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segunda-feira, 21 de março de 2016

Renan Calheiros avalia que Senado não vai barrar impeachment

Senador Renan Calheiros em sessão no Senado

 O presidente do Senado Renan Calheiros (AL) disse a interlocutores que não tem condições de barrar o afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo caso a Câmara dos Deputados tome essa decisão, de acordo com reportagem publicada na edição deste domingo do jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo o jornal, Renan avalia com pessoas próximas a ele que, se isso acontecer, haverá uma "onda" que certamente resultará na cassação da presidente. Pelo rito de impeachment estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo com a Câmara a favor do impeachment, o Senado pode não instaurar o processo. Os senadores vão decidir isso por meio de votação de maioria simples.

Sistema Cantareira registra alta pelo 34º dia seguido

Sistema Cantareira, represas de Jaguari-Jacareí, na região de Bragança Paulista, atingiram em junho de 2014 0% da capacidade de seu volume útil

 O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 5,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, registrou alta pelo 34º dia seguido.

De acordo com relatório divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) neste domingo (20), o manancial subiu 0,2 ponto porcentual, atingindo 63,3% de sua capacidade. O índice divulgado considera o volume morto como volume útil do sistema.

Sem considerar o volume morto, o Cantareira também melhorou, com aumento de 0,2 ponto porcentual. O manancial passou de 33,8% para 34%. E o terceiro índice aponta aumento de 0,1 ponto porcentual, registrando 48,9% da capacidade.

Outros sistemas

O Guarapiranga registrou queda em seu volume neste domingo. O manancial opera com 87,5% de sua capacidade, 0,1 ponto porcentual a menos do que no dia anterior. O Alto Tietê também caiu 0,1 ponto porcentual, para 43,3%. Outros sistemas, como Alto Cotia (100,9%) e Rio Claro (100,3%), ficaram estáveis.

Para indústria, dólar deve ficar entre R$ 3,80 a R$ 4

Pessoa conta notas de dólar 

 A indústria nacional ainda segue confiante de que o câmbio se sustentará no patamar de R$ 4 a R$ 3,80 neste ano, sustentando a expansão das exportações nacionais e a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Entretanto, o setor está atento a um prolongamento do movimento de queda da moeda observado desde o início do mês. Desde o último dia de 2015, quando o dólar valia R$ 3,96, até a última sexta-feira, o real se valorizou 10,3% ante a moeda norte-americana.

"A oscilação do câmbio é grande, mas ainda não é matadora para a indústria", afirma o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto. Para ele, um dólar a R$ 3,60 não atrapalharia as vendas externas, mas abaixo desse nível já acende a "luz amarela" para as receitas cambiais do setor. "A R$ 3, então, aí passamos para a vermelha", ressaltou. Porém, o diretor da Fiesp acredita que é necessário esperar mais para ver se o movimento persiste ante de alguma providência de emergência contra um nível de câmbio mais baixo.

Apesar de defender um câmbio flutuante, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, avalia que um câmbio entre R$ 3,50 e R$ 4 é ideal para que o fabricante reduza o preço de seus produtos em dólar, aumente suas receitas cambiais e alavanque a produção interna.

A indústria química viu, nos últimos 12 meses até janeiro na comparação com a mesma época imediatamente anterior, uma retração das vendas internas em 5,22% e no Consumo Aparente Nacional (CAN) de 6,4%. Mas, no mesmo período, teve crescimento do índice de exportações de produtos químicos de uso industrial, o que causou impacto direto na produção, com alta de 0,95% em igual intervalo. "O câmbio ajuda, mas mesmo assim são necessárias políticas de longo prazo, como melhorias em infraestrutura e logística", afirmou.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, o câmbio atual não altera as projeções de vendas externas do setor para este ano. A entidade espera uma receita cambial de US$ 7,5 bilhões neste ano, o que representaria um aumento de 27,1% ante a cifra de 2015. "Acho que não deve ter alteração também porque, na média do acumulado do ano, o dólar não deve recuar tanto e deve se manter ainda em um patamar que nos é interessante. Além disso, há uma crise agora em todos os países, o que provocou uma necessidade de adaptação, o Brasil se obrigou a mudar seu cardápio e baixar o preço também", declarou.

Uma dos maiores produtores de carne bovina do País, a Minerva Foods tem direcionado boa parte de sua produção ao mercado externo devido ao câmbio favorável. Tanto que em 2015, 70% da receita consolidada da companhia veio das exportações. "Um dólar a R$ 3,70 ainda é o suficiente para manter a competitividade do produto feito no Brasil e impulsionar as exportações", afirmou o diretor-presidente da empresa, Fernando Galletti de Queiroz. O executivo também disse que a Minerva possui hedge para se proteger de variações cambiais e que não vê mais uma forte oscilação do câmbio no decorrer do ano.

Já o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, acredita que o dólar voltará ao patamar a R$ 3,80 em breve. "Em questões de fundamentos, não é lógico um câmbio a R$ 3,60. Essa queda nos parece apenas um episódio e espero que não se estabeleça em um novo patamar", disse, respondendo também que o setor não tem um plano emergencial caso o dólar se estabeleça a níveis inferiores.

Segundo ele, as exportações da indústria de calçados estão crescendo, mas a entidade esperava um avanço maior nos dois primeiros anos por conta do câmbio favorável. Após uma receita 0,6% em fevereiro ante o mesmo mês de 2015, o setor fechou o bimestre com vendas de US$ 147 milhões, 2,3% menor ante o mesmo período de 2015.

Para o gerente-executivo de Políticas Econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, a queda de 10% do câmbio nesse início do ano é mais do que a rentabilidade das exportações da indústria nacional e o sinal amarelo já vigora para o setor, porque a inflação e os custos seguem altos. "Esse movimento pode atrapalhar a retomada e avanço do processo de substituição da importação", destacou.

Segundo o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rafael Cagnin, a indústria química, calçadista e vestuário já estão sentindo o processo de substituição de importações e tem registrado um viés de recuperação na atividade industrial nos últimos três meses. Klein, da Abicalçados, disse que houve a queda no volume das importações, mas "ainda não relevante para a produção industrial, devido a retração da demanda doméstica", afirmou.

Dilma lamenta morte de Agnelli, "de extraordinária visão"

Roger Agnelli, chairman executivo da B&A Mineração

 A presidente Dilma Rousseff divulgou nota há pouco em que lamenta a morte do empresário Roger Agnelli, sua mulher, filhos, genro e nora.

Dilma afirma, na nota, que o País perdeu "um brasileiro de extraordinária visão empreendedora". Ela destaca que Agnelli "dedicou sua carreira a grandes empresas brasileiras, sempre comprometido com o desenvolvimento do País" e manifesta solidariedade a parentes e amigos.

O empresário e sua família morreram ontem na queda de um avião no Jardim São Bento, zona norte de São Paulo.

Juízes e políticos disputam em plena crise no Brasil

O juiz Sérgio Moro chega a um encontro com empresários em Curitiba

Justiça anticorrupção ou "Estado policial"? Os juízes revelaram os subterrâneos da política no Brasil com métodos que ocasionaram críticas e que fizeram com que entrassem em choque frontal com os demais poderes.

A decisão do juiz Sérgio Moro - encarregado de investigar o Petrolão - de divulgar ligações telefônicas interceptadas de Luiz Inácio Lula da Silva e o bloqueio judicial da posse de ex-presidente como ministro ilustram, segundo analistas, a maneira que os juízes estão ultrapassando suas fronteiras e atuando politicamente.

Ao grampear as conversas de Lula, Moro captou diálogos com a própria presidente Dilma Rousseff. E quando o ex-presidente foi designado ministro, o juiz liberou o acesso aos áudios.

"Moro faz um uso político da operação Lava Jato, o que abre um precedente e encoraja outros juízes conservadores a fazer o mesmo", disse à AFP o advogado Marilson Santana, professor de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A divulgação da conversa entre Dilma e Lula desencadeou um terremoto político, ao ser amplamente interpretada como a confirmação de que a entrada de Lula no governo propunha proteger o ícone da esquerda de um eventual mandado de prisão.

Na gravação, Dilma informa a Lula que estava lhe enviando o decreto de sua nomeação, para que pudesse usá-lo "em caso de necessidade".

Milhares de pessoas foram imediatamente às ruas para exigir a renúncia de Dilma.

"Os golpes começam assim", reagiu a presidente.

- Descrédito da política -

A operação Lava Jato sacode toda a classe política, mas até agora tem focado principalmente no Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula e Dilma, e em outros partidos da coalizão do governo.

Moro é considerado pela oposição como um campeão da justiça. Mas para a senadora petista Gleisi Hoffman ele está "incendiando o país".

Os questionamentos não são só políticos.

"O imperioso combate contra a corrupção não pode avançar em detrimento das garantias individuais e das leis vigentes", declara o editorial da Folha de São Paulo.

Moro alegou que os telefones grampeados eram de Lula e não da presidente. Inclusive, citou como precedente o escândalo das escutas telefônicas no caso Watergate, que levou à renúncia do presidente americano Richard Nixon, em 1974.

"Nem sequer o primeiro chefe da República tem um privilégio absoluto no resguardo de suas comunicações, aqui captadas por acaso", escreveu Moro. O "conhecido precedente" do caso Watergate "é um exemplo a ser seguido", insistiu.

Entidades jurídicas fecharam fileiras em defesa do juiz, cujas decisões nunca foram revertidas por qualquer instância superior.

Mas Dilma declarou que "em muitos lugares do mundo, quem grampeia o telefone de um presidente vai preso se não tiver a autorização da Suprema Corte".

O descrédito da política pode ser uma das explicações para este vigoroso poder judicial, dizem os especialistas.

"Estamos em um momento muito grave, no qual o Poder Legislativo está encurralado porque seus líderes são investigados e o Poder Executivo está completamente desacreditado por um governo ineficiente", disse à AFP Antônio Carlos de Almeida, advogado do banqueiro André Esteves, processado no marco da operação Lava Jato.

"Então o Judiciário tornou-se o grande poder. E isso é muito perigoso, porque como Rui Barbosa dizia: 'A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário', porque não resta a quem recorrer", comentou.

Moro tampouco hesitou em ordenar a busca na casa de Lula, em 4 de março, e de levar à força, até este momento, o intocável líder.

"A operação Lava Jato tinha um objetivo claro: fazer Dilma ser inviável e anular Lula para as eleições de 2018", insiste o advogado Marilson Santana.

- "República de Curitiba" -

Em algumas de suas conversas gravadas, Lula afirmou que os juízes estavam "acovardados" diante do procuradores anti-corrupção e do juiz Moro.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, bloqueou na sexta-feira a nomeação ministerial de Lula, por considerá-lo um "salvo-conduto" da presidente para protegê-lo da justiça.

O ministro também decidiu que a investigação siga nas mãos do juiz Moro, de Curitiba.

"Sinceramente estou assustado com a República de Curitiba, porque a partir de um juiz de primeira instância tudo pode ocorrer neste país", disse Lula em uma das conversas grampeadas.

Impeachment de Dilma é a única saída para crise, diz FHC

Fernando Henrique Cardoso

 A crise política que está desestabilizando o país tem uma saída: o afastamento de Dilma Rousseff da presidência. É o que acredita o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, FHC conversou sobre as manifestações contra o governo que aconteceram Brasil afora na última semana e alegou que o PSBD irá colaborar com um eventual governo de Michel Temer.

Antes cético em relação ao impeachment de Dilma, o ex-presidente explicou que sua percepção dos fatos mudou com a atrofia cada vez maior do governo. “Com a incapacidade que se nota hoje de o governo funcionar, de ela resistir, eu acho que o caminho agora é o impeachment. Se eu bem entendi o que as ruas gritaram, foi isso”, disse FHC.

Sobre o futuro do país após esse que ele chama de “processo doloroso”, o ex-presidente lembrou a solidez das instituições brasileiras na atualidade e defendeu que não haverá retrocesso institucional.

“Tudo na política depende não apenas das circunstâncias, mas da capacidade da condução do processo. No caso do impeachment, é natural é que assuma o vice, Michel Temer”, ponderou ele lembrando que a ação proposta pelo PSDB que pede a cassação da chapa PT-PMDB e que atualmente tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será demorada. 

Caso Miriam Dutra

A entrevista também tocou em um ponto delicado na vida de FHC: o relacionamento com a jornalista Miriam Dutra, que o acusa de ter feito remessas ilegais ao exterior. “Essa senhora foi contratada por uma empresa que não era brasileira. Remeter o que? Para quem? Se o pagamento era feito lá fora por uma empresa não brasileira? Se crime tivesse, teria prescrito em 2002”, pontuou. 

Crise política

O Brasil viveu momentos de apreensão na última semana depois do anúncio de que Luiz Inácio Lula da Silva seria nomeado ministro-chefe da Casa Civil. A nomeação aconteceu na quarta-feira, mas foi prontamente sustada por diferentes liminares ajuizadas pelo país.

A divulgação de áudios de conversas interceptadas do telefone do ex-presidente ajudou a apimentar o cenário já instável e desgastar ainda mais o relacionamento do governo com o Congresso e também com a população, que foi às ruas pelo afastamento de Dilma.

O cenário atual é de incertezas, com uma decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a posse de Lula atendendo uma liminar proposta pelo PPS. Mendes também decidiu que todos os processos envolvendo o petista na Operação Lava Jato fossem remetidos ao juiz federal Sérgio Moro em Curitiba, Paraná

Em Cuba, Obama não é visto como presidente americano cretino

Obama embarca para viagem à Cuba

Barack Obama vai ser nos próximos dias o assunto principal em cada esquina de Havana, com exceção do "paredão dos cretinos", o mural que Cuba reservou aos presidentes dos Estados Unidos antes de que ganhassem popularidade na ilha comunista.

Visita quase obrigatória dos turistas, o Museu da Revolução, que exalta os atos guerrilheiros protagonizados pelos irmãos Castro, exibe em seu primeiro andar um mural dos anti-heróis.

Ronald Reagan é um 'caubói', George Bush pai um imperador romano e seu filho George W. Bush usa um capacete nazista do qual saem orelhas de burro.

Estão representados todos os ex-presidentes de Estados Unidos, mas, principalmente os "cretinos", que teriam ajudado a "fortalecer e consolidar a Revolução" "tornar irrevogável o socialismo", segundo as placas escritas em inglês, francês e espanhol.

Os desenhos em relevo e grande tamanho provocam risos nervosos ou comentários politicamente incorretos, que Cristopher, um guia cubano, tenta matizar com um esclarecimento evidente: "são caricaturas, é diversão".

Mas e Obama? Não, ele jamais poderia estar nesse mural. O presidente que terminou com mais de meio século de inimizade com Cuba é incrivelmente popular na ilha e sua imagem já é usada como ímã para o turismo.

"Sempre me perguntam quanto ao Obama, mas de fato vemos Obama como um presidente que melhorou as relações e por isso não o vemos como um cretino", ex;lica Cristopher.

Não há estudos de opinião que sustentem a popularidade de Obama na ilha, mas é difícil encontrar cubanos que falem abertamente mal dele como acontecia com seus antecessores... nem mesmo dentro do governo.

Sua visita de três dias pode mudar por completo a imagem que várias gerações de cubanos tiveram dos presidentes dos Estados Unidos, mesmo que o embargo econômico que castiga a população ainda continue vigente.

A última vez que um presidente dos Estados Unidos esteve em Cuba foi em 1928. O discreto Calvin Coolidge não sobreviveu ao esquecimento.

- Mais populares -

Bob Johnson, um médico americano de 59 anos, também sorriu quando viu Reagan e os Bush retradados como "cretinos". "Obama seria diferente se tivesse sido presidente nos anos 60, 70, 80, quando tudo isso estava acontecendo", comentou.

"Mas nosso país mudou e ele representa as muitas mudanças que ocorreram", acrescenta.

Johnson parece um turista: bermuda, chapéu para se proteger do sol e câmera fotográfica pendurada no pescoço, mas oficialmente não está fazendo turismo.

Para viajar a Cuba, teve de usar como pretexto uma viagem turísca para burlar as restrições do embargo.

"Obama é popular aqui, mas também os americanos, que são mais populares aqui do que em outras partes do mundo", diz ainda.

Em função da aproximação com os Estados Unidos, o turismo cresceu em 18% em Cuba em 2015, e as visitas de americanos aumentara 77%.

Elerida Bengtsson, professora norueguesa de 26 anos, pode fazer turismo sem problemas em Cuba, e assim como seu namorado, Hakon Dalland, de 25 anos, está feliz com Obama.

"Espero que para os cubanos Obama não seja um cretino. Para mim não é. É totalmente diferente deles (os Bush e Reagan). As coisas que ouvia do Bush não são as mesmas que ouço do Obama", destaca.

- Beisebol -

A poucas quadras do Museu da Revlução, no point onde os habitantes se reunem diariamente para discutir beisebol, Obama também é assunto de bate-papo. Ainda mais que o presidente americano, torcedor do esporte, assistirá uma partida da equipo nacional cubana com os Tampa Bay das Grandes Ligas americanas.

"Vamos ouvi-lo, vamos respeitá-lo, mas ele no seu lado e nós no nosso", ressalta Rolando Verdecia, um ex-boxeador de 89 anos.

Caridad Amador, uma farmacóloga de 62 anos, não fala de beisebol, mas sim do presidente dos Estados Unidos e questiona por que ele não se esforça mais para levantar o embargo.

"Para que vem aqui? Para fazer o quê? Sinceramente, não estou de acordo que venha. Com o maior respeito, considero isso um absurdo", sentenciou Amador.

Ao contrário de outras épocas, sua opinião já não é a da maioria dos cubanos.

Obama chega a Cuba para primeira visita presidencial americana desde 1928

Barack Obama e Raúl Castro em cartaz que dá boas vindas ao presidente dos EUA a Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou a Havana, capital de Cuba, para uma visita histórica tendo em vista o processo de normalização de relações entre os dois países.

 O Air Force One, avião presidencial americano, pousou às 16h18 locais deste domingo. Durante o resto do dia, Obama fará um tour cultural da capital cubana.

Na segunda-feira, quando começará o programa oficial de sua visita, Obama vai se encontrar com o presidente de Cuba, Raúl Castro, para revisar o progresso da normalização de relações entre os dois países.

As relações entre Washington e Havana começaram a melhorar após Obama anunciar, em dezembro de 2014, uma mudança histórica na política americana, inclusive no alívio de algumas restrições a viagens e comércio.

Obama será o primeiro presidente americano a visitar Cuba desde Calvin Coolidge, em 1928 — 88 anos atrás.

Obama vai para Cuba. Entenda o que ele deve fazer por lá

Obama viaja para Cuba

Barack Obama embarca para Cuba: faz 88 anos que nenhum presidente dos Estados Unidos coloca os pés na ilha,

 

Neste domingo (20) o presidente dos EUA, Barack Obama, chega a Cuba para uma visita histórica. Faz 88 anos que nenhum mandatário dos EUA coloca os pés na ilha.

Engana-se, no entanto, quem pensa que a visita começou a ser arquitetada apenas em fevereiro, quando foi oficialmente anunciada.

A possibilidade já se delineava lá em dezembro de 2014, quando os dois países anunciaram o restabelecimento dos laços diplomáticos - após décadas de rompimento.

Antes do anúncio, os dois países já negociavam a reconciliação secretamente, havia pelo menos 18 meses - ou seja, tudo começou ainda em 2013.

Obama chega à ilha no domingo (20), e tem compromissos oficiais em Cuba na segunda (21) e na terça-feira (22). De acordo com a Casa Branca, Obama e Fidel não vão se encontrar. O mandatário dos EUA deve se reunir apenas com Raúl Castro, atual presidente de Cuba - e a pauta deve ser essencialmente política e econômica.

Além do encontro com Castro, outra cereja do bolo da visita de Obama é um discurso histórico que ele fará em Havana. Segundo meios de comunicação americanos, ele vai pedir mais liberdade ao povo cubano. Há ainda a expectativa, não confirmada, que a fala do mandatário seja transmitida em rede nacional de TV.

Obama também vai encontrar dissidentes, participar de uma partida de baseball e de uma cerimônia em homenagem à Igreja Católica, instituição que teve papel fundamental na negociação de reaproximação entre as duas nações.

Obama vai à ilha acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha. A primeira-dama, aliás, deve se encontrar com estudantes cubanas, algumas que chegaram a estudar nos EUA. Segundo o Guardian, ela vai levar perguntas de jovens americanas que estão curiosas sobre a vida no país.

"Agrados"

Apesar da reaproximação, o embargo - que existe desde o começo da década de 1960 - ainda segue firme e forte, e só será suspenso com o aval do Congresso, de maioria republicana.

Mesmo com o embargo, os EUA já adotaram uma série de medidas menores que dependem apenas do poder Executivo, que agradaram Cuba e que tornaram a relação dos dois países bem mais próximas.

A mais recente foi divulgada na última terça-feira (15), a menos de uma semana da chegada de Obama na ilha, que fica a menos de 150 km da Flórida, quando os EUA anunciaram novas medidas para tornar muito fácil a visita de norte-americanos a Cuba e para que o governo comunista da ilha possa promover o comércio internacional há muito restrito.

Autoridades dos EUA expressaram a esperança de que o novo relaxamento das regras financeiras e de viagens possa incentivar o governo comunista a responder com reformas econômicas que vêm demorando a se concretizar.

As novas medidas permitirão que os norte-americanos viajem com mais facilidade para Cuba independentemente de terem propósitos educacionais, culturais e de outros tipos, e que até então requeriam autorização, e sem ter que fazer parte de grupos de turistas. É claro que a medida é uma via de mão dupla: com a autorização, os EUA ajudam a encher os voos comerciais que saem do país para a ilha.

As alterações anunciadas na terça também podem abrir o caminho para as equipes da principal liga de beisebol norte-americana eventualmente contratar jogadores cubanos sem que esses tenham que desertar.

Os cubanos poderão a partir de agora receber salário ou pagamento nos Estados Unidos sem necessidade de renunciar à cidadania cubana, o que pode abrir as portas dos EUA também para artistas cubanos.

Antes de visita de Obama, dissidentes são presos em Cuba

Policial prende dissidente em Cuba

Policial prende militante em protesto do movimento dissidente Damas de Branco, em Havana, horas antes do início da visita de Obama.

 

A polícia de Cuba deteve dezenas de militantes do movimento dissidente Damas de Branco após o desfile que tentam realizar todos os domingos em Havana, horas antes do início da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A polícia recolheu dezenas de militantes e de simpatizantes em frente à igreja em que costumam reunir-se em protesto aos domingos. O movimento Damas de Branco foi criado por mulheres de opositores ao regime comunista.

As detenções foram anunciadas quase à mesma hora em que Obama partiu da base aérea de Andrews, nos Estados Unidos, pouco depois das 14h30 no horário de Brasília, para Cuba. Obama inicia hoje (20) a primeira visita de um presidente norte-americano à ilha em quase 90 anos.

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