
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Deputado apresenta denúncia contra Macri por "Panama Papers"

O deputado "kirchnerista" Norman Martínez apresentou nesta quarta-feira uma denúncia penal contra o presidente da Argentina, Mauricio Macri, para que seja investigado por evasão fiscal, após seu nome aparecer em empresas "offshore" reveladas no escândalo "Panama Papers".
A ação de Martínez, da opositora Frente para a Vitória (peronista), ocorre três dias após a revelação de que o nome de Macri consta de uma "offshore" aberta pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca.
Macri justificou a situação afirmando que trata-se de "uma operação legal", que não tem "nada de raro".
Franco Macri, pai do presidente e proprietário de um dos grupos empresariais mais importantes da Argentina, assumiu a responsabilidade por ter colocado o nome do filho como "diretor circunstancial" de uma empresa que não foi ativada.
O advogado constitucionalista Eduardo Barcesat disse nesta quarta-feira que entrará com outra ação judicial contra Macri pelo mesmo tema.
"Quando alguém constitui uma empresa "offshore", ao menos pretende sonegar impostos, e quando ocorre isto, comete crime de evasão...", disse Barcesat a jornalistas.
A Câmara dos Deputados rejeitou um pedido da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) para que Macri seja convocado pelo Congresso para se explicar sobre o caso. A iniciativa recebeu 131 votos contra, 89 a favor e 16 abstenções.
O nome de Macri aparece nas "offshore" Kagemusha S.A., inscrita no Panamá, e Fleg Trading Ltd., empresa das Bahamas, segundo a investigação "Panama Papers".
Relator classifica pedaladas como crime de responsabilidade

relator do processo de impeachment na comissão especial da Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), considerou ilegais as "pedaladas fiscais" e as classificou como crime de responsabilidade.
Na leitura de seu voto, ele afirmou que essas operações, nas quais o governo atrasava pagamento de subsídios e equalização de juros às instituições financeiras, funcionavam como um empréstimo, semelhante ao crédito rotativo.
"Diante disso, é possível, em tese, afirmar que se está diante de uma autêntica operação de crédito, embora disfarçada sob o manto de prestação de serviço", afirmou.
"A União, sob o comando da Denunciada, transformou em regra o que deveria ser absolutamente excepcional: durante meses a fio, usou recursos do próprio Banco do Brasil, e não do Tesouro, para bancar as ações de governo", argumentou.
Arantes ainda classificou as pedaladas como "operações de crédito ilegais" que ocorreram de forma sistemática e em volumes expressivos.
"Não há como afastar a possibilidade de autoria da denunciada", disse.
Ele afirmou que a possibilidade da existência de volumosos débitos em atraso do Tesouro Nacional junto aos bancos públicos afronta os princípios da transparência, do planejamento e do próprio equilíbrio fiscal.
"Estão presentes os requisitos mínimos para a admissibilidade da denúncia", observou.
Segundo o relator, a defesa não se manifestou sobre a acusação de que o governo "mascarava o orçamento inserindo informações incorretas sobre o resultado fiscal".
Dívida líquida
O relator isentou a presidente de responsabilidade no caso de disparidade entre os registros do Banco Central e do Tesouro Nacional em relação à dívida líquida do setor público.
Segundo ele, a omissão de passivos na dívida aponta para a inviabilidade de eventual processo de responsabilização da Presidente da República.
"Não se vislumbra como a ação ou a omissão da mandatária pudesse ter influenciado os procedimentos técnicos do Bacen", disse.
Ele argumentou que as condutas atribuídas à Presidente da República, de "mascarar o orçamento", e de assinar projetos de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA), fundamentados em números e estimativas incorretas, não tem respaldo.
Impeachment
O relator afirmou ainda que se impeachment fosse golpe, não estaria na lei. Ele, inclusive, lembrou de pedidos de impeachment feitos por parlamentares da base aliada do governo na época em que eles estavam na oposição.
"Não se deve mudar de opinião por conveniência, de acordo com os interesses momentâneos e apenas porque os atores são outros", afirmou.
Um dos pedidos de impeachment que ele resgatou, um feito pelo ex-deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT), de 2001, arrancou risadas dos parlamentares presentes.
Ele chamou Greenhalgh de "saudoso", como se ele estivesse morto, mas foi prontamente corrigido pelos colegas. "Se ele não estiver morto, que Deus dê muita saúde para ele", disse em resposta.
Ele argumentou ainda que não é porque a presidente Dilma Rousseff foi eleita legitimamente que estaria ela beneficiada por um salvo conduto para praticar quaisquer atos.
"Muito se tem dito nos últimos dias que esse processo seria um golpe contra a democracia. Com todo o respeito, ao contrário", disse em seu voto.
"A previsão constitucional do processo de impeachment confirma os valores democráticos adotados por nossa Constituição", defendeu.
O deputado ainda argumentou que governo cometeu gestão temerária das finanças públicas e contribuiu para uma crise fiscal sem precedentes no País.
Segundo o deputado, são notórios os indícios de que o governo se valeu de seu controle sobre os bancos oficiais, conduta proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
"O governo mascarou a difícil situação das finanças públicas e postergou ao máximo, com fins eleitoreiros, o anúncio aos brasileiros e da necessidade de promover urgentes ajustes estruturais", criticou.
O deputado ainda afirmou que as pedaladas fiscais devem ser coibidas por se tratar de uma prática condenável de gestão fiscal. Afirmou ainda que elas não foram totalmente abolidas do financiamento do setor público.
O deputado aproveitou o fim da leitura do voto para fazer críticas a situação política e econômica do País. "Houve avanços sociais nos últimos tempos, mas agora país vive falência de serviços públicos", afirmou.
AGU afirma que tinha direito de falar em comissão

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu nesta quarta-feira, 6, que o representante do órgão teria direito de se manifestar durante a leitura do relatório na comissão que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
"Entre esses direitos (da AGU), estão o de usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida com relação a fatos, documentos ou afirmações", diz o texto.
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O presidente da comissão, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), porém, rejeitou a intervenção do substituto da Advocacia-Geral da União, Fernando Luiz Albuquerque Faria. Rosso afirmou que ele poderia ficar na comissão, mas sem se manifestar.
Parlamentares chegaram a hostilizar o advogado aos gritos de "rua", "vagabundo" e "pelego". Ele se revoltou e respondeu às ofensas com dedo em riste.
Faria representou o advogado-geral da união, José Eduardo Cardozo. O ministro havia comparecido à comissão na última segunda-feira, para apresentar a defesa da presidente ao colegiado.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Falando com os advogados repentinamente famosos do Panamá

Durante décadas Jürgen Mossack e Ramón Fonseca eram os mais indicados no Panamá para os investidores internacionais que procuravam manter seu dinheiro em lugares distantes.
Mas antes mesmo de o mundo conhecer seus nomes no domingo -- em reportagens que apontaram que a empresa deles forneceu uma ajuda decisiva a líderes políticos de todo o mundo na movimentação de dinheiro para o exterior --, os advogados sabiam que sua parceria lucrativa havia começado a diminuir.
Durante uma entrevista de quatro horas na semana passada, Mossack e Fonseca soavam como dois homens em retirada: o auge da formação massiva de empresas de fachada para os clientes havia acabado; a empresa vem considerando reduzir sua franquia internacional; e Mossack expressou frustração sobre como as ambições políticas de Fonseca estavam rendendo a eles uma indesejável atenção dos órgãos reguladores e da imprensa.
Apenas alguns dias antes, Fonseca havia deixado o cargo de assessor especial do presidente Juan Carlos Varela, dizendo que queria concentrar suas atenções nos negócios.
“Teremos que ficar do tamanho certo -- menores”, disse Fonseca. Para o codiretor de uma empresa que ao longo das últimas décadas ajudou a revolucionar a forma de as empresas e os indivíduos ricos estruturarem seus investimentos pelo mundo -- e popularizou as Ilhas Virgens Britânicas como um hub --, a declaração marca uma grande diminuição na ambição.
Muitos dos detalhes das operações da Mossack Fonseca foram revelados em documentos vazados que, segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), mostraram como várias celebridades e líderes mundiais vêm escondendo bilhões de dólares por meio de bancos e empresas de fachada. (A Bloomberg News não faz parte do ICIJ e não sabia do vazamento quando a entrevista foi realizada, em 29 de março).
Entre aqueles que, segundo o ICIJ, usaram os serviços da empresa para ajudá-los a esconder dinheiro no exterior estão o presidente argentino, Mauricio Macri, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e associados do presidente russo, Vladimir Putin. As autoridades desses países negaram irregularidades, assim como o escritório de advocacia, que disse em um comunicado que “não estimula, nem promove atos ilegais”. A empresa também se recusou a comentar sobre qualquer de seus clientes identificados nas reportagens. Na segunda-feira, Mossack disse em entrevista por telefone que o vazamento ocorreu porque os computadores da empresa foram hackeados e que um detetive externo havia sido contratado para investigar o caso.
‘Da Vinci’
Dos dois homens, Mossack, 68, de raízes alemãs, é quem exibe um domínio agudo das engrenagens do negócio. Foi ele que falou por mais tempo durante a entrevista em seu escritório, na Cidade do Panamá. O edifício é elegante, com uma fachada de vidro distinta, mas parece pequeno perto dos arranha-céus que dominam o distrito financeiro. Do outro lado da rua está o icônico F&F Tower, um edifício em forma de espiral que ajudou a dar à cidade, em franca expansão, o apelido de “Dubai das Américas”. Enquanto falavam, naquela manhã, os dois homens estavam ladeados pelo diretor jurídico e mais dois consultores. No total, a empresa emprega cerca de 500 pessoas no Panamá e em todo o globo.
Se Mossack é o sujeito da praticidade, Fonseca, 63, é um autoproclamado sonhador.
Ele diz que seus amigos o chamam de “Da Vinci” por seus interesses em política, legislação, negócios, cartas e filantropia. Ele escreveu meia dúzia de romances ao longo dos anos e por um tempo, quando jovem, considerou a possibilidade de se tornar padre.
Foi durante seu período como burocrata na Organização das Nações Unidas em Genebra, quando estava rodeado de advogados internacionais, que Fonseca afirma ter sido atraído pelo misterioso mundo dos negócios offshore. “Um dia me ocorreu que eu também poderia fazer aquilo”, disse ele. “Eu criei meu pequeno escritório, deixei a ONU e comecei com uma secretária para criar e vender empresas”. Ele se uniria a Mossack logo depois.
Como vender carros
A formação de empresas offshore virou rotina para corporações, fundos de investimentos, escritórios familiares e indivíduos bilionários. Jurisdições com impostos baixos, ou zero, oferecem lugares para estabelecer a sede de uma empresa ou para enviar e guardar dinheiro, ações corporativas, objetos de arte e outros ativos. A edificação de uma estrutura com essa finalidade normalmente custa apenas alguns milhares de dólares. Uma vez que os honorários são entregues a empresas como a Mossack Fonseca, a estrutura organizacional e operacional da entidade é elaborada e registrada na jurisdição local. Depois, são cobrados honorários anuais para manutenção da empresa.
Embora as holdings offshore muitas vezes estejam dentro da lei, elas também podem ser usadas para esconder riquezas. Desde a crise financeira de 2008 os governos ocidentais têm buscado lançar mais luz sobre os centros bancários offshore, argumentando que eles podem ser usados para sonegar impostos ou para esconder recursos ilícitos.
Ao abordar a questão da legalidade, Mossack gosta de traçar uma analogia com a indústria automotiva. Quando você cria centenas de milhares de empresas offshore, diz ele, algumas estão fadadas a terminar nas mãos de pessoas desonestas: esta é, simplesmente, a natureza do negócio, e não é culpa do fabricante. Ele fez uma referência ao fato de a Volkswagen ter realizado o recall de alguns de seus carros antes de um dos consultores da empresa sugerir que aquele não era o paralelo mais apropriado. A atenção à qual os sócios estão sendo submetidos, diz Mossack, decorre em parte de todo o sucesso deles ao longo dos anos.
Raízes na navegação
A história de como o Panamá se transformou em parada obrigatória no negócio de investimento offshore remete há quase um século, aos anos imediatamente posteriores ao término da construção do canal interoceânico.
O país centro-americano já estava se transformando na bandeira de escolha das empresas de navegação que buscavam evitar as regras trabalhistas e fiscais mais rigorosas em seus países quando as autoridades panamenhas basearam suas exigências para a incorporação de empresas nas leis de Delaware, estado americano que protege as informações sobre a propriedade. O Panamá não cobra impostos dos estrangeiros sobre rendimentos obtidos no exterior.
Embora o Grupo de Ação Financeira Internacional tenha elogiado recentemente os esforços de repressão à lavagem de dinheiro, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico chama o Panamá de “o último grande reduto que continua permitindo a ocultação offshore de recursos das autoridades tributárias e judiciais”. O gabinete da presidência do Panamá disse em um comunicado que pratica tolerância zero para qualquer operação jurídica ou financeira que não seja realizada com os mais elevados padrões de transparência.
Independentemente de as novas regras atenderem ou não os padrões da OCDE, o setor está sentindo o aperto, segundo Mossack e Fonseca. Uma lei implementada em 2011 exigiu que os agentes registrados no Panamá fornecessem informações sobre os clientes quando pedidas no caso de todas as novas corporações e as Ilhas Virgens Britânicas adotaram restrições ao processo de due diligence.
Trata-se de uma grande diferença em relação aos anos de rápida expansão, um período em que, segundo Mossack, ele e Fonseca costumavam manter um vasto inventário de “empresas de fachada” à mão porque os bancos chegavam a pedir até 100 de uma vez só. O vazamento de documentos deste fim de semana só vai aumentar os problemas da empresa, disse ele.
“A verdade veio à tona”, disse Mossack. “Agora teremos que arcar com as consequências”.
Por que Emma Watson não fará mais publicidade de cosméticos

A atriz inglesa Emma Watson, 25, está super envolvida com o feminismo.
Recentemente, ela anunciou a criação de um clube do livro feminista e que até deixará de atuar por um ano para se dedicar à causa.
Agora, Watson deu mais um passo a fundo pela igualdade de gênero.
Um porta-voz da atriz disse ao Refinery29 que ela não participará mais de publicidade de produtos de beleza. O motivo? Watson acredita que as marcas não representam eficientemente a diversidade da beleza feminina.
O anúncio vem em seguida a um burburinho na internet – citado pelo Refinery29 – que relembrou a participação da atriz, entre 2011 e 2013, na publicidade do corretivo de pele Blanc Expert, da marca francesa Lancôme:
O cosmético serve para ser aplicado sobre cicatrizes de acne e manchas na pele, e não exatamente para clareá-la. Entretanto, Watson foi criticada nas redes por ter feito parte da campanha do produto:
"Ao endossar produtos branqueadores de pele, Emma Watson endossa a hierarquia da raça, a discriminação de cor de pele e a frequente brancura dos padrões de beleza."
"Tenho torcido por Emma Watson desde criança, mas a defesa dela de produtos branqueadores de pele e o racismo implícito [nisso] são indefensáveis."
"Ei, Emma Watson, você consegue escolher um lado e não mudar de ideia?
"Se você precisou ver Emma Watson em anúncios de branqueadores de pele para entender o feminismo de classe média dela, então eu honestamente sinto muito por você."
É realmente necessário criticarmos a atriz por uma publicidade antiga? O anúncio de seu porta-voz demonstra uma mudança de posicionamento por parte de Watson. Isso é o suficiente?
A receita de Marcos Lisboa para superar a crise

Marcos Lisboa participou da equipe liderada pelo ministro Antonio Palocci, que ajudou o presidente Lula a conquistar a confiança dos investidores em seu primeiro ano de mandato.
Um dos nomes fortes da equipe econômica junto com Henrique Meirelles e Joaquim Levy em 2003, hoje Lisboa desconversa quando perguntado se tem participado da elaboração de propostas para um eventual governo do vice Michel Temer, no caso de a presidente Dilma ser afastada.
“Eu converso com todo mundo, todos que queiram discutir propostas sobre políticas públicas, independente de partido”, disse Lisboa em entrevista por telefone à Bloomberg.
O ex-secretário de política econômica da Fazenda defende mudanças profundas para o país corrigir os erros cometidos desde 2008 e retomar o crescimento. Veja suas principais ideias:
1) Conter a expansão da dívida -“Não há sinal de enfrentamento da crise. Parece que há uma negação da gravidade do problema”, diz o economista, que é presidente do Insper. O país precisa conter o crescimento da dívida, que está em trajetória insustentável, afirma. Para Lisboa, a crise econômica é anterior à crise política. “Ela vem das escolhas erradas que o Brasil fez a partir de 2008 e 2009.”
2) Segurar os gastos - Os gastos públicos não podem continuar crescendo acima da variação do PIB. Para ele, o país precisa segurar a expansão das despesas públicas para não ser obrigado a elevar ainda mais os impostos. A alternativa, adverte, seria a insolvência do Estado. Se os gastos não forem contidos, a carga tributária não apenas não vai cair, como defendem os empresários, como a tendência será subir.
3) Reforma da Previdência - Um dos pontos principais numa estratégia de contenção dos gastos públicos é combater as aposentadorias precoces, ampliando a idade mínima para obtenção dos benefícios. Esta idade, que no Brasil é em média de 55 anos para homens, nos países desenvolvidos está entre 65 e 67 anos, diz Lisboa, que defende ainda o fim do acúmulo de aposentadorias.
4) Reforma tributária - O que já era ineficiente ficou ainda pior nos últimos seis anos com o aumento das desonerações, diz Lisboa. “O sistema tributário brasileiro é disfuncional.” É preciso combater as distorções do sistema, que incluem alíquotas diferentes para produtos semelhantes ou iguais.
5) Abertura comercial - O Brasil precisa estimular a concorrência. “Perdemos o bonde da história”. Ele observa que vários países nas últimas décadas fecharam acordos comerciais, enquanto o Brasil praticamente ficou fora desse processo. Assim como deve ser feito com a reforma tributária em geral, no caso das alíquotas de importação, Lisboa também defende um tratamento “mais linear”.
6) Inflação - Lisboa considera que o Brasil mostrou “maior leniência” no combate à inflação, o que ajudou a aprofundar a crise nos últimos anos. “Você não chega a uma situação dessas com poucos erros.” Mesmo considerando que a política de controle da inflação do BC não foi adequada, Lisboa pondera que este poderá se tornar um problema menor à medida em que sejam enfrentados os outros aspectos da crise, como o déficit público e a expansão da dívida.
7) Estabilidade de regras - A correção dos erros de política econômica dos anos anteriores poderá ajudar o governo a reconquistar a confiança dos investidores. No entanto, também é preciso que as regras sejam estáveis. Ele cita como exemplo de equívoco a tentativa do governo de intervir no setor elétrico no primeiro mandato de Dilma, reduzindo tarifas para tentar controlar a inflação. O país usou “mecanismos heterodoxos” de controle dos preços.
8) Eficiência do gasto - Em conjunto com a contenção do aumento de gastos, o país precisa de uma agenda de racionalização das despesas. É preciso aumentar a qualidade dos gastos, concentrando o foco em atividades que sejam “realmente sociais”. “O Brasil sempre gasta demais para ter resultado de menos. Precisamos ter uma avaliação das políticas públicas”
9) Crédito público - A concessão de crédito subsidiado é “parte dos problemas” do país, diz Lisboa. “A diferença entre o que o Tesouro paga e o que o governo cobra nos empréstimos é paga pela sociedade”.
10) Concessões - O país deve estimular mais o investimento privado para modernizar a infraestrutura, diz Lisboa. Para isso, é necessário ter um bom “ambiente de negócios”, o que inclui o funcionamento pleno das agências reguladoras.
Ao final da entrevista, perguntado se chegou a receber alguma sondagem para fazer parte da equipe de um eventual governo Temer, Lisboa riu, disse que precisava ir para uma reunião e não respondeu.
Papéis da Latam Airlines deixarão de ser listados no Brasil

A Latam Airlines, maior grupo de transporte aéreo da América Latina, disse nesta terça-feira que suas ações deixarão de ser listadas na bolsa brasileira, devido à baixa representatividade destes papéis nos mercados em que opera.
A Latam Airlines, que inclui as operações da chilena LAN e da brasileira TAM, mantinha até o final de março um programa de BDRs na bolsa paulista, que representava 0,44 por cento do total das ações do conglomerado.
Essa porcentagem correspondia aos acionistas que possuíam títulos da TAM e que decidiram não trocar suas ações por uma da Latam Airlines quando LAN e TAM concretizaram sua fusão em 2012.
"O Conselho de Administração da Latam Airlines aprovou nesta data o cancelamento do programa de BDRs (...)", disse a companhia em comunicado, acrescentando que a decisão não afeta o compromisso de longo prazo com o Brasil. Cada BDR equivale a uma ação ordinária da Latam Airlines.
O grupo com matriz em Santiago tem unidades de operação na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru, enquanto suas ações estão listadas na Bolsa de Santiago e em Wall Street.
Os donos de BDRs terão a opção de liquidar seus papéis na bolsa de Santiago ou trocá-los por ações da Latam nos próximos 30 dias.
Custo de vida de São Francisco provoca fuga de trabalhadores

Quando David Nichols, executivo de uma companhia fabricante de software de automação, e sua esposa estavam se preparando para aumentar a família no ano passado, ele soube que o aluguel do escritório dele em São Francisco ia dar um salto de 50 por cento.
Então ele fez as malas e se mudou para Portland, Oregon.
O boom de empregos de tecnologia que tornou São Francisco um dos lugares mais caros para se morar nos EUA está começando a perder força porque a cidade está ficando muito cara para os empregados.
Isso tem levado algumas empresas a abrir escritórios em lugares como Seattle, Portland e Los Angeles para atrair engenheiros de software muito procurados que desejam uma qualidade de vida similar com um preço mais baixo.
“Quando você olha em outros lugares, o custo de vida é totalmente diferente”, disse Nichols, 34, CEO da Automation Resources Group, que espera ser pai de uma menina este mês.
“Compramos uma casa bonita estilo Craftsman em um bairro espetacular e isso simplesmente não teria sido possível em São Francisco”.
A cidade do Uber
A quarta maior cidade da Califórnia se transformou em um centro de startups de tecnologia e redes sociais e na cidade do Twitter, do Uber e do Airbnb.
Seus funcionários bem pagos lotam a cidade de mais de 800.000 habitantes, o que impulsiona os preços das casas para patamares fora do alcance até mesmo de quem ganha salários de seis dígitos. A mediana de valores das propriedades de São Francisco era US$ 1,1 milhão e a mediana de aluguéis mensais era US$ 4,547 em fevereiro, as mais altas entre as cinquenta maiores cidades dos EUA, segundo dados da Zillow.
“Vemos cada vez mais transferências para fora de São Francisco”, disse Mehul Patel, CEO da Hired, uma startup de São Francisco que conecta quem procura emprego com empregadores. “Considerando de fato o custo de vida, há lugares muito melhores para morar”.
Nos últimos doze meses, houve um fluxo constante de funcionários que se mudam de São Francisco para Seattle, Denver, Austin e a área de Los Angeles, disse Patel. Muitos trabalhadores de tecnologia começam em São Francisco para aumentar o salário e se consolidar antes de se mudar para mercados mais acessíveis, acrescentou ele.
Casas caras
O emprego gerado pela tecnologia, que inclui empresas de internet, desenvolvimento de software e servidores de dados, cresceu 5 por cento em São Francisco nos doze meses encerrados em fevereiro, frente a um aumento de 10,3 por cento no ano anterior, segundo dados da Agência de Estatísticas de Trabalho.
Em mercados menores, o crescimento do emprego está acelerando: 7,6 por cento em Portland, 7,8 em Seattle e 4,6 por cento em Los Angeles, mostram os dados.
Os preços dos imóveis nessas cidades são de pelo menos metade daqueles em São Francisco, com valores medianos de US$ 351.700 em Portland, US$ 536.700 em Seattle e US$ 569.500 em Los Angeles, mostram dados da Zillow.
Um engenheiro de software em Austin com um salário de US$110.000 teria que ganhar US$ 195.000 para manter a mesma qualidade de vida em São Francisco, segundo um relatório da Hired. A média de salários anuais dos funcionários de tecnologia é de US$ 118.243 em São Francisco e Vale do Silício, segundo dados do Dice.com, um site de empregos em tecnologia com sede em San Jose.
A publicação de vagas em tecnologia para São Francisco e o Vale do Silício listadas no Dice.com caiu 6 por cento nos doze meses encerrados em março, disse o presidente do Dice.com, Bob Melk. Elas aumentaram 38 por cento em Seattle, 12 por cento em Austin e 6 por cento em Phoenix.
As empresas de tecnologia de São Francisco continuam crescendo. A Salesforce.com, a maior companhia de capital aberto do setor com sede em São Francisco, segundo o valor de mercado, aumentará sua força de trabalho pela taxa estimada de 24 por cento neste ano, disse Ana Recio, vice-presidente sênior de recrutamento global.
“O cenário geral ainda é de crescimento, embora a um ritmo mais lento”, disse Enrico Moretti, professor de Economia da Universidade da Califórnia em Berkeley. “Os preços estão altos porque as pessoas podem pagá-los e querem morar aqui”.
Polícia mais violenta do Brasil mata sete pessoas em 2 dias

Entre sábado (2) e segunda-feira (4), as forças policiais do Rio de Janeiro se envolveram em três casos que mostram, em termos práticos reais, os motivos que a colocam como a mais violenta do Brasil – isso comprovado pelos números.
Em comum em todos eles, a suspeita de força desproporcional contra civis, todos em comunidades carentes do Rio.
No sábado, o menino Matheus Santos de Moraes, de 5 anos, foi atingido por um disparo em Magé, na Baixada Fluminense.
O autor do disparo seria um policial militar. Segundo o jornal O Dia, está sendo investigada a suspeita de que os policiais envolvidos na operação, que gerou um tiroteio com traficantes, fraudaram a cena do crime.
Foi essa morte que fez 12 ônibus serem queimados por moradores, revoltados com mais um episódio de letalidade policial.
No mesmo dia, João Batista Soares de Souza, de 29 anos, foi morto por um disparo dentro de casa, na favela de Manguinhos, na zona norte do Rio.
Reportagem do site Ponte aponta que um grupo de policiais e um ‘Caveirão’ – veiculo blindado da PM fluminense – estavam na região. Não havia tiroteio, segundo os moradores. O disparo na cabeça do homem, um trabalhador, foi fatal.
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