.

Felipe Coimbra, diretor da empresa justifica o investimento em um dispositivo de realidade virtual. ‘’Iremos resolver o problema do acesso a conteúdo “VR”, o maior desafio é tornar a experiência de realidade virtual algo comum em nosso cotidiano e isso temos conseguido após muitos testes de usabilidade da interface Youfacer’’. Utilizando a plataforma também será possível ter experiências como participar de eventos; shows, esportes em 360°, jogar games em realidade virtual, fazer compras em supermercados ou reservas de hotéis como se estivessem no local, tudo através de VR.

A plataforma também oferecerá aos seus usuários um assistente virtual, o “Steve”, que acompanhará o cliente em toda a experiência na plataforma, conversando com o usuário e realizando tarefas através de comandos de voz. Até o ano de 2025, mais de 327 milhões de pessoas utilizarão ferramentas e dispositivos de realidade virtual em seu cotidiano. Esse mercado estima faturar mais de US$ 17 bilhões em todo o mundo, segundo levantamento da Goldman Sachs Global Investment Research.

Jovem brasileiro quer ser o 1º médico a imprimir um coração

Gabriel Liguori

 Aos dois anos, Gabriel Liguori teve o pequeno coração operado no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, para tratar uma cardiopatia congênita. As idas e vindas ao hospital forjaram sua paixão pela medicina, em especial pela cirurgia cardíaca pediátrica, e ele se formou médico na Universidade de São Paulo. Hoje, aos 26 e bolsista da Fundação Estudar, é doutorando na Universidade de Groningen e quer fazer da vida o que salvou a sua. “O que poderia ser um trauma acabou virando uma paixão”, resume.

A ligação com as ciências se fortaleceu na infância. Sem poder praticar esportes, Gabriel passava o tempo lendo de tudo, de Charles Darwin à mecânica quântica. Nas férias, chegava a terminar dez livros por mês. “Também sempre gostei de colocar meus aprendizados em prática e não foram poucas as vezes em que quase botei fogo em casa ou enchi o banheiro com larvas de drosófila”, lembra.

Os laços com o InCor, que faz parte do complexo do Hospital das Clínicas operado pela USP, também se mantiveram ao longo dos anos. Gabriel era figura tão frequente pelos corredores – as visitas eram uma atividade extracurricular para ele – que foi convidado a acompanhar um transplante de coração ainda no terceiro ano de faculdade.

A ligação, que pode vir a qualquer hora, veio em 7 de setembro de 2011. “Lembro-me de ser chamado para acompanhar a retirada do coração do doador – essa também foi a primeira vez que entrei numa ambulância – e seguimos até o local onde seria realizada a coleta. Acompanhei toda essa cirurgia e corremos de volta para o InCor”, conta.

Gabriel acompanhou então o transplante em si. Quando estava tudo quase concluído, foi convidado a chegar mais perto. “Foi primeira vez que toquei num coração batendo, recém transplantado no peito daquela criança”, diz. “Sentir esse coração na minha mão foi, com certeza, uma das melhores sensações até hoje e o momento que me fez ter certeza que era isso que eu queria.”

Águas internacionais Antes de se tornar bolsista da Fundação Estudar e começar seu doutorado, Gabriel passou um período em Harvard fazendo o curso “Principles and Practice of Clinical Research” e estagiando no Children’s Hospital Boston, onde acompanhou cirurgias cardíacas. O Hospital é considerado em diversos rankings o melhor dos Estados Unidos na área pediátrica.

“O período que passei em Harvard foi um grande catalizador da minha vontade de fazer pesquisa científica inovadora e de qualidade”, resume ele, que se encantou com o ambiente universitário. “Boston e Cambridge respiram ensino e pesquisa, e espero que eu e meus colegas da Fundação Estudar, ao voltarmos, possamos criar uma rede de desenvolvimento acadêmico e trazer essa realidade das universidades americanas e europeias para o país.”

Gabriel também estagiou em Londres, onde analisou dezenas de corações da coleção do Royal Bromptom Hospital para estudar uma doença chamada Tronco Arterial Comum, e na cidade holandesa de Maastrich, que suscitou seu interesse pelo país.

“Às vezes, quando pensamos em estudar no exterior, enxergamos apenas EUA ou Inglaterra”, diz. “A verdade é que existem muitas outras oportunidades e a Holanda, como terceiro maior produtor de conhecimento do mundo e com quase 90% da população falante do inglês, é uma excelente opção.”

Em 2015, fez as malas e mudou-se com a namorada para a Universidade de Groningen, onde se dedica a pesquisar engenharia de tecidos e o desenvolvimento de próteses cardiovasculares. “Traduzindo, meu objetivo é construir tecidos para serem utilizados durante a cirurgia cardíaca, como vasos e valvas, com as células-tronco do próprio paciente.”

Futuro no 3D Parece futurista, mas ele garante que não é. Gabriel também tem interesse especial pela promessa da impressão 3D, tanto objetos de plástico quanto aqueles feitos com biomaterial, e inclui a tecnologia em suas pesquisas.

“Basicamente, a engenharia de tecidos procura organizar polímeros, células e biomoléculas de maneira a construir tecidos vivos para a reposição e regeneração de órgãos ou parte deles”, explica.

E enquanto o método tradicional de engenharia falha na hora de criar as microestrutura de tecidos mais complexos ou órgãos inteiros, uma bioimpressora pode mudar este quadro. “Ela surge como uma solução, uma vez que possibilita a alocação de maneira pré-definida e organizada.”

A criação artificial de órgãos é uma frente promissora na ciência médica, já que pode diminuir significativamente o número de pacientes esperando por um doador na fila de transplantes. Para se ter uma ideia, em 2014, para acabar com a fila de transplante de órgãos no Brasil eram necessários 62820 órgãos doados, desconsiderando as demandas de córnea.

Coração bioartificial De acordo com o cronograma de Gabriel, a segunda fase do doutorado, que envolve o testes das próteses, deve acontecer já no Brasil. Será mais um passo rumo ao principal sonho de Gabriel. “Quero fabricar e transplantar o primeiro coração bioartificial no país e, quem sabe, no mundo”, diz.

Ele estima que ainda leve outros 15 anos até atingir seu objetivo, mas está otimista com o avanço tecnológico. É uma notícia que deve alegrar instituições como a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Segundo a ABTO, há 32 mil brasileiros na fila por um órgão compatível – mais de duzentos deles à espera de um novo coração.

“Há um século, as pessoas morriam devido a infecções que agora são facilmente tratadas com antibióticos”, destaca o doutorando. “Hoje, o câncer e as doenças cardiovasculares são o grande desafio, mas daqui cem anos acredito que poderemos ser imortais.”

A relação do brasileiro com o chocolate

Chocolates, bombom

 Em um cenário de recessão e alta dos preços, muitos brasileiros se empolgaram menos nas compras para a Páscoa deste ano. Uma pesquisa divulgada nesta semana pela dunnhumby, especializada em ciência do consumidor, mostrou que quase 60% da população esperava gastar menos nas comemorações deste domingo. 

O costume de comer chocolate, no entanto, certamente não foi abandonado (nem que para isso seja necessário trocar o tradicional ovo de Páscoa por uma caixa de bombom).

Anualmente, cada brasileiro consome, em média, 2,5 kg desse alimento – o equivalente a 16 barras. O Sul é a região do país onde as pessoas mais comem chocolate (4,5 kg/ano). O Nordeste aparece na outra ponta da lista com um consumo médio anual de 1,2kg.

Os hábitos também variam dependendo da classe social. Nas mais altas, o consumo é maior no inverno e as versões ao leite e amargo são as favoritas.

Já nas classes mais baixas, o chocolate é lembrado como uma opção de presente em datas comemorativas e a preferência é pela versão branca. As informações são de uma pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).

Veja abaixo outros números que mostram a relação do brasileiro com o chocolate.


Como declarar no IR um imóvel comprado com minha esposa?

Casal no apartamento novo

 Dúvida do internauta: Eu e minha esposa compramos um apartamento em 2015 e, como eu tenho uma renda maior, eu paguei um valor maior, mas o imóvel é 50% dela e 50% meu. Qual valor ela deve declarar no IR dela e qual valor eu devo declarar no meu?

 Resposta de Rodrigo Paixão e Thiago Mirales*:

Inicialmente, cumpre-nos ressaltar que a forma como você deverá declarar o seu imóvel dependerá do regime adotado em seu casamento

Nesse sentido, explicamos que quando o regime do casamento é o de comunhão total ou parcial de bens, tanto o imóvel, como todos os outros bens comuns do casal, comprados em conjunto, durante o casamento, devem ser reportados em apenas uma das declarações de Imposto de Renda. Isso se dá pelo fato de que cada um dos cônjuges não é dono de 50% do imóvel, como comumente se pensa.

Enquanto vigente o casamento, os bens comuns do casal são 100% de propriedade de ambos. Só se dividirá o patrimônio do casal nos casos de falecimento, dissolução da sociedade conjugal (divórcio) ou alteração do regime matrimonial.

A única exceção à regra é a hipótese de que o regime escolhido seja o de separação total de bens. Nesse caso, cada um dos cônjuges deverá reportar sua participação na compra da casa ou apartamento nas medidas e proporções dos pagamentos efetuados por cada um.

Caso não seja esse o regime adotado em seu casamento, a Receita Federal determina que todos os bens comuns do casal sejam reportados na declaração de apenas um dos cônjuges. Dessa forma, vocês evitam o conflito entre o patrimônio adquirido com os rendimentos de ambos e as informações individuais incluídas por vocês em cada declaração.

Assim, o imóvel deve ser incluído na ficha "Bens e Direitos" da declaração, com o código "11 - Apartamentos" ou "12 - Casas". No campo "Discriminação", você irá incluir a descrição do imóvel e os detalhes sobre a compra, como nome e CPF do vendedor e forma de pagamento (se foi comprado à vista ou financiado).

Na coluna "Situação em 31/12/2014" o valor a ser informado será “0,00” e "Situação em 31/12/2015", deve ser incluído o valor total pago pelo imóvel até a data, incluindo o pagamento do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), se houver, além de juros do financiamento e a taxa de corretagem pagos na compra da unidade.

Lembrando que os valores efetivamente pagos deverão ser incluídos no campo “Situação em 31/12/(ano)” e o valor total da unidade adquirida, caso tenha sido financiada, deverá ser informada apenas na descrição do bem.

Assim, se a compra for feita por financiamento, informe na discriminação: O imóvel foi comprado por "X" reais, sendo "X" de entrada, "X" com recursos do FGTS e "X" pagos por meio de financiamento com o banco "X"; o valor total pago no financiamento em 2015 foi de "X" reais.

 *Rodrigo Paixão e Thiago Mirales são sócios da Atlas Tax Consulting, empresa especializada em assessoria e consultoria jurídica, fiscal e tributária.

Rolling Stones levam meio milhão a show histórico em Havana

Fã segura foto de Ernesto "Che" Guevara com o símbolo da banda britânica Rolling Stones antes de seu show gratuito na Ciudad Deportiva de la Habana, complexo desportivo em Havana

A banda de rock britânica Rolling Stones arrastou mais de meio milhão de pessoas para o concerto dessa sexta-feira (25) à noite em Havana. O concerto, gratuito e sem precedentes em Cuba, levou ao complexo Ciudad Deportiva, que tem capacidade para 450 mil pessoas e ficou lotado, uma multidão onde havia moradores locais e turistas de várias faixas etárias.

Na apresentação, o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, disse que os "tempos estão mudando". "Sabemos que há alguns anos era difícil ouvir a nossa música em Cuba, mas aqui estamos nós", afirmou Mick Jagger, em espanhol.

Horas antes do início do concerto, três quartos do local já estavam cheios. Milhares de pessoas não conseguiram entrar, mas ficaram de fora vibrando com o espetáculo, perfeitamente audível nas redondezas e até visível de determinados pontos. Muitas pessoas assistiram ao show em cima de telhados, de onde podiam ver o concerto.

"Estou aqui desde as 8h porque este concerto é histórico, vai marcar a história mundial, não apenas Cuba", disse à AFP Meiden Betsy, um estudante cubano, num dos vários relatos entusiasmados e emocionados que a agência recolheu no local. "Nunca imaginei que poderia vê-los aqui um dia, nunca mesmo", afirmou o jardineiro Alexander Chacon.

O engenheiro Miguel Garcia, de 62 anos, disse à agência, ainda antes de o concerto começar, que sabia que se ia emocionar e chorar durante o espetáculo.

A banda britânica se apresentou em Cuba três dias depois da visita histórica a Havana do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O concerto foi incluído, de última hora, na turnê dos Rolling Stones na América Latina.

Um palco de 80 metros de comprimento foi instalado na Ciudad Deportiva, complexo inaugurado em 1959, antes da revolução cubana que acabou por banir o rock do país, uma vez que o regime de Fidel Castro o considerava uma expressão musical ligada ao imperialismo. Ao longo dos últimos 30 anos, o gênero tem sido gradualmente permitido.

Entra ruim, sai pior: veja a recuperação judicial na prática

Grupo Schahin

  O empresário José Pupin, maior produtor de algodão do Brasil, soube aproveitar como poucos o crédito farto que irrigou a economia nacional até o hoje longínquo ano de 2014. Em quatro anos, sua área plantada dobrou, até atingir quase 110 000 hectares — o equivalente à cidade do Rio de Janeiro.

Dando seus bens como garantia, Pupin tomou 1 bilhão de reais emprestados e viveu anos de ouro, desfilando por Mato Grosso num carro esportivo Maserati Gran Turismo avaliado em 600 000 reais. Demorou pouco mais de um ano para que a casa caísse. O preço do algodão baixou, os clientes frea­ram, o juro subiu.

Em novembro do ano passado, o rei do algodão apelou para a recuperação judicial para evitar a falência. Em tese, seria um processo simples. Bastaria entregar os pedaços de terra aos credores, renegociar as dívidas e usar a geração de caixa das safras seguintes para pagar as prestações. Mas de simples o processo não tem nada.

Pupin lançou mão de uma brecha na lei brasileira que permite aos produtores rurais salvar os bens pessoais. A ideia da lei era proteger os pequenos agricultores. Às vésperas de entrar com o pedido de recuperação judicial, o rei do algodão se cadastrou como produtor rural. Seus bens garantiam 80% da dívida. Armou-se, então, uma confusão que foi parar no Superior Tribunal de Justiça e não tem data para acabar. 

Há atualmente no Brasil cerca de 2 500 empresas em recuperação judicial. No grupo, há companhias famosas e uma imensa maioria desconhecida, mas não menos importante. Empreiteiras como OAS e Mendes Júnior, varejistas como Luigi Bertolli e Barred’s, a viação Itapemirim, a fabricante de autopeças Mangels estão vivendo esse processo — que, por razões óbvias, é típico de crises como a que o país vive.

O número de novos casos foi recorde em 2015 e já cresceu 116% neste ano. A lei de recuperação judicial foi editada há 11 anos para criar um processo organizado que preserve as empresas em crise e permita a seus controladores renegociar dívidas sem risco de entrar em falência.

Cabe a um juiz supostamente especializado liderar o processo: os empresários, normalmente, são afastados da gestão, um novo administrador é definido pela Justiça, as decisões têm de ser aprovadas pela maioria dos credores e os ativos e as garantias dados pela empresa ficam resguardados.

A promessa é de racionalidade. Na teoria, é ótimo. Mas um olhar mais aprofundado sobre a “recuperação judicial como ela é” mostra uma realidade bem distinta. Os casos de sucesso são pouquíssimos — esti­ma-se que apenas uma em cada 100 empresas saia viva e saudável de uma recuperação judicial. E as histórias de brigas, rolos e fraudes são muito mais comuns do que se suspeita.

É no mínimo inusitado que, com um Poder Judiciário tão caótico quanto o brasileiro, investidores e empresários tivessem alguma esperança de que um processo complexo como uma recuperação judicial fosse ordeiro. Os buracos na lei e as chicanas jurídicas disponíveis são fartos. A lei diz que o processo deve demorar dois anos e que apenas um plano pode ser aprovado.

A empresa de energia Infinity Bio-Energy, que fatura 600 milhões e deve 1,5 bilhão de reais, está tentando emplacar o terceiro plano de recuperação desde 2009. Um dos credores questionou a decisão do administrador judicial de arrendar uma das usinas a um foragido da Justiça por assassinato (e que, portanto, não deve aparecer para pagar as contas), mas o juiz não viu problema.

A geradora de energia Tonon, que deve quase 3 bilhões de reais, conseguiu autorização judicial para usar garantias que estavam protegidas em depósito. A empresa alegou ser um bem perecível, por se tratar de cana. Os credores pediram uma liminar para bloquear os gastos.

A soberania das decisões dos credores em assembleia também vem sendo questionada por alguns empresários e administradores, criando mais insegurança no processo. Na recuperação judicial do grupo de construção Schahin, a maioria dos bancos e investidores votou contra o plano e a favor da falência.

Mas os acionistas estão recorrendo ao juiz para invalidar os votos dos credores, já que há casos precedentes. Outras canetadas dos juízes não fazem nenhum sentido econômico, mas dificultam o andamento do processo: a recuperação da mineradora Mineração Caraíba corre sob sigilo, e os credores precisam ir a Jaguarari, no interior da Bahia, para tirar cópias do processo e acompanhar as decisões.

De acordo com credores ouvidos por EXAME,­ os casos mais complexos são aqueles em que é quase impossível dizer onde está o dinheiro da empresa ou de seus donos. Paulo Fachin, dono da produtora e comercializadora de soja e milho Ceagro, que fatura 800 milhões de reais, levantou 1,5 bilhão com grandes bancos.

A garantia era uma série de contratos de venda de soja — os investidores ficavam com os pagamentos da venda em garantia e, em caso de inadimplência ou rompimento dos contratos, ficavam com a soja. Parecia uma garantia reforçada.

Mas não existia tanta soja assim — em julho de 2015, os compradores não receberam as encomendas e, claro, não pagaram as faturas. Os credores alegam, desde então, que a soma de ativos da Ceagro é menor do que os financiamentos que a empresa tomou, e os bancos agora querem saber onde foi parar o dinheiro que emprestaram.

O banco Indusval chegou a gastar alguns milhares de dólares numa investigação para desvendar se o dono mandou dinheiro para o exterior — mas, por enquanto, só encontrou uma conta nos Estados Unidos com 40 000 dólares (o banco nega a investigação). Em outros dois casos, da varejista Gep, dona da marca Luigi Bertolli, e do grupo JJ Martins, dono da rede de concessionárias carioca Barrafor, os empresários juntaram várias empresas no mesmo bolo da recuperação judicial com a intenção de proteger o máximo de bens possível.

Os grupos dizem que caixa e dívida das empresas se misturam, mas os credores questionam como eles escolheram as empresas que ficaram dentro e fora da recuperação — quem emprestou para a subsidiá­ria que tem operação rentável, por exemplo, não gostou. Uma consequência prática da inclusão de empresas saudáveis na recuperação judicial é impedir que seus bens sejam transferidos a credores de outras companhias do mesmo grupo.

Para os bancos, o caos de processos de recuperação judicial cria um enorme problema. O sistema bancário brasileiro é altamente concentrado — o que faz com que os grandes bancos sejam credores em quase todas as recuperações judiciais. Só o Banco do Brasil é credor em cerca de 2 000 processos.

O problema não é só o prejuízo gerado pelo deságio da dívida, mas os efeitos sobre sua capacidade de conceder crédito. Pelas regras do Banco Central, as dívidas de empresas em recuperação judicial precisam ser integralmente provisionadas, o que piora os índices de inadimplência do banco.

Muitas empresas só conseguirão sair do sufoco se tiverem acesso a novos empréstimos, mas estes também precisam ser provisionados do mesmo jeito. O banco, naturalmente, teme fazer novos financiamentos para ajudar a viabilizar um plano de recuperação, já que corre o risco de jogar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim.

Solução privada

Nos Estados Unidos, é comum que investidores especializados aproveitem esse espaço para emprestar dinheiro a quem é visto como radioativo pelos bancos. Mas, no Brasil, o vaivém de juí­zes e credores atrapalha bastante.

O medo de brigas é tão grande que, até hoje, apenas a petroleira OGX e a empreiteira OAS recorreram ao financiamento conhecido como “dip” (do inglês debtor in possession), em que o novo credor tem preferência em relação aos demais. Nos dois casos, parte dos credores tentou barrar na Justiça esse direito.

A OGX parou de produzir petróleo em março e hoje é uma empresa inoperante. Na OAS, a briga também foi em vão, já que, depois que a empresa conseguiu a aprovação do financiamento na Justiça, a canadense Brookfield, que daria o financiamento, desistiu do negócio. Não surpreende, portanto, que muitos credores estejam fugindo da recuperação judicial sempre que podem.

Hoje, empresas com dívidas somadas de mais de 100 bilhões de reais estão adotando o que se chama de “rees­truturação privada”. O devedor chama meia dúzia de bancos à mesa e discute um plano de reestruturação, sem que os credores tenham de alardear as perdas em seus balanços.

Mas, de novo, parece mais simples na teoria do que é na prática — só funciona se os resultados da empresa melhorarem, o que não tem sido muito fácil numa recessão como a atual. Se isso não acontece, a única saída é a recuperação judicial. E, aí, seja o que Deus quiser.

Moro manda soltar 9 presos da 26ª fase da Lava Jato

O juiz Sérgio Moro

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, decidiu pela liberação de nove presos temporários da  26ª fase da Operação Lava Jato, identificada como Operação Xepa. As prisões foram efetuadas no dia 22 de março. O prazo para o cumprimento vence hoje (26). Em depacho, Moro diz que não é o caso de prorrogação das prisões e determina a expedição dos alváras de soltura.

Sérgio Moro, no entanto, determinou também que nenhum deles poderá deixar o país durante as investigações e que devem entregar os passaportes no prazo de três dias. "Diante dos indícios de que executivos do Grupo Odebrecht foram deslocados para o exterior durante as investigações, nele obtendo refúgio, imponho como medida cautelar alternativa à prisão a proibição de que os os investigados ora soltos deixem o país", diz o despacho.

As nove pessoas presas temporariamente são investigadas por crimes que envolvem fraudes documentais. A prisão foi decidida, segundo despacho feito na época porque existia risco de ocultação, destruição e falsificação de provas. O juiz também justificou a prisão na garantia de que essas pessoas seriam ouvidas separadamente pela autoridade policial, “sem que recebam influências indevidas uns dos outros”.

Planilhas

No despacho desta sexta-feira, Moro diz ainda que vai mandar ao Supremo Tribunal Federal (STF) as planilhas apreendidadas na residência do executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que  identificam pagamentos a cerca de 200 políticos. A lista contém nomes de autoridades com foro privilegiado.

Moro pondera que é prematura qualquer conclusão quanto à natureza dos pagamentos, se ilícitos ou não. Trecho do despacho diz: "os pagamentos retratados nas planilhas da residência do executivo Benedi­cto Barbosa podem retratar doações eleit­orais lícitas ou mesmo pagamentos que não tenham se efetivado". Diz, por fim: "a cautela recomenda, porém, que a questão seja submetida desde logo ao Egrégio Supremo Tribunal Federal".

Foram presos temporariamente:

- Alvaro José Galliez Novis

- Antônio Claudio Albernaz Cordeiro

- Antônio Pessoa de Souza Couto

- Isaias Ubiraci Chaves Santos

- João Alberto Lovera

- Paul Elie Altit

- Roberto Prisco Paraíso Ramos

- Rodrigo Costa Melo

- Sergio Luiz Neves

Conheça o data center do Google em que empregados não entram

Google no currículo

 Vestir o crachá do Google não dá acesso a um dos corações da empresa, em Oregon, nos Estados Unidos.

O Data Center da empresa, que fica em The Dalles, conta com proteção contra eventuais quedas no sistema 24 horas por dia e uma equipe de plantão para resolver qualquer problema que surja. 

A maioria dos funcionários do Google não tem acesso ao local. Para entrar no centro de infraestrutura de dados, repleto de andares e mais andares de servidores, há um rígido controle que inclui checagem dupla de dados biométricos por meio da íris do visitante e um círculo de bloqueio, que só permite a entrada de uma pessoa por vez.

No entanto, já possível conhecer o local por meio de um tour virtual 360º, disponível em resolução de 4K no Google Cardboard, YouTube Mobile e Chrome. O vídeo foi liberado esta semana pelo Google e já tem 252 mil views, confira:

Prefeito de Maracás deixa PT e confirma filiação ao PSL

Prefeito de Maracás deixa PT e confirma filiação ao PSL 

O prefeito de Maracás, Paulo dos Anjos, deixou oficialmente o PT e ingressou no Partido Social Liberal. A mudança teria ocorrido após visita do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, presidente estadual do PSL. Paulo dos Anjos decidiu sair do PT por causa de desavenças com o diretório local da sigla – que ao invés de apoiar sua reeleição neste ano, tentaria emplacar como candidato o ex-prefeito Nelson Portela. A ruptura entre Portela e dos Anjos, que são primos, não seria novidade para os políticos da região. Além da falta de apoio do diretório municipal, Paulo deve enfrentar outro entrave em sua candidatura nas eleições de outubro: Nelson deve contar com o apoio do governador Rui Costa, de quem é amigo pessoal


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