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terça-feira, 29 de março de 2016

Utah, nos EUA, obrigará anestesia em abortos após 20ª semana

Gravidez

 Utah se tornou o primeiro estado dos EUA a aprovar uma lei que obriga a aplicação de anestesia às mães que se submetem a abortos voluntários após certo tempo de gravidez, informou a imprensa local nesta terça-feira.

O governador de Utah, o republicano Gary Herbert, assinou na segunda-feira a lei, que determina que os médicos anestesiem as mulheres que optarem pelo aborto a partir da 20ª semana de gravidez.

A medida se baseia na premissa de que, após esse período, o feto pode sentir dor durante o procedimento. Anteriormente, a lei em Utah dava às mulheres liberdade para decidir se queriam ou não anestesia.

A norma foi idealizada pelo senador republicano Curt Bramble, que, a princípio, queria proibir os abortos depois da 20ª semana de gestação, mas mudou de posicionamento ao ser advertido que essa iniciativa poderia ser inconstitucional.

"O governador é firmemente a favor da vida. Ele acredita que é preciso minimizar a dor que pode ser causada à criança não nascida", comentou o porta-voz do governador, Jon Cox.

No entanto, alguns médicos alertam que o requerimento de anestesia para interromper uma gestação de 20 semanas pode aumentar o risco para a saúde da mulher com uma sedação desnecessária para proteger um feto de uma dor que pode não ser sentida.

A promulgação da lei chega em meio ao ressurgimento do debate sobre os direitos reprodutivos das mulheres nos Estados Unidos, enquanto a Suprema Corte avalia uma polêmica lei do Texas que provocou o fechamento de dezenas de clínicas de aborto.

A Suprema Corte deve se pronunciar sobre a lei do Texas que, com o argumento de proteger a saúde das mulheres, exige que as clínicas cumpram com os padrões cirúrgicos de um pequeno hospital, o que provocou o fechamento de dezenas de centros especializados.

Os juízes do tribunal bloquearam no início deste mês a aplicação de uma lei da Louisiana que, segundo os grupos defensores do direito ao aborto, também teria provocado o fechamento de quase todas as clínicas de aborto desse estado.

Dilma perdeu legitimidade para conduzir mudanças, diz CNI

Robson Andrade, presidente da CNI

 O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse nesta terça-feira, 29, que a presidente da República, Dilma Rousseff, perdeu a "legitimidade" para conduzir as reformas que o país precisa para sair da crise.

"Francamente, o governo está perdendo muito a legitimidade para dar continuidade às mudanças que o país deseja e até hoje não foram realizadas", afirmou Andrade.

Segundo ele, nem todas as federações se manifestaram claramente a favor do impeachment da presidente, mas todas são a favor de uma "solução rápida, democrática e dentro do Estado de direito".

"O problema nosso hoje é essa sangria ficar ainda três meses, quatro meses, seis meses. A economia acabou. As empresas estão fechando", afirmou. Ele disse que hoje recebeu a informação do fechamento da fábrica da Souza Cruz, no Rio Grande do Sul.

"A posição da CNI é que não dá para continuar com o país da forma que nós estamos, com problemas éticos, falta de credibilidade, falta de legitimidade", afirmou.

Andrade diz que a CNI vai respeitar as decisões que forem tomadas pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A preocupação da confederação, segundo o presidente, é com o dia seguinte ao impeachment, se ele de fato ocorrer.

"Temos que construir projetos e propostas para o país sair da crise. Vamos ter que construir com quem estiver no poder", afirmou.

"Se o próximo governo não tomar medidas drásticas e duras, vamos continuar do mesmo jeito", disse ao defender, entre outras, as reformas da Previdência, administrativa e trabalhista.

"Se quem entrar não tiver a coragem suficiente de fazer as reformas, não vai adiantar. Se a presidente continuar e não fizer as reformas, vamos continuar sangrando e o país quebrando", previu.

O presidente da CNI disse que a confederação apoiou a maior parte das propostas do documento "Uma Ponte para o Futuro", lançado no fim de 2015, com as medidas propostas pelo PMDB para a retomada do crescimento econômico.

"Mas quem entrar vai ter coragem de colocar todas essas medidas em prática? Tem que ter. Estamos numa situação que o país é um caos completo: desânimo, descrédito, ninguém acredita em mais nada", afirmou

ONU reassentará 10% dos 4,8 mi de refugiados sírios até 2018

Refugiados sírios na Grécia

 A Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira que pretende reassentar mais de 450 mil refugiados sírios, cerca de um décimo daqueles atualmente em países vizinhos, até o fim de 2018, mas admitiu que precisa superar o temor generalizado e a manipulação política.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) está exortando nações de todo o mundo a receber sírios para reassentamento, por razões humanitárias para reunificação familiar, tratamento médico ou bolsas de estudo para a conclusão do ensino.

Mais de 4,8 milhões de refugiados sírios fugiram para Turquia, Líbano, Jordânia e Egito para escapar de uma guerra que já matou mais de 250 mil pessoas desde 2011 e deixou 13,5 milhões de pessoas precisando de ajuda dentro da Síria.

Estima-se que outras 500 mil fugiram para a Europa, especialmente para a Alemanha, desde o início de 2015.

A população síria pré-guerra era de cerca de 22 milhões de habitantes.

Uma conferência ministerial marcada para quarta-feira irá "se concentrar na necessidade de gerar um aumento substancial de reassentamentos e outras respostas a seu drama", disse o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards, à imprensa. "Estimamos que 10 por cento dos 4,8 milhões de refugiados entram na categoria de altamente vulneráveis. Isso significa que bem mais de 450 mil vagas serão necessárias antes do final de 2018."

Google lança serviço de telefonia fixa via fibra nos EUA

Fibra óptica

A unidade de internet de alta velocidade da Alphabet, Google Fiber, está lançando um serviço de telefonia fixa via fibra nos Estados Unidos, o Fiber Phone, disse a empresa em seu blog nesta terça-feira.

O serviço deve permitir ligações locais e nacionais ilimitadas nos Estados Unidos, por 10 dólares mensais, enquanto adota as mesmas taxas para chamadas internacionais que o Google Voice.

A empresa disse que vai desenvolver de início os serviços somente para algumas áreas dos EUA.

Google leva imagens em realidade virtual para sites e apps

Google faz óculos de realidade virtual de papelão imitando Oculus Rift

 O Google vai permitir que você veja imagens ou vídeos em realidade virtual em sites e em aplicativos tanto para smartphones com sistema Android quanto para iPhones

Vídeos em realidade virtual podem ser vistos com óculos de realidade virtual, como o Oculus Rift ou o CardBoard, do Google – este último é um produto de baixo custo que usa smartphones como tela. Com imagens bem próximas aos olhos, a ideia é reproduzir a experiência de estar no local do vídeo ou da foto capturada em 360º.  

A nova iniciativa do Google é voltada primeiramente para desenvolvedores que trabalham com a web ou com aplicativos. Chamada VR view, ela permite que esses criadores de conteúdos possam incorporar em suas obras digitais as imagens em realidade virtual de maneira fácil, de acordo com o Google. 

Para a web, a empresa informa que a novidade se trata de uma forma de incorporar os arquivos com um código iframe. O Google torna hoje essa tecnologia open-source e o código dela pode ser encontrado no repositório online Github. 

Divulgação/Google
Solução do Google para Imagens em realidade virtual em sites e apps

VR view: solução do Google para Imagens em realidade virtual leva conteúdos em 360º a sites e apps

Para apps, o Google oferece a partir de hoje um kit de desenvolvimento para que seja possível criar conteúdos em realidade virtual também para dispositivos com sistema iOS. Antes, somente podia-se criar para os aparelhos que tivessem sistema Android.  

Com o VR view, o Google tenta modernizar a forma de visualizar informações na internet. "Para áreas como viagens, imobiliárias, notícias e entretenimento, esperamos que os VR views incorporáveis sejam uma forma simples e fácil de compartilhar a sua história e construir experiências visuais imersivas e engajadoras que os seus usuários amem", escreveu Nathan Martz, gerente de produtos no Google, no blog oficial da empresa.

Os internautas ainda devem esperar algum tempo até que possam ver o que os desenvolvedores fizeram com essa nova ferramenta de realidade virtual do Google.

Para manter ritmo no Brasil, PayPal avança "offline"

Aplicativo do PayPal em um iPhone, da Apple

 A norte-americana PayPal está acelerando a atuação para além das operações online no Brasil e para manter o ritmo de crescimento de dois dígitos, apesar da forte contração econômica que tem ofuscado o setor de meios eletrônicos de pagamentos no país.

A processadora de pagamentos online vai anunciar nesta semana pelo menos duas iniciativas nesse sentido.

Uma delas permite que clientes do serviço abasteçam seus carros sem ter que passar um cartão de débito ou de crédito num POS, a chamada "maquininha" de pagamento.

Sem revelar o nome da empresa com a qual fechou a parceria, a diretora da vendas do PayPal para o Brasil, Paula Paschoal, disse que a iniciativa envolverá cerca de 5,4 mil postos de combustíveis no país.

A outra inicia no Brasil o One Touch, serviço que permite aos usuários da PayPal pagar uma compra sem terem de fornecer novamente suas informações de compra em aplicativos ou sites que têm parceria com a empresa.

"Estamos tentando otimizar a vida do cliente fora do ambiente online", disse Paula à Reuters.

A ideia é reproduzir o modelo adotado no aplicativo de chamada de táxis 99Taxis, no qual o usuário precisa informar apenas uma vez o login e senha.

Depois, cada corrida é paga digitando somente os três primeiros dígitos do CPF.

O PayPal expandiu em agosto o serviço One Touch para 13 mercados na Europa e na Austrália, simplificando as compras online para consumidores e vendedores, após já tê-lo lançado nos Estados Unidos, no Canadá e no Reino Unido.

Segundo a executiva, as iniciativas visam a elevar o que o mercado de meios de pagamento chama de taxa de conversão, que mede por exemplo o percentual de visitantes de uma loja online que efetivamente executa uma compra, que no Brasil é de cerca de 2 por cento, abaixo dos níveis internacionais.

Empresas de meios de pagamento no país vêm buscando formas para lidar com a desaceleração no consumo, na esteira da recessão no país.

Segundo a Abecs, entidade que representa o setor, as compras pagas com cartões de débito e de crédito no Brasil movimentaram 1,05 trilhão de reais em 2015, avanço de 9 por cento sobre o ano anterior, abaixo da inflação e o menor crescimento em vários anos.

Este cenário também tem provocado aumento da competição das empresas do setor por uma fatia maior do bolo da remuneração dos agentes que participam das diferentes etapas de uma compra eletrônica, incluindo bancos, bandeiras e adquirentes.

Embora não seja uma competidora direta das adquirentes, como Cielo e Rede, do Itaú Unibanco, a PayPal coordena a remuneração dos agentes quando o pagamento de uma compra é feita por meio dela.

A companhia pode, por exemplo, acertar o pagamento da compra diretamente com o lojista, o que pode envolver interesses de demais agentes que também têm ganhos financeiros nas negociações de prazos para repasse de pagamentos a lojistas.

Segundo Paula, a PayPal conseguiu no ano passado manter um crescimento de receita de dois dígitos, ritmo que deve ser mantido em 2016. No Brasil, cerca de 90 mil empresas e profissionais liberais aceitam pagamento via PayPal. A executiva disse que 2,7 milhões de usuários no país são clientes ativos da companhia, cujas operações na América Latina são lideradas a partir do escritório em São Paulo.

Batalha da Apple sobre encriptação nos EUA ainda está viva

Loja da Apple na China

 O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelará nas próximas duas semanas se manterá a tentativa de fazer com que a Apple ajude a acessar um iPhone em meio a um caso ligado a drogas no Brooklyn, segundo um documento judicial.

O Departamento de Justiça retirou nesta semana uma solicitação similar na Califórnia, afirmando que conseguiu desbloquear um iPhone usado por um dos atiradores envolvidos em um tumulto em San Bernardino em dezembro sem a ajuda da Apple.

Procuradores não afirmaram se a técnica funcionaria para outros iPhones apreendidos, incluindo o aparelho em questão no Brooklyn. Autoridades no país afirmaram que encontraram dispositivos da Apple que não conseguem acessar.

A disputa legal entre o governo norte-americano e a Apple tem sido um teste de alto nível sobre se autoridades ligadas à aplicação da lei devem ter acesso a dados encriptados de telefones.

A Apple, apoiada pela maior parte do setor de tecnologia, diz que qualquer coisa que ajude autoridades a driblar recursos de segurança prejudicará a segurança dos usuários.

Autoridades do governo afirmam que todos os tipos de investigações criminais serão prejudicadas sem dados dos telefones.

Grampo mostra Lula como interlocutor do PMDB no pré-sal

Luis Inácio Lula da Silva

 Os grampos da Operação Lava Jato que monitoraram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com autorização da Justiça mostram que, mesmo fora do governo, ele foi um dos principais interlocutores de caciques do PMDB, que nesta terça-feira, 29, desembarcam da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff.

Em conversa gravada da entre Lula e o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, no final de fevereiro, os dois discutem os bastidores da aprovação pelo Senado do projeto que acabou com a participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo nos campos do pré-sal - uma das derrotas do governo Dilma no Congresso.

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Proposta pelo senador José Serra (PSDB-SP) - arquirrival dos petistas - o projeto foi aprovado no dia 24, com texto substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR), após acordo entre o PSDB e parte da bancada peemedebista.

"A orientação que ela (presidente Dilma Rousseff) passou: só não pode dar o Serra", afirma Wagner, para Lula, em conversa após a aprovação do projeto pelo Senado.

Lula então conta que esteve reunido com a bancada governista do PMDB e tratou do assunto. "Deixa eu te falar uma coisa de bom senso, vai ficar entre eu e você essa porra. Logo que foi a primeira votação do José Serra, você está lembrado? Eu estava em um almoço, Jucá, Renan (Calheiros, presidente do Senado), (José) Sarney, (Edison) Lobão, eu. Quando me disseram que o Renan ia votar a posição do Serra, eu falei na mesa 'o Renan, pelo amor de Deus, o PMDB não pode embarcar nessa porra. O PMDB pode até flexibilizar mas garantindo que a decisão seja da Petrobras".

Para Lula, "no fundo, no fundo, um pouco dos que eles fizeram foi isso" ao aprovar o projeto, com o substitutivo de Jucá.

Briga

Ao saber de Lula que ele havia se encontrado com a cúpula congressista do PMDB, Wagner fala: "Presidente ainda bem que você tocou no ponto, porque o Renan publicamente estava trabalhando para essa posição que ficou saindo. Então a gente ia ficar no isolamento, porque o Lindbergh acha que ia ganhar."

Wagner diz que defendeu Dilma, afirmando que ela não mudou de posição. O diálogo gravado entre os dois petistas ocorre no domingo, 28 de fevereiro, após a festa de aniversário dos 36 anos do PT, no Rio, em que Lula fez discurso aos partidários.

O ministro da Casa Civil começa a conversa dizendo que tinha uma reunião marcada com senadores e que não queria desmarcar por conta da votação do projeto da Petrobras.

"A festa foi boa. Acho que não tinha aquele mal humor que a imprensa falava contra a Dilma, sabe. Eu falei ó 'tem problemas? Tem. O partido não é obrigado a acatar tudo que o governo faz, o governo não é obrigado a atender tudo que o partido quer. Mas temos que ter em conta que a Dilma é nossa presidenta. E ela sabe que somos o exército dela', afirma Lula.

O ex-presidente brincou com Wagner: "É que nem a mãe da gente, faz comida a gente não gosta, mas come".

Lula demonstrou desacordo com o enfrentamento travado pelo governo no Congresso pela aprovação do projeto - o Senado aprovou por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas abstenções, o texto substitutivo, alterando as regras de exploração de petróleo do pré-sal.

A proposta retira da Petrobras a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração dos campos.

Lula relatou, também, conversa com lideranças sindicais, que tinham ato público marcado contra o governo Dilma. "Vamos imaginar que a medida provisória do Serra era o bode. Tirou o bode da sala e colou uma coisa mais razoável, que é garantir que a Petrobras tenha preferência, mas que pode ser negociado montando uma boa diretoria da Petrobras, um bom conselho nacional de política energética", afirma Lula.

Para o ex-presidente, "ficará também muito ruim se a Petrobras mantém a titularidade e não tem dinheiro para fazer nada".

"Acho que Dilma poderia conversar com a nossa base, criando uma comissão especial para tentar fazer um acordo estratégico com os chineses em cima do pré-sal em cima desses 30%. Tentando dar para os caras um discurso que coloca, como fala, um capilé, uma rota de fuga."

Grupo dono da Friboi lança banco 100% digital

computador

 O multicampeão olímpico Usain Bolt apareceu no domingo, 27, durante o intervalo do Fantástico, na Rede Globo, dizendo que, enquanto todos diziam que aerodinamicamente era impossível ele ser o corredor mais rápido do mundo, ele pegou o que lhe ensinaram e reinventou a forma de correr.

Fez do seu jeito, como diz o slogan que agora acompanha o Banco Original que pertence ao grupo J&F, mesmo dono da Friboi.

E o jeito encontrado pelo banco foi investir R$ 600 milhões ao longo dos últimos três anos em uma plataforma totalmente digital para chegar ao varejo.

Abrir conta, tomar crédito, fazer transferências, todos os tipos de serviços financeiros serão oferecidos digitalmente para os clientes do banco. Tudo, menos os saques, claro, mas que poderão ser feitos em qualquer caixa eletrônico da rede 24 horas.

Com isso, o banco digital, idealizado pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se lança no concorrido mercado bancário de varejo. A meta é alcançar 100 mil clientes de alta renda no primeiro ano e dois milhões em uma década.

Plataforma

Foram três anos de desenvolvimento até o banco finalmente ser lançado. Meirelles, que é presidente do conselho consultivo da J&F, diz que era possível ter lançado a plataforma antes, mas ela não abrigaria a possibilidade de o cliente fazer tudo pelo celular, até mesmo a abertura de conta, sem necessitar que um gerente tivesse de colher a assinatura do cliente, por exemplo.

"Procuramos em todo o mundo modelos que pudessem servir como base, mas, para atender à legislação brasileira, tivemos de desenvolver a nossa própria plataforma."

Por questões de segurança, para evitar crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, o Banco Central faz uma série de exigências aos bancos quando cadastram seus clientes.

Para tornar o processo digital condizente com essas normas, o Original exige que, ao fazer o cadastro, o cliente envie diversas fotos para reconhecimento, além da documentação e de uma assinatura que pode ser feita digitalmente. "Vamos usar até as mídias sociais para fazer o reconhecimento", diz Meirelles.

O executivo foi o responsável por montar toda a equipe do banco e já tinha no banco digital um projeto pessoal.

Para o especialista, Antonio Bernardo, presidente da consultoria Roland Berger no Brasil, esse prazo de três anos entre o anúncio do banco e o seu lançamento, no entanto, pode ser um desafio a mais.

"Hoje, não é mais uma grande vantagem competitiva ser o primeiro (banco digital), porque existem 400 empresas tecnológicas desenvolvendo produtos financeiros", diz Bernardo.

"Qualquer dessas empresas pode ser absorvida por um grande banco, que terá a seu favor a grande base de clientes que já possui, enquanto o Original começa do zero."

Demora

O banco do grupo J&F surgiu primeiro como banco JBS, em 2008. Três anos depois, o grupo adquiriu o banco Matone, que estava em dificuldades, e, para isso, tomou emprestado mais de R$ 1 bilhão do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Mas até hoje, segundo fontes próximas ao fundo, o banco não conseguiu ter o tamanho que planejava quando fez a aquisição do Matone e se tornou o Banco Original.

Uma das ideias originalmente pensadas era comprar ou promover fusão com bancos de médio porte, mas nenhum negócio foi efetivamente fechado. Segundo Meirelles, esta não é ainda uma possibilidade descartada. "Mas não temos grande interesse em aquisições", diz.

De acordo com fontes do mercado ouvidas pela reportagem, o próprio Meirelles estaria interessado, na verdade, em ter o controle do banco.

Questionado, ele disse que "no momento não (há negociações nesse sentido). O que não significa que não posso tomar qualquer decisão (de aquisição) no futuro".

Depois de patinar por alguns anos, em 2015 o banco deu um salto de 68% no tamanho de sua carteira de crédito, saindo de R$ 2,7 bilhões e chegando a R$ 4,56 bilhões.

Cerca de R$ 1 bilhão, entretanto, foi resultado de compra de recebíveis que eram detidos por empresas do grupo J&F. O lucro da instituição foi de R$ 110 milhões no ano passado.

Justiça aceita denúncia de cartel de trens no governo Serra

Trem da CPTM, em São Paulo

 A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra sete executivos acusados de cartel e fraude à licitação de 2009, durante o governo José Serra (PSDB) em São Paulo, para a criação de uma Parceria Público Privada (PPP) no setor metroferroviário paulista.

A parceria, no valor total de R$ 1,8 bilhão, contempla a aquisição de 288 carros novos para a frota da linha 8 - Diamante da CPTM, além da responsabilidade de realizar por 20 anos a manutenção preventiva, corretiva e revisão geral da frota.

Para a juíza Roseane Cristina de Aguiar Almeida, da 28ª Vara Criminal da capital, responsável pelo caso, há indícios de que os cinco executivos da Alstom e dois da CAF denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate a Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público de São Paulo cometeram crimes.

Diante disso, a magistrada aceitou a 8ª denúncia contra empresários acusados de participar do cartel em São Paulo e deu o prazo de dez dias para que os réus respondam às acusações e indiquem testemunhas.

A denúncia tem por base as investigações do Ministério Público de São Paulo e o acordo de leniência da multinacional alemã Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2013.

Nesta licitação, apenas o Consórcio Paulista, formado pelas empresas CAF - Brasil Indústria e Comércio S.A., CAF S.A. - Construcciones Y Auxiliar de Ferrocarriles S.A. e ICF - Inversiones en Concesiones Ferroviarias S.A.,ofereceu proposta para assumir a PPP e foi a vencedora do certame.

Ainda assim, segundo a denúncia, houve crime financeiro e crime contra a administração pública, pois executivos da Alstom, CAF, Bombardier, Siemens, MGE, Mitsui e Tejofran teriam discutido estratégias para dividir o certame e até fazer parcerias.

Na acusação são listadas dez trocas de e-mails entre executivos da Alstom com referência às reuniões com representantes de outras empresas e também com a indicação de que eles não chegaram a um "acordo global" sobre como seria dividido o contrato entre as empresas.

'Competição sem competidores'

Diante disso, a denúncia aponta que a CAF já sabia que as outras empresas não iriam apresentar proposta para a licitação, o que configurou uma "competição sem competidores".

"Exatamente pelo teor das conversas (a CAF) teve a certeza da não participação de outras empresas na 'concorrência' e ofereceu o preço que bem entendeu - seguramente muito acima daquele que resultaria de ambiente competitivo, já que não encontraria qualquer resistência", assinala a denúncia.

Chamou a atenção do Gedec o fato de que o preço oferecido pelo consórcio formado pela CAF ser apenas 0,0099% abaixo do valor de referência estabelecido pela CPTM na licitação.

Além disso, dentre as trocas de e-mails que indicam as tratativas entre empresas concorrentes, uma mensagem de Cesar Ponce de Leon, de 19 de setembro de 2009, mostra a preocupação do grupo em explicar para a CPTM o porquê de apenas uma oferta, caso todas as empresas decidissem dividir o projeto.

"A solução de se juntarem todos, tem para mim o problema de que teremos que explicar ao cliente que só haverá uma oferta (pode-se justificar pelo problema de capital, dos prazos de entrega etc.). Além do mais, se os trens novos são para nós e para a CAF, acho difícil que Bombardier e Siemens o aceitem. A segunda solução (CAF e nós, + MGE mais financeiro) me parece mais viável", afirmou o executivo para seus colegas de empresa.

Em seguida, ele ainda sugere que não haveria competição se uma das empresas não participasse. "Mas haverá competição, a não ser que a Siemens 'jogue a toalha"".

Apesar de indicar a participação de executivos de outras empresas na denúncia, o Ministério Público afirma que não encontrou provas suficientes para enquadrá-los nos crimes.

Aditivo

Além da licitação com proposta única e dos e-mails indicando a estratégia conjunta das empresas, chamou a atenção do Ministério Público o fato de o governo do Estado de São Paulo ter assinado, já em fevereiro de 2015 no segundo mandato do governo Geraldo Alckmin, um aditivo de R$ 13,3 milhões, "praticamente equivalente àquele valor da diferença entre o valor de referência (da CPTM e o valor proposta (da CAF)".

A justificativa do aditivo era a instalação de equipamentos de bordo de Controle de Tráfego Automático em 36 novos trens fornecidos, o que não estava previsto no contrato inicial.

Apesar da referência, a denúncia não acusa nenhum funcionário público, nem as estatais e nem o governo de São Paulo, de irregularidades.

Na ocasião da denúncia, a Alstom e a CAF informaram que estão colaborando com as autoridades brasileiras.

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