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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Governo libera R$ 27,5 milhões para pesquisas sobre zika

Mosquito Aedes aegypti, transmissor do Zika vírua

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vão investir R$ 234 milhões em pesquisas nas áreas de ciência e tecnologia, incluindo estudos sobre o vírus zika.
O ministro Gilberto Kassab assinou hoje (19) na sede da Finep, no Rio de Janeiro, convênios referentes a três editais lançados em 2016. Ele ressaltou que, apesar da grave crise financeira, o financiamento em pesquisas será prioridade em 2017.
“Nenhum país na história da humanidade conseguiu ser bem sucedido na superação [das dificuldades] sem investir em pesquisa, ciência e inovação”, disse ele.
“Precisamos de uma mobilização muito importante, pois a partir de agora, com a famosa Lei do Teto dos Gastos, as corporações que não se mobilizarem terão muita dificuldade para conseguir recursos para os seus projetos”, afirmou o ministro.
O presidente da Finep, Marcos Cintra, declarou que, mesmo em tempos de crise, áreas estratégicas, como a de Ciência e Tecnologia, não podem ficar sem investimentos.
“Há cortes de gastos de outros setores onde temos reprodução de capital, paralisa-se o investimento, retoma-se dois ou três anos depois, recoloca-se a situação como se desejaria. Na área da Ciência e Tecnologia, o conhecimento é aditivo, extremamente dinâmico. Qualquer paralisação nas nossas atividades nos colocará, em termos de distanciamento da fronteira de conhecimento, em situações que dificilmente poderão ser recuperadas no curto prazo”, disse ele.
“Nenhum país vai conseguir estar entre os primeiros em termos de desenvolvimento econômico e oferecer condições dignas de vida à sua população se não der uma atenção muito especial à área a qual todos nós nos dedicamos”, acrescentou.
Para as pesquisas voltadas para o combate ao Zika, as chamadas públicas somam R$ 27,5 milhões. Cinco convênios no valor de R$ 4,6 milhões foram assinados com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e seus institutos.

Diagnóstico precoce

Entre os projetos selecionados estão iniciativas de aperfeiçoamento de tecnologias para exame de imagens de diagnóstico precoce de alterações neurológicas, aprimoramento de tecnologias de criação de inseto estéril, de linhagens de mosquitos geneticamente modificados e desenvolvimento de vacinas.
A Finep vai oferecer apoio institucional, incluindo despesas correntes, como material de consumo, softwares, instalação, recuperação e manutenção de equipamentos, além de despesas de capital, operacionais e administrativas e bolsas.
O segundo edital – de R$193 milhões – foi destinado a laboratórios multiusuários dos institutos vinculados ao MCTIC, para aquisição e manutenção de equipamentos e contratação de pessoal qualificado para a operacionalização destes equipamentos.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Observatório Nacional são alguns dos institutos que receberão recursos.
A chamada de apoio institucional, somando R$14,3 milhões, destina-se ao desenvolvimento de áreas estratégicas de pesquisa científica e tecnológica. Serão beneficiadas as Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Desembargador que anulou júris do Carandiru será investigado

Ivan Sartori, desembargador do caso do massacre do Carandiru

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu investigação “para aferir eventual violação de deveres funcionais” pelo desembargador Ivan Sartori, do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Trinta entidades de direitos humanos, imprensa e pesquisa em Segurança Pública acionaram o órgão diante do posicionamento do magistrado no julgamento que resultou na anulação de júris de 74 policiais militares envolvidos com o Massacre do Carandiru, em setembro deste ano.
O corregedor nacional, João Otávio de Noronha, negou, no entanto, pedido de afastamento de Sartori da Corte.
Entidades como ONG Conectas, Fórum Brasileiro de Segurança, Instituto Sou da Paz e Associação Brasileira de Imprensa (ABI) alegaram, em outubro, que o magistrado violou o direito à fundamentação das decisões judiciais ao agir com suposta parcialidade em benefício da Polícia Militar, invocando a tese de que o massacre teria sido fruto de legítima defesa, ocorrendo ainda excesso de prazo injustificado no julgamento das apelações.
Sustentaram ainda que, ao se manifestar nas redes sociais sobre o caso, ele teria violado o dever do decoro; ao pedir a absolvição dos PMs, o magistrado teria violado também o dever do Estado de apurar crimes contra os direitos humanos.
O corregedor do CNJ expôs na decisão que a permanência de Sartori no cargo “não acarreta nenhum risco ao processo ou ao direito das partes”.
“Sob essa ótica, a liminar de afastamento só há de ser deferida por esta Corregedoria em caráter excepcional, o que, a toda evidência, não é a hipótese”, reforçou Noronha ao negar o pedido de afastamento do desembargador.
O membro do conselho disse ser “recomendável” a apuração dos fatos alegados, “a fim de se aferir eventual violação dos deveres funcionais pelo requerido”.
Noronha deu a Sartori 15 dias para se manifestar sobre os fatos narrados na reclamação. O magistrado não apresentou resposta aos questionamentos da reportagem até às 18 horas desta segunda-feira, 19.
“Foi um episódio internacionalmente reconhecido como uma das maiores violações de direitos humanos no Brasil que não pode ser apontada com um simples caso de legítima defesa, como Sartori fez. A prova pericial demonstrou que a maior parte dos presos levou tiro nas costas, com sinais claros de execução. É uma tese distante da realidade”, disse o integrante da ONG Conectas Rafael Custódio.
Para ele, a decisão do magistrado na Corte foi seguida por uma “postura incompatível” com o cargo, quando ele realizou comentários na internet.
“Ele associou a atuação da imprensa e de órgãos de direitos humanos à vinculação com organizações criminosas”, acrescentou Custódio.
De acordo com o integrante da ONG, a abertura da investigação pode ser o primeiro passo para instauração de procedimento disciplinar, caso o corregedor enxergue indícios suficientes.
Repercussão
A 4ª Câmara Criminal anulou em 27 de setembro júris que haviam condenado 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no Massacre do Carandiru, na zona norte de São Paulo, em 1992.
O desembargador Sartori também votou pela absolvição dos agentes, tese que não foi acompanhada pelos colegas de Câmara. Os policiais deverão passar por um novo júri, em uma data ainda não definida.
Na semana passada, o Ministério Público apresentou recursos a instâncias superiores tentando reverter o resultado do julgamento.
Na avaliação do magistrado na oportunidade, que foi presidente do TJ-SP, os depoimentos presentes no processo – de policiais, juízes corregedores, outras autoridades e uma assistente social – afirmaram que a situação encontrada pelos policiais militares no pavilhão 9 do Carandiru era “alarmante” e havia necessidade de uma ação da Polícia Militar.
Sartori expôs a convicção de que os acusados agiram em legítima defesa.
“Merece exame mais acurado, então, a alegação acusatória de que os réus tinham a intenção de praticar um massacre, mormente diante da necessidade inegável de restabelecer a ordem no local”, escreveu em seu voto.
Uma semana depois, o desembargador criticou a cobertura dos jornais sobre o caso em seu perfil no Facebook e insinuou que parte da imprensa e das organizações de direitos humanos é financiada pelo crime organizado.
“Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandirú [sic], fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos. Note-se que o voto (decisão) foi mandado para os órgãos de imprensa e ninguém se dignou a comentá-lo em sua inteireza. Estão lá todas as explicações da anulação e tese da absolvição”, afirmou Sartori na oportunidade

“Esse governo vai bater com a cara no muro”, diz Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann no plenário do Senado 17/11

Senadora petista afirmou que Meirelles não se preocupa com o povo, porque já está com o peru de natal garantido.

 A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) não acredita que o presidente Michel Temer (PMDB) conseguirá se sustentar por muito mais tempo à frente do Palácio do Planalto. A petista disse em entrevista a EXAME.com que “esse governo vai bater com a cara no muro e não chegará nem a virar a esquina”.

“Não tem condições de Temer seguir adiante. Ainda mais, com as medidas econômicas que acabou de lançar. Impossível”, falou a parlamentar. “Com delação envolvendo seu nome e de seus principais aliados, pior ainda. A saída seria a convocação de eleições diretas, mas como eles não vão aceitar, eu temo muito que a gente tenha uma intervenção nesse país.”
Irritada com a derrota da oposição diante da aprovação da PEC do Teto de gastos públicos no Senado, a petista classificou as medidas econômicas anunciadas pelo governo na quinta-feira (15) como “de quinta categoria”.
“Algumas delas são boas, mas não vão ter efeitos para o crescimento da economia. São medidas que colocam crédito à disposição de empresas e pessoas, mas não se preocupam com a questão da demanda. Você acha que as empresas que conseguirem resolver os seus problemas de endividamento e tiverem crédito, vão começar a investir numa economia que está cada vez mais falida? É muito difícil. É preciso estímulo para atrair investimentos. Quem pode investir agora é o Estado. São medidas contraproducentes. Por isso, são de quinta categoria. Elas vão contra os trabalhadores e contra a retomada do crescimento econômico”, disse a senadora.
Para ela, esse era o momento de o governo colocar mais dinheiro na mão dos mais pobres, aumentando Bolsa Família, parcelas do seguro-desemprego e salário mínimo, por exemplo. Indagada  se há dinheiro para isso, Hoffmann sugeriu que o governo aumente um pouco mais a dívida. “Estamos numa trajetória decrescente da nossa dívida pública. Qual é o problema de se aumentar um pouco a dívida e fazer medidas autênticas de estímulo à economia?”
Gleisi disse que a combinação da PEC do Teto com o novo pacote de medidas econômicas resultará na “desgraça total do país”. “A PEC do Teto vai tirar recursos no médio e no longo prazo de programas sociais e de investimentos. Já as medidas econômicas vão tentar dar crédito e melhorar a performance de empresas e de pessoas, mas não vai cuidar da demanda. Não vai colocar dinheiro na economia”, afirmou Hoffmann.
Crítica do atual governo, a petista lamentou o fato de não ter conseguido emplacar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado o projeto que limita o spread bancário. “Por que temos juros de 480% no cartão de crédito se a taxa Selic é de 14%? Vai ganhar assim em outro canto, né”, afirmou.
“Em vez de se preocupar com o povo, o governo decide estabelecer medidas que prejudicam a população. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, só tem preocupação com o longo prazo, porque o peru da ceia de natal dele já está garantido.”

Moro aceita denúncia, e Lula vira réu pela 5ª vez

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Denúncia envolve a compra de terreno para a construção da sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista em São Bernardo do Campo.

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, aceitou denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 19. Agora, Lula se torna réu pela quinta vez em ações penais nas Operações Lava Jato, Zelotes e Janus.
Também viraram réus nesta ação o empresário Marcelo Odebrecht, acusado da prática dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Antonio Palocci e Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e Marisa Letícia Lula da Silva, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.
Lula é apontado como o responsável por comandar “uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal”.
A denúncia aponta que o esquema foi instalado nas mais importantes diretorias da Petrobras, mediante a nomeação de Paulo Roberto Costa e Renato Duque para as diretorias de Abastecimento e Serviços da estatal, respectivamente.
Por meio do esquema, diz a denúncia, estes diretores geravam recursos que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, de agentes políticos e das próprias agremiações que participavam do loteamento dos cargos públicos, bem como para campanhas eleitorais movidas por dinheiro criminoso.
Nesta denúncia, a propina, equivalente a percentuais de 2% a 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobras e a Construtora Norberto Odebrecht S/A, totaliza R$ 75.434.399,44.
Este valor foi repassado a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro.
Parte do valor das propinas pagas pela Construtora Norberto Odebrecht S/A foi supostamente lavada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do imóvel localizado na Rua Dr.
Haberbeck Brandão, nº 178, em São Paulo (SP), em setembro de 2010, que seria usado para a instalação do Instituto Lula. O acerto do pagamento da propina destinada ao ex-presidente foi intermediado pelo então deputado federal Antonio Palocci, com o auxílio de seu assessor parlamentar Branislav Kontic, que mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht, auxiliado por Paulo Melo, a respeito da instalação do espaço institucional pretendido pelo ex-presidente.
A compra desse imóvel foi realizada em nome da DAG Construtora Ltda., mas com recursos comprovadamente originados da Construtora Norberto Odebrecht, em transação que também contou com a interposição de Glaucos da Costamarques, parente de José Carlos Costa Marques Bumlai, sob a orientação de Roberto Teixeira, que teria atuado como operador da lavagem de dinheiro.
O valor total de vantagens ilícitas empregadas na compra e manutenção do imóvel, até setembro de 2012, chegou a R$ 12.422.000,00, como demonstraram anotações feitas por Marcelo Odebrecht, planilhas apreendidas na sede da DAG Construtora Ltda. e dados obtidos em quebra de sigilo bancário, entre outros elementos.
Além disso, parte das propinas destinadas a Glaucos da Costamarques por sua atuação na compra do terreno para o Instituto Lula foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo de Campo (SP).
De fato, R$ 504.000,00 foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente.
A nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques, que atuou como testa de ferro de Luiz Inácio Lula da Silva, em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro.
Na tentativa de dissimular a real propriedade do apartamento, Marisa Letícia Lula da Silva chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques, datado de fevereiro de 2011, mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015.
Ao todo, Lula é alvo de cinco denúncias: duas da Lava Jato, no Paraná, uma na Operação Zelotes, uma na Operação Janus e uma no âmbito da Lava Jato, em Brasília.

Odebrecht delata caixa 2 para a chapa Dilma-Temer

Michel Temer e Dilma Rousseff
 A chapa da presidente cassada Dilma Rousseff e do presidente Michel Temer recebeu dinheiro de caixa 2 da Odebrecht na campanha de 2014, segundo delação da empreiteira à força-tarefa da Lava Jato. Os relatos, já documentados por escrito e gravados em vídeo, foram feitos na semana passada durante os depoimentos de executivos ao Ministério Público Federal.
Em pelo menos um depoimento, a Odebrecht descreve uma doação ilegal de cerca de R$ 30 milhões paga no Brasil – para a coligação “Com a Força do Povo”, que reelegeu Dilma e Temer em outubro de 2014. O valor representa cerca de 10% do total arrecadado oficialmente pela campanha.
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que durante os depoimentos de delação premiada, os procuradores se consultavam por meio de um grupo de WhatsApp para trocar informações.
Justiça eleitoral
O relato da Odebrecht deve ter repercussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apura abuso de poder político e econômico na campanha.
A fase de instrução na Corte ainda não foi concluída, o que permite que uma das partes ou o Ministério Público peçam o compartilhamento do material da Lava Jato ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, após a homologação das delações.
Ao TSE, até agora, nenhum das 37 pessoas que prestaram depoimento na ação que investiga a chapa relatou pagamento de caixa 2 diretamente para a campanha Dilma-Temer. Por essa razão, a importância dos depoimentos da Odebrecht.
Uma possível explicação é que, na disputa presidencial de 2014, várias empreiteiras já tinham sido alvo da Lava Jato. A 7.ª fase, deflagrada em novembro daquele ano, prendeu 17 executivos. Não era o caso da Odebrecht. Marcelo, então presidente do grupo, só foi preso em junho de 2015.
Neste período, a Odebrecht ainda desafiava os investigadores, primeira explicação encontrada na Lava Jato para o fato de a empresa supostamente ter recorrido ao caixa 2 em meio às investigações.
A segunda é a de que o dinheiro para a chapa Dilma-Temer seria uma forma de tentar se blindar das investigações, comprando ainda mais apoio político. “Era a única empreiteira que “estava em condições” de fazer contribuições ilícitas”, afirma um dos envolvidos.
Mais um caso
Outra delação premiada em negociação também deve citar caixa 2 para a chapa Dilma-Temer. O casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura já sinalizou que vai relatar pagamento de recursos não contabilizados em 2014, envolvendo a Odebrecht.
Um documento da Polícia Federal, revelado pela revista Época, em março, mostrou que Santana recebeu R$ 21,5 milhões da Odebrecht após o pleito de 2014, no Brasil.
A reportagem apurou que a proposta de delação da publicitária, que cuidava ao lado do marido das campanhas do PT, ainda estaria em negociação.
Defesas
O advogado Gustavo Guedes, que defende Temer no processo do TSE, disse que “desconhece absolutamente o assunto” e só vai se manifestar quando as delações forem homologadas. “É difícil comentar delação em tese”, afirmou.
Sobre depoimentos de delatores da Odebrecht serem compartilhados no processo que tramita no TSE, ele afirma que tem dúvidas sobre a possibilidade jurídica de isso ocorrer, uma vez que seria agregar novos fatos ao inquérito.
Defensor da presidente cassada Dilma Rousseff no caso, Flávio Caetano disse que quem responde pelas doações para a campanha de 2014 é o ex-tesoureiro Edinho Silva.
A reportagem tentou contato com Edinho, mas ele não ligou de volta. Em depoimento ao TSE, em novembro, ele disse que a Odebrecht foi a única empreiteira que repassou dinheiro via diretório do PT. As demais não utilizaram a triangulação e depositaram diretamente na conta da chapa.
A Odebrecht diz, em nota, que não comenta as delações, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça.

O que esperar do cenário político do Brasil em 2017


Não descarte a hipótese de eleição indireta

Quem diz:  Marcelo Issa, sócio-diretor da Pulso Público
Certamente, haverá ainda muita turbulência. A permanecerem as recentes e recorrentes divergências entre as instituições, em especial entre os poderes Legislativo e Judiciário, pode-se até mesmo vir a se estabelecer uma efetiva crise institucional. As perspectivas decorrentes dos conteúdos das delações premiadas que devem emergir em 2017 agravam e reforçam essa possibilidade. Esses conteúdos devem provocar também a substituição de uma quantidade expressiva de ministros ainda nos primeiros meses do ano.
Caso a conjuntura da economia não apresente sinais de recuperação, o setor produtivo pode vir a retirar o apoio às equipe econômica do governo Temer. Ademais, a proliferação de denúncias de corrupção contra o presidente e seus ministros devem intensificar a oposição da opinião pública à permanência do governo e pode fazer aumentar a frequência de manifestações nas ruas.
Nesse contexto, a fragilização do governo, a piora do cenário econômico e a insatisfação popular podem atingir tamanha intensidade que, embora resistente à renúncia, em função da proteção que o cargo oferece contra o processamento por crimes cometidos antes do mandato, o presidente pode ver-se constrangido a realizá-la.

Não se pode descartar, portanto, a hipótese de eleição indireta para presidente no próximo ano nem tampouco, embora mais improvável, o chamamento de eleição direta pelo Congresso para chefia do Executivo por meio de emenda constitucional. Por outro lado, entende-se que a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Poder Judiciário em caráter definitivo é variável verossímil apenas em caso de agravamento  substancial da crise econômica e que, de qualquer modo, não teria resolução provável em 2017.

Saudade do tempo em que pedalada era “crime de responsabilidade”

Quem diz: Carlos Ranulfo Melo, professor titular do Departamento de Ciência Política da UFMG
A essa altura tornou-se evidente que o afastamento de Dilma não foi o remédio para nossos males. O episódio contribuiu, é certo, para recompor as relações entre Executivo e Legislativo, mas seu impacto foi nulo se considerarmos a crise econômica, o fosso aberto entre a sociedade e o mundo político, e as tensões provocadas pela Lava Jato.
Na economia, as previsões otimistas foram abandonadas. O Congresso aprofundou seu desgaste. E o Supremo, ao relevar a afronta de Renan em nome da “governabilidade”, acabou também pagando o seu preço.
Pior ainda, o presidente da República foi envolvido, juntamente com seus braços direito e esquerdo, e todo o núcleo dirigente do PMDB, no caixa 2 e propinoduto da Odebrecht – pelo seu impacto, a delação vazada deixa saudade do tempo em que pedalada fiscal foi batizada de “crime de responsabilidade”.
Se antes do vazamento a rejeição ao governo havia subido, pode-se imaginar o que vem por aí. De um lado, a turma de verde e amarelo vai ficando sem ter para onde correr. De outro, aqueles que mais dependem do Estado e sua rede de proteção social vão começando a perceber, ao somar a PEC 55 e a proposta de reforma da Previdência, que a conta da austeridade lhes será enviada.

Pergunta óbvia: com que legitimidade políticos envolvidos em tenebrosas transações dirão ao cidadão que ele terá que trabalhar, se houver emprego, e contribuir muito mais para garantir sua aposentadoria?
A crise não vai passar em 2017. Nem sequer sabemos quanto irá durar o governo. Isso vai depender da Lava Jato e dos humores da sociedade, para não falar do TSE. Por isso já se ouve dizer que ruim sem Temer, pior sem ele. Mas se sobreviver, o governo será fraco. Mais ainda, será uma farsa.

2017: um ano decisivo para alianças políticas

Quem diz: Antônio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília (UnB)
Tudo indica que 2017 será um ano difícil para o cenário político do Brasil. Como os indicadores mostram que a economia não está reagindo e que o nível de recessão é profundo, a insatisfação social e dos servidores públicos deve aumentar no próximo ano.
Politicamente falando, o governo federal tende a enfraquecer por ter uma base de sustentação frágil, mesmo com maioria no Congresso. Além disso, é importante frisar que as delações dos executivos da Odebrecht e o avanço nas investigações da Operação Lava Jato devem amplificar a turbulência no mundo político e é possível que o governo de Michel Temer não se sustente. Muita gente ainda será presa e condenada.

O fato é que 2017 será um ano decisivo para se estabelecer alianças políticas. Nesse contexto, é possível prever a chegada de novos candidatos no estilo da ex-ministra Marina Silva, pretensos ao estilo “salvador da pátria”. Ainda assim, a situação estará muito indefinida e teremos sérias crises pela frente.

A base aliada do governo será posta à prova já em fevereiro

Quem diz: Thiago Vidal, consultor da Prospectiva
Os grandes destaques de 2017 serão as eleições para a presidência das duas casas do Congresso, que ocorrerão em fevereiro. No Senado, a disputa parece caminhar para um consenso em torno do senador Eunício Oliveira (PMDB/CE), líder do partido e braço direito de (PMDB/AL).
A eleição na Câmara, por sua vez, colocará à prova a capacidade do governo de manter sua base coesa. Quatro parlamentares despontam como favoritos: (PTB/GO), um dos principais expoentes do “centrão” e relator do impeachment de Dilma Rousseff; Rogério Rosso (PSD/DF), líder do partido na Câmara; Marcos Montes (PSD/MG), correligionário de Rosso e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); e Rodrigo Maia (DEM/RJ), atual presidente e nome preferido do Palácio do Planalto.
Ainda que parte dos nomes abandonem a disputa, a fragmentação da base governista a dois meses do pleito evidencia as dificuldades que Michel Temer deve enfrentar. Para evitar uma cisão ainda maior entre seus aliados, é possível que o presidente aloque insatisfeitos do “centrão” e dos partidos tradicionais (PMDB, DEM, PSDB, PPS, PSB) em cargos ministeriais, como já fez ao convidar o deputado Antonio Imbassahy (PSDB/BA) para a secretaria de Governo, no lugar de Geddel Vieira Lima (PMDB/BA).
A acomodação de forças não será fácil e caso não consiga estabilizar sua base aliada, Temer deve atravessar 2017 com turbulências políticas. O maior impacto, neste caso, tende a ser a votação da reforma da previdência.

Alguns fatores agravam esse cenário. A delação premiada dos executivos da Odebrecht, por exemplo, deve envolver onze ministros, além de cem congressistas, muitos dos quais aliados importantes do Executivo. O desgaste político de Temer somado a sua baixa popularidade e ao pessimismo em relação à economia pode levar o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] a cassar o mandato do presidente, provocando eleições indiretas, o que ainda não ocorreu por causa da acentuação da crise política que isso geraria.

Prepare-se para fatos que não estão no radar

Quem diz: Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice
Vai ser um ano truculento. A Lava Jato não vai parar. Podemos esperar a queda de ministros e situações bem constrangedoras para o governo Temer. Mas, de forma geral, a tendência predominante é de que Temer termine o mandato.
Temer não irá recuperar sua popularidade no ano que vem, mas isso não significa que ele irá perder o controle de seu mandato. O principal risco para a governabilidade continua sendo a Lava Jato e as ruas.
Eu acredito que vai ser um ano muito tenso politicamente. Vão existir muitos problemas que não estão no radar de ninguém, como a questão o Marcelo Calero e do Geddel. Ninguém esperava.
No primeiro semestre, a delação da Odebrecht vai produzir poucos fatos, mas muitos rumores que deixarão a situação muito intranquila.
A Reforma da Previdência não vai ser uma vitória tranquila como foi a PEC do Teto. Ela vai provavelmente sofrer mudanças, principalmente na Câmara. No Senado, tende a ter uma tramitação mais tranquila. Já a reforma política não deve trazer grandes mudanças. Afinal, reforma política é que nem carnaval: tem todo ano.

Os 6 aplicativos mais legais que testamos nesta semana – 17/12

Homem segurando smartphone e tomando café

Veja os melhores apps para smartphones e tablets que testamos ao longo desta semana.

O aplicativo de destaque desta semana é o Super Mario Run. O jogo é a primeira real investida da Nintendo nos smartphones. Mesmo sendo pago, ele oferece algumas fases de jogo gratuitas. Fora ele, separamos e testamos mais cinco aplicativos para Android e iPhone.

Super Mario Run

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Super Mario Run é a estreia do encanador mais famoso do mundo nos smartphones. Por enquanto exclusivo para iPhones, o jogo funciona de forma parecida com outros já famosos, como Temple Run. No entanto, ele foi projetado para ser simples e oferecer a milhões de pessoas o primeiro contato com games para celular. Por isso, ele é muito simples e pode ser facilmente jogado com apenas uma das mãos. O Mario chega até mesmo a desviar sozinho de obstáculos e de inimigos, exceto das plantas carnívoras. Você pode jogar no modo Mundos, com opções de fases ou no modo corrida, no qual você compete com “fantasmas” (ghost player) de outros jogadores que você desafia. Fora isso, é preciso pagar 9,99 dólares para ter acesso ao game completo.

Uber Eats

Telas do aplicativo Uber Eats
Grátis, em português, para Android e iPhone/iPad
Nesta semana, saiu no Brasil o Uber Eats. O aplicativo serve para quem quer pedir comida para ser entregue em casa. O aplicativo, que funciona apenas em São Paulo por ora, traz uma lista de restaurantes conhecidos da capital. Após o pedido, a comida é entregue por um motorista da Uber.

Kool

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Pago (3,99 dólares), em português, para iPhone/iPad

O Kool é um aplicativo de nicho. Ele serve para transcrever o que você fala. Apesar não lidar muito bem com pontuações, ele consegue entender razoavelmente o nosso idioma. Em algumas situações, você pode deixar de digitar e simplesmente ditar para o smartphone o que deseja ver em texto. Você pode editar o conteúdo para ajustar a pontuação e eventuais falhas de transcrição.
Zen
Telas do aplicativo Zen
Grátis, em português, para Android e iPhone/iPad
Zen é um app para quem quer meditar. Ele tem programas de áudio para diversos objetivos. Entre eles estão: dormir, despertar intuição, despertar alegria ou vencer o medo. Um ponto alto é que o app e seu conteúdo estão em português—algo não usual entre aplicativos desse tipo. O visual colorido e alegre é uma atração à parte dentro do aplicativo.

Anchor

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Grátis, em inglês, para Android e iPhone
O Anchor é um aplicativo peculiar. Talvez, a maneira mais simples de defini-lo seja compará-lo com o Twitter. As mensagens são curtas, mas o método de inserção não é o texto, e, sim, a voz. Com isso, o Anchor se apresenta como uma plataforma de compartilhamento de pequenos podcasts. Você pode gravar clipes de áudio de 2 minutos sobre qualquer assunto e compartilhá-los com os seus seguidores.

Justap

Tela do aplicativo Justap
Grátis, em português, para iPhone
O Justap é um app para quem precisa de apoio jurídico. Dentro, está uma variedade de teses já provadas para consumidores que estejam passando por problemas com prestadores de serviços, empresas, entre outros. Algumas das situações são como lidar com atraso ou alteração no horário de um voo ou o que fazer em atrasos na entrega de produtos comprados na internet. O conteúdo é dividido por áreas, o que facilita bastante a busca por cada situação

 

 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Projeto da Vale S11D obtém licença de operação do Ibama

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S11D é o maior projeto de minério de ferro da história da empresa e da indústria da mineração, e não terá necessidade de barragens de rejeitos.

inauguração do Complexo S11D Eliezer Batista 
Vale: acompanhe a transmissão ao vivo

Acompanhe a transmissão ao vivo da cerimônia de inauguração do Complexo S11D Eliezer Batista da Vale, em Canaã dos Carajás, sudeste do Pará. O evento conta com a presença do diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira, e outras lideranças.

   

A Vale recebeu licença de operação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para iniciar a exploração no projeto S11D, no Pará – "maior projeto de minério de ferro da história da empresa e da indústria da mineração", segundo a companhia. A previsão é que o empreendimento entre em operação comercial em janeiro de 2017.

A licença de operação é válida por 10 anos e inclui mina para extração de minério de ferro, usina de beneficiamento, acessos, pilhas de estéril, diques e demais estruturas auxiliares.
"A decisão ocorreu após a conclusão, no último dia 30/11, de parecer técnico que apontou não haver óbices à emissão da licença de operação", informou o Ibama. 

A licença estabelece o cumprimento de 16 condicionantes específicas pela empresa.
O projeto S11D não contempla barragens de rejeitos. Segundo o Ibama, o beneficiamento do minério ocorrerá sem a necessidade de adição de água, tornando desnecessário o estabelecimento de barragens de rejeitos. "Isso se deve à combinação da qualidade do minério a ser lavrado com a tecnologia de beneficiamento proposta durante a análise de viabilidade ambiental do empreendimento", informou o Ibama.

'Maior mina do mundo'

A mina está localizada em Canaã dos Carajás, no Sudeste do Pará. Está prevista a produção de até 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O empreendimento entrará em operação comercial em janeiro de 2017.
Em comunicado ao mercado, a Vale informou que o conjunto de mina e planta do projeto alcançou 96% de avanço físico em 30 de outubro de 2016 e os testes com carga estão progredindo com sucesso. "O start-up do S11D acontecerá em 2016 com o primeiro embarque comercial em janeiro de 2017", disse a empresa.
Os investimentos totais anunciados são de US$ 14,3 bilhões, sendo US$ 6,4 bi aplicados na implantação da mina e da usina e US$ 7,9 bi referentes à construção de um ramal ferroviário de 101 quilômetros, à expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e à ampliação do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA).
A estrutura da mina e da usina de processamento de minério de ferro conta com 3 linhas de produção - cada uma com capacidade de processamento de 30 milhões de toneladas/ano.
O empreendimento recebeu o nome S11D em razão da sua localização. Na Serra Norte, está a Mina de Carajás, em operação desde 1985, situada em Parauapebas, município vizinho a Canaã. Para fins geológicos, o S11D é apenas um bloco do corpo que foi dividido em quatro partes: A, B, C e D.
A vida útil da mina está estimada em 48 anos. O potencial mineral do corpo S11 é de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro, sendo que só o bloco D possui reservas de 4,24 bilhões de toneladas.
"O minério será lavrado a céu aberto e levado da mina até a usina por meio de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD). A usina, os pátios de estocagem e regularização de minério, as pilhas de estéril e canga (minério de ferro com teor mais alto de contaminantes) e a área de manobra e carregamento de trens estão localizados em antigas áreas de pastagem, fora da Floresta Nacional de Carajás (FLONACA), uma unidade de conservação que a Vale ajuda a proteger desde a sua criação, em fevereiro de 1988", informou a Vale.

sábado, 26 de novembro de 2016

Ditador Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos

Ex-ditador Fidel Castro morre aos 90 anos em Cuba

Anúncio foi feito pelo irmão Raúl; país declarou 9 dias de luto oficial.
Líder da Revolução Cubana foi figura internacional polêmica por décadas.

 O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, morreu à 1h29 (hora de Brasília) deste sábado (26), aos 90 anos, na capital Havana. A informação foi divulgada pelo seu irmão Raúl Castro em pronunciamento na TV estatal cubana.

"Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz", disse Raúl Castro.
"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas" deste sábado, prosseguiu o irmão.
Na segunda e na terça, a população da capital cubana poderá render homenagens a Fidel no Memorial Martí. Na própria terça, as cinzas de Fidel partem para a caravana de quatro dias pelo país. No dia 4 de dezembro, a cerimônia para enterrar as cinzas no cemitério Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, começa às 7h, pela hora local.
Figura controversa
Visto como um grande líder revolucionário por uns, e como ditador implacável por outros, Fidel foi saindo de cena progressivamente ao longo da última década, morando em lugar não divulgado e fazendo aparições esporádicas nos últimos anos.
As últimas imagens de Fidel Castro são do dia 15, quando recebeu em sua residência o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Antes, ele foi visto em um ato público foi no dia 13 de agosto, na comemoração de seu 90º aniversário. A festa reuniu mais de 100 mil pessoas. Na época, Fidel apresentou um semblante frágil, vestido com um moletom branco e acompanhado pelo seu irmão Raúl e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Despedida
Em abril, durante o XVII Congresso do Partido Comunista de Cuba, Fidel reapareceu e fez um discurso que soou como uma despedida, onde reafirmou a força das ideias dos comunistas.

"A hora de todo mundo vai chegar, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos, como prova de que neste planeta se trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e devemos lutar sem descanso para isso", afirmou Fidel Castro na ocasião.

Desde que ficou doente, em julho de 2006, e cedeu o poder ao seu irmão Raúl Castro, o líder cubano se dedicou a escrever artigos, assim como livros sobre sua luta na Sierra Maestra e a receber personalidades internacionais em sua residência, no oeste de Havana.
Doença e saída do poder
Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreendeu Cuba e o mundo com o anúncio de que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias. Foi a primeira vez que saiu do poder.
Sem revelar qual doença o afetava, Fidel admitiu que esteve à beira da morte. Perdeu quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passou por várias cirurgias e dependeu por muitos meses de cateteres.
Em dezembro de 2007, o comandante cubano já havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado e ficou tecnicamente habilitado para uma reeleição – o que não ocorreu.
Desde março de 2007, já afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe".
Fidel deixou o poder definitivamente em fevereiro de 2008. Em um texto publicado no jornal estatal “Granma”, ele anunciou sua renúncia.

 Fidel Castro foi um dos personagens da política internacional durante mais de seis décadas  (Foto: Adalberto Roque/AFP)
Trajetória
Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926, na província de Holguín, sul de Cuba, e foi batizado durante a infância de Fidel Hipólito. Sua mãe trabalhava para a mulher de seu pai, o bem sucedido latifundiário espanhol Ángel Castro.
Apenas quando Fidel era adolescente seu pai se separou da primeira mulher e assumiu a família com a mãe de Fidel, Lina Ruz Gonzalez, com quem teve outros cinco filhos. Nesta época, Fidel foi assumido oficialmente pelo pai e recebeu o nome de Fidel Alejandro Castro Ruz.
Apesar de não ter sido registrado pelo pai na infância, Fidel cresceu estudando em escolas particulares e em meio a um ambiente de riqueza bastante diferente da pobreza do povo cubano.
Bastante inteligente, o jovem era mais interessado nos esportes do que nos estudos. Mesmo assim, o líder cubano iniciou seus estudos na Universidade de Havana em 1945, onde conheceu o nacionalismo político cubano, o anti-imperalismo e o socialismo, e se formou em direito em 1950.
GNews - Fidel Castro (Foto: Reprodução/GloboNews)
Em 1948, Fidel viajou para a República Dominicana em uma expedição para tentar derrubar o ditador Rafael Trujillo, que foi fracassada.
Ao voltar para a faculdade, ele se juntou ao Partido Ortodoxo, fundado para acabar com a corrupção no país.
Casamentos
No mesmo ano, Fidel se casou com Mirta Diaz Balart, de uma rica família cubana. Eles tiveram apenas um filho, Fidelito. O casamento com Mirta acabou em 1955. Durante a união, ele teve um relacionamento com Naty Revuelta, com quem teve uma filha, Alina Fernández-Revuelta. Em 1993, ela fugiu da ilha se fazendo passar por uma turista espanhola. Alina pediu asilo nos Estados Unidos e passou a fazer fortes críticas a seu pai.
Com sua segunda mulher, Dalia Soto del Valle, Fidel teve outros cinco filhos homens cujos nomes começam com a letra "A": Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel.
Além da filha Alina, uma das irmãs de Fidel, Juanita Castro, também se mudou para os EUA, no início da década de 1960.
 A amizade entre Castro e Chávez era antiga (Foto: ENRIQUE DE LA OSA / POOL / AFP)
Revolução
Durante o casamento com Mirta Diaz, Fidel teve contato com as famílias ricas de Cuba, e se candidatou a um posto no parlamento. Entretanto, o golpe do general Fulgêncio Batista derrubou o governo da época e cancelou as eleições.
Junto com outros membros do Partido Ortodoxo, Fidel organizou uma insurreição. Em 26 de julho de 1953, cerca de 150 pessoas atacaram o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em uma tentativa de derrubar Batista. O ataque falhou e Fidel foi capturado. Após julgamento, ele foi condenado a 15 anos de prisão. Entretanto, o incidente o tornou famoso no país.
Em 1955, Fidel foi anistiado, e fundou o movimento 26 de Julho, de oposição ao governo. Nessa época, ele se encontrou pela primeira vez com o revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara e se exilou no México.
Em 1957, junto com Guevara e mais 79 expedicionários, chegou a Cuba a bordo de um navio e tentou derrubar o presidente, mas foi surpreendido pelo Exército e derrotado. Fidel, seu irmão Raúl e Che conseguiram escapar e se refugiaram na Sierra Maestra, onde travaram combates com o governo.
Em 30 e 31 de dezembro de 1958, as vitórias revolucionárias assustaram Batista, que fugiu de Cuba e foi para a República Dominicana. Aos 32 anos, Fidel conseguiu o controle do país.
Reforma para o comunismo
Um novo governo foi criado, e Fidel assumiu como primeiro-ministro em 1959, após a renúncia de Jose Miro Cardona. Nesta época, foram iniciadas as relações com a então União Soviética.
O líder passou então a sua reforma para o comunismo. Em 1960, Fidel nacionalizou a indústria açucareira de Cuba, sem pagar indenizações. Três anos depois ele estatizaria as fazendas, ampliando a reforma agrária.
Em 1961, o governo proclamou seu status socialista. Houve uma fuga em massa dos ricos do país para Miami, nos Estados Unidos, que rompem as relações diplomáticas com Cuba.
Fidel com Che Guevara, em foto de 1960 (Foto: AP Foto/Prensa Latina via AP Images)


Cronologia Fidel Castro V3 (Foto: Editoria de Arte/G1)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Alta do dólar já causa preocupação no governo

Dólar e real: BC anunciou novos leilões

A alta do dólar nos últimos dias já começa a preocupar o governo. O Palácio do Planalto monitora a oscilação e o próprio presidente Michel Temer tem acompanhado a movimentação da moeda americana. Após o dólar fechar mais uma vez em alta ontem, 14, o Banco Central anunciou que atuará com força no mercado de câmbio na volta do feriado com uma operação que terá efeito comparável à venda de US$ 1,5 bilhão no mercado futuro nas primeiras horas de negócios de amanhã.
Ontem, 14, o dólar persistiu na trajetória de alta e, mesmo com uma intervenção do BC, a moeda terminou em alta de 1,15%, a R$ 3,4444. A moeda americana tem subido diariamente desde a inesperada eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Apenas em novembro, o dólar já subiu 8% ante o real. É essa escalada que já começa a preocupar o governo Temer.
Interlocutores no Executivo dizem que a maior preocupação da equipe econômica é que a insistência da alta possa atrapalhar os planos do Planalto de dar prosseguimento à redução dos juros. Depois de quatro anos, a taxa caiu 0,25 ponto no mês passado, para 14%. Economistas dizem que o dólar mais alto encarece os preços em reais, o que gera inflação e atrapalha o corte de juros – fator considerado fundamental para a retomada do crescimento.

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