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terça-feira, 17 de maio de 2016

Políticos da Itália e Venezuela brigam durante evento da UE

Antonio Tajani
Um político da Itália e outro da Venezuela se envolveram numa discussão durante uma reunião em Portugal. O encontro tinha o intuito de aproximar legisladores do Parlamento Europeu e órgãos legislativos na América Latina.
Antonio Tajani, vice-presidente do Parlamento Europeu, fez um discurso crítico no qual acusou a Venezuela de violar direitos humanos.
Em seguida, o deputado venezuelano Dario Vivas abordou Tajani no corredor e gritou "vocês são uma desgraça!" diante de espectadores surpresos.
"Vocês é que são uma desgraça! Vocês são uma ditadura!", retrucou Tajani. Vivas ainda respondeu: "Mostre a prova disso. Somos um país soberano!"  

Odebrecht quer Dilma e mais 14 como suas testemunhas

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato
 Menos de uma semana após ser afastada temporariamente da presidência da República por decisão do SenadoDilma Rousseff (PT) foi arrolada como testemunha do maior empreiteiro do país, Marcelo Odebrecht, na Lava Jato.
O nome da petista aparece em último na lista de 15 pessoas que o empreiteiro, já condenado a 19 anos e quatro meses de prisão em uma das ações penais da Lava Jato, arrolou como testemunhas que a defesa considera serem "imprescindíveis" de serem ouvidas.
Além da petista, Odebrecht solicita como testemunhas os ex-ministros da Fazenda nos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci e Guido Mantega, respectivamente, além do ex-ministro da Secretaria de Comunicação no governo Dilma, Edinho Silva.
Ao arrolar Dilma, Mantega, Palocci, Edinho e mais onze pessoas como suas testemunhas, o empreiteiro não explica o que espera que tais autoridades digam a seu favor perante a Justiça.
O juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em 1ª instância, pode exigir que o empreiteiro explique a razão de ter arrolado tais pessoas, a exemplo do que fez com outros réus que chamaram políticos e até ministros para suas defesas na Lava Jato.
A lista de testemunhas faz parte da defesa prévia de Odebrecht, primeira manifestação dos advogados do empresário após a denúncia contra ele ser aceita pelo juiz Sérgio Moro.
Os advogados do executivo pedem, inicialmente, que ele seja absolvido das acusações e que, caso o juiz Moro siga com a ação, sejam ouvidas as testemunhas dele.
Nesta ação penal, Marcelo Odebrecht é acusado de liderar o "departamento de propinas" da Odebrecht, revelado pela Operação Xepa, 26ª fase da Lava Jato.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o empreiteiro tinha conhecimento do departamento e, inclusive, teria atuado para desmontá-lo e proteger os funcionários das investigações.
Ao todo, são 12 réus acusados de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, incluindo o publicitário João Santana e sua sócia e mulher Mônica Moura, marqueteiros das campanhas eleitorais de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014).
Também foi denunciada Maria Lúcia Tavares, ex-secretária que atuava no Setor de Operações Estruturadas, nome oficial do "departamento de propinas" da Odebrecht. Ela fez acordo de colaboração e revelou como funcionava o esquema de pagamentos ilícitos da empreiteira.
Nesta acusação, o Ministério Público Federal delimitou a denúncia aos repasses do setor de propinas para o casal de marqueteiros, que teriam recebido US$ 6,4 milhões no exterior de contas atribuídas à Odebrecht e R$ 23,5 milhões no Brasil.
Além dos funcionários do setor da empreiteira, que tinham um software próprio para fazer a contabilidade da propina e um outro, chamado Drousys, em que eles se comunicavam por apelidos, o MPF afirma na denúncia que dois doleiros também teriam atuado para o "departamento da propina", por meio de operações dólar-cabo, nas quais eles recebiam repasses da Odebrecht no exterior e disponibilizavam em dinheiro vivo no Brasil.
Ao todo foram 45 pagamentos aos marqueteiros no Brasil, de 24 de outubro 2014, ainda durante o período eleitoral, até 22 de maio 2015, "o que mostra um acinte em relação à Justiça", afirmou o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ao explicar a acusação.
"Eles (Odebrecht) não paravam de cometer crimes, o que reforça a necessidade da manutenção da prisão de Marcelo Odebrecht", seguiu Dallagnol, que fez duras críticas à postura da empreiteira ao longo das investigações.
A denúncia do setor de propinas não tem relação com a Petrobras. As investigações da Lava Jato revelaram que o setor de propinas movimentou muito mais dinheiro, sem relação com a estatal petrolífera, e para muitos outros destinatários envolvendo inclusive outras obras da empresa. Estes casos ainda estão sob investigação.

Contribuinte já pode consultar extrato da declaração do IR

Receita Federal libera o programa da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2016, ano-base 2015
O contribuinte já pode consultar o extrato de processamento para saber se houve erro na declaração do Imposto de Renda e fazer a correção.
Para consulta, é preciso acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte(e-CAC). Segundo a Receita Federal, quem enviar nova declaração com os dados corretos fica automaticamente liberado da malha fina.
Para entrar no e-CAC é preciso informar o número do CPF e inserir um código de acesso e uma senha, que o contribuinte pode gerar no próprio site.
No ambiente virtual, além de checar se há pendências, é possível autorizar o envio de informações para celular ou tablet, a fim de acompanhar o processamento da sua declaração.
Se a declaração entrar ou sair da malha fina, por exemplo, o contribuinte será avisado pelo dispositivo móvel. Para isso, além de se cadastrar no e-CAC, é preciso instalar e ativar o serviço no aplicativo do Imposto de Renda Pessoa Física.
A Receita informou que, em dezembro do ano passado, após o fim do processamento dos lotes de restituição, havia 617.695 declarações retidas na malha fina.

Professora da PUC assumirá secretaria de Direitos Humanos

Flávia Piovesan aceita assumir secretaria de Direitos Humanos do governo Temer
 A procuradora e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Flávia Piovesan disse ter aceito o convite do presidente em exercício, Michel Temer, para assumir a Secretaria de Direitos Humanos.
"O meu partido é a luta pela causa. Não tenho qualquer filiação partidária. Meu desafio é trazer contribuição para garantir avanços e evitar retrocessos", afirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo" nesta tarde de terça-feira,17.
Ela já comunicou a equipe de Temer sobre sua decisão e deve viajar a Brasília na próxima semana.
A intenção da nova responsável pela área é priorizar avanços em discussões sobre combate à violência contra a mulher, reforço a políticas afirmativas para negros - Flávia é uma defensora das políticas de cotas, por exemplo -, cuidados com a proteção às terras indígenas e debate sobre diversidade sexual.
Em sala de aula, a professora da PUC costuma defender que a sociedade enfrente "conservadorismos" para avançar nas garantias a direitos fundamentais.
À frente da secretaria, promete dialogar com movimentos sociais para delimitar as prioridades da gestão do órgão.
"O momento é nervoso, é difícil, mas vamos fazer o diagnóstico de quais são as prioridades. Vamos diagnosticar onde estamos e lançar estratégias buscando avançar na luta emancipatória", afirmou Flávia Piovesan.
Considerada no meio jurídico como uma das principais expoentes da defesa dos direitos fundamentais, Flávia minimizou o fato de Temer ter feito uma composição majoritariamente masculina para a composição do governo interino.
"É fundamental avançar a democratização dos espaços de poder e fico muito feliz por ele ter nomeado ineditamente uma primeira mulher para chefiar o BNDES. E aguardo que outras sejam nomeadas", afirmou, questionada sobre o assunto.
Flávia Piovesan já foi cotada, durante governos do PT, como possível candidata a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem a simpatia do ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, por exemplo, além de outros nomes ministeriais ligados à gestão da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É professora das disciplinas de Direitos Humanos e Direito constitucional na PUC-SP. Já foi observadora das Nações Unidas e de comitês internacionais. Formada pela PUC-SP - onde Temer se doutorou e exerceu a função de professor -, Flávia Piovesan doutorou-se em Harvard e tem uma lista de passagens acadêmicas internacionais.

Dólar cai abaixo de R$3,50 após indicação de Ilan ao BC

Mão segurando notas de dólares
dólar encerrou em queda nesta terça-feira, abaixo dos 3,50 reais, com o mercado recebendo bem a indicação de Ilan Goldfajn para presidir o Banco Central e com os ganhos nos preços do petróleo favorecendo moedas de países emergentes.
Mais uma vez, o BC não atuou no mercado cambial, a terceira sessão seguida. Foi um dia de sobe e desce da moeda norte-americana no mercado local, com receios sobre a proximidade de elevação nos juros norte-americanos mantendo os investidores cautelosos.
O dólar recuou 0,36 por cento, a 3,4915 reais na venda, após cair 0,62 por cento na mínima do dia, a 3,4825 reais, e subir 0,72 por cento, a 3,5295 reais, na máxima. O dólar futuro recuava cerca de 0,4 por cento no fim da tarde.

México quer legalizar casamento gay em todo o país

Casamento gay é liberado em igreja luterana na Noruega
O presidente do México, Enrique Peña Nieto, anunciou nesta terça-feira (17) que enviará ao Congresso uma reforma constitucional para a legalização do casamento gay em todo o país.
"Vou assinar uma iniciativa de reforma do 4° artigo da Constituição para incorporar, com toda a clareza, o critério da Suprema Corte de Justiça da Nação de reconhecer como um direito humano que as pessoas possam contrair matrimônio sem discriminação", disse Peña Nieto, em um encontro com organizações de defesa dos direitos dos homossexuais.
A Cidade do México foi a primeira jurisdição da América Latina a contar com uniões legais de pessoas do mesmo sexo, após aprovar em 2007 a chamada "sociedade de convivência" e, em 2009, o casamento.
Outros três estados, Coahuila (norte), Nayarit e Quintana Roo (leste), dos 31 que formam o México, modificaram seus respectivos códigos civis para avalizar o casamento gay. Um quarto, Campeche, já aprovou a legislação, faltando apenas implementá-la.
Em junho de 2015, porém, a Suprema Corte de Justiça da Nação emitiu uma sentença, obrigando os juízes a conceder um recurso de amparo aos casais homossexuais que quiserem se casar.
No Dia Nacional de Luta contra a Homofobia, Peña Nieto se pronunciou a favor de que "os casamentos se realizem sem discriminação por deficiência, condição social, saúde, religião, de gênero, ou de preferências sexuais".
Com essa iniciativa, "ficaria explícito o casamento igualitário na nossa nação como determinou a Suprema Corte de Justiça", insistiu o presidente, que considerou indevido que os casais gay tenham direitos em alguns estados e, em outros, não.

Ibovespa fecha em queda de 1,8% e abaixo de 51 mil pontos

O IBovespa é apenas um, dos 14 índices negociados atualmente pela BM&FBOVESPA
ão Paulo - A Bovespa fechou com o seu principal índice em queda de quase 2 por cento nesta terça-feira e abaixo de 51 mil pontos, afetada pela piora dos pregões em Wall Street em meio a apreensões relacionadas ao ciclo de aumento dos juros norte-americanos.
A alta de commodities ficou em segundo plano, com ações de bancos guiando as perdas no pregão brasileiro, em sessão que também teve como pano de fundo o anúncio da equipe do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Ibovespa caiu 1,86 por cento, a 50.839 pontos.
O giro financeiro somou 7 bilhões de reais, influenciado por oferta pública de aquisição de ações da Arteris, que movimentou cerca de 527 milhões de reais.
Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,94 por cento, com dados de inflação ao consumidor nos EUA e comentários de autoridades do Federal Reserve endossando expectativas de alta de juro mais tarde neste ano.
Do front doméstico, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou que o economista Ilan Goldfajn será o novo presidente do Banco Central, agradando o mercado, que agora espera medidas concretas para a economia.
DESTAQUES 
- BRADESCO caiu 3,24 por cento e ITAÚ UNIBANCO perdeu 2,13 por cento, apesar da avaliação positiva sobre a equipe econômica, mas que, de modo geral ficou em linha com as expectativas. Ao mesmo tempo, a retomada de especulações de aumento do tributo sobre combustíveis Cide trouxe apreensão sobre elevações de outros tributos, como CSLL e IOF, citaram operadores, afetando o setor financeiro como um todo.
BANCO DO BRASIL cedeu 4,83 por cento.
- PETROBRAS encerrou com as preferenciais em baixa de 2,56 por cento, enquanto as ordinárias perderam 1,12 por cento, a despeito da melhora dos preços do petróleo, tendo no radar lançamento de títulos de cinco e dez anos denominados em dólares pela estatal. Também repercutiram especulações sobre eventual volta da Cide e potencial mudança do comando da empresa.
- GERDAU fechou em baixa de 2,6 por cento, ainda pressionada pelo indiciamento na véspera de 19 pessoas no âmbito da operação Zelotes, incluindo, segundo a mídia, o presidente-executivo do grupo, André Gerdau Johannpeter. GERDAU METALURGICA perdeu 5,19 por cento. No pior momento, as duas ações caíram ao redor de 6,5 por cento.
- VALE encerrou com as preferenciais em alta de 2,9 por cento, encontrando suporte na alta dos preços do minério de ferro na China <.IO62-CNI=SI>m, e exercendo a maior influência positiva para o Ibovespa.
- COSAN subiu 3,22 por cento, em meio à retomada de discussões para aumento na Cide, que, se confirmado, favorece a companhia.
- LOJAS AMERICANAS subiu 6,36 por cento, em nova sessão de forte alta, tendo como pano de fundo melhora recente na recomendação por analistas.

Índios protestam contra retrocesso em demarcação de terras

Índios protestam na porta da Câmara dos Deputados em Brasília
Um grupo de 44 indígenas protesta no Palácio do Planalto contra retrocessos nas políticas de demarcações de terras tradicionais e para defender direitos constituicionais indígenas.
Eles chegaram no local pouco depois das 15h, e fazem rituais, rezas, cantos e danças tradicionais com instrumentos musicais e roupas tradicionais.
Representantes do governo que foram até a manifestação tentaram conversar com os indígenas, que bloqueiam apenas uma faixa da avenida em frente ao Planalto, mas ainda não conseguiram uma interlocução.
De acordo com Leila, guarani-nhandeva, que reside na fronteira do Mato Grosso do Sul, o grupo reivindica o direito à terra.
"Queremos a homologação e demarcação das terras no Mato Grosso do Sul. Nós vamos ficar aqui até haver", afirmou.
Antes do protesto, o Conselho Indígena Missionário (Cimi) divulgou uma nota em que manifesta preocupação com informações veiculadas de que o presidente interino Michel Temer pretende revogar atos administrativos demarcando terras indígenas nos últimos dias do governo da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Governo define concessões e parcerias público-privadas

Moreira Franco
O secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, Moreira Franco, está reunido na tarde de hoje (17) com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, para discutir o plano de trabalho do atual governo na área de concessões e parcerias público-privadas
Nos próximos dias, o governo federal deve lançar o programa Crescer, que vai abranger todas as ações na área.
A ideia é definir regras padronizadas para concessões na área de infraestrutura, de modo que não haja atrasos nas licitações.
Segundo Moreira Franco, a expectativa com relação as parcerias é desobstruir os empecilhos na regulamentação, na questão da segurança jurídica e na definição clara do papel dos estruturadores.
“O programa de parcerias pretende retirar entraves burocráticos e excesso de interferência do Estado nas concessões”, disse recentemente Moreira Franco em sua conta no microblog Twitter.
Também participam da reunião os presidentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), José Botelho, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fonseca, e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos.

Pesquisa mundial mostra redução de leis para LGBTs

Bandeira do movimento LGBT

 Duas pesquisas divulgadas hoje (17) pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga) mostram que o número de países com leis que permitem a homofobia caiu nos últimos 11 anos e que a aceitação pública de pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) está crescendo.
Os dados foram divulgados por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia.
De acordo com a entidade – que representa 1,2 mil organizações de defesa dos direitos LGBT em 125 países – em 2006, 92 nações tinham leis que consideravam crime o sexo entre pessoas do mesmo sexo.
Em 2016, o número de países que têm esse tipo de lei discriminatória caiu para 75.
O estudo sobre a legislação homofóbica foi elaborado pelo professor Aengus Carroll, pesquisador da Universidade College Cork, na Irlanda. Segundo a pesquisa, 13 países integrantes da Organização das Nações Unidas preveem a pena de morte para homossexuais, entre ele o Sudão, a Arábia Saudita e o Iêmen.
Em outros 14 países a punição para o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo é de 15 anos de prisão à prisão perpétua. E outros estudam adotar leis semelhantes.
Mudanças
O outro levantamento divulgado pela Ilga revela que a aceitação pública das pessoas LGBT está crescendo.
A pesquisa, que avaliou atitudes públicas para questões específicas relacionadas com a orientação sexual, identidade de gênero e características sexuais, consultou 96 mil pessoas em 65 países, em entrevistas online.
Segundo a Ilga, é a maior investigação já realizada em todo o mundo sobre atitudes em relação às pessoas LGBT.
Os resultados mostram que 68% dos entrevistados ficariam muito preocupados se um filho ou uma filha dissessem amar alguém do mesmo sexo.
Segundo a Ilga, “um resultado surpreendente e bem-vindo foi saber se os direitos humanos devem ser aplicados a todas as pessoas, independentemente por quem se sentem atraídos, ou do sexo com o qual se identificam”.
Em média, 67% das pessoas entrevistadas concordaram com a aplicação dos direitos humanos a todos, independente da orientação sexual.
O índice dos que concordam com a afirmação foi de 62% entre os entrevistados da África; 63% na Ásia; 69% nas Américas, 71% na Europa; e 73% na Oceania.
Com as pesquisas sobre leis discriminatórias e sobre a atitude da sociedade perante a comunidade LGBT, a Ilga pretende prover com informações os trabalhos da ONU sobre orientação sexual e ajudar os defensores dos direitos humanos, organizações da sociedade civil e agências governamentais com dados que possam embasar a luta contra o preconceito e a homofobia.
Os dois levantamentos, na avaliação das cossecretárias gerais da Ilga, Ruth Baldacchino e Helen Kennedy “são ferramentas de defesa poderosas para o avanço dos direitos humanos de gays, lésbicas e bissexuais”.
“Acreditamos nos atos poderosos e libertadores das informações e no conhecimento que elas possam produzir”, disse Ruth Baldacchino. “Estamos convencidos de que [essas pesquisas] continuarão a oferecer uma oportunidade para mudar as normas e as práticas que continuam a oprimir as pessoas LGBT em todo o mundo”, acrescentou Helen Kennedy.
Leis dos países
De acordo com os dados divulgados pela Ilga, 119 estados-membros das Nações Unidos consideram legais atos sexuais consentidos entre indivíduos do mesmo sexo, 75 têm leis que criminalizam a prática.
Por outro lado, em 17 nações integrantes da ONU há leis que promovem a expressão pública de pessoas do mesmo sexo, 70 países têm leis que protegem contra a discriminação no local de trabalho com base na orientação sexual e 13 nações têm, na constituição, dispositivos que protegem pessoas com base na orientação sexual.
Em 40 países, leis de combate ao crime de ódio foram promulgadas recentemente.
Em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, atualmente, em apenas 22 países o direito é garantido. Em outros 24 há algum tipo de reconhecimento de parceria civil.
Há também 26 nações com leis de adoção conjunta (quando um dos integrantes adota os filhos biológicos ou adotivos do cônjuge), entre eles Colômbia e Portugal, que aprovaram leis nesse sentido no último ano.
Segundo a Ilga, 23 países da ONU permitem que pessoas do mesmo sexo adotem crianças.
No Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia, Portugal divulga relatório sobre crimes de ódio
Homofobia em Portugal
Também nesta terça-feira, a Ilga Portugal divulgou que, em 2015, o país europeu registrou 158 denúncias de crimes ou incidentes motivados pelo ódio em razão da orientação sexual e identidade de gênero.
A maior parte das denúncias foi de abusos ou ameaças verbais, mas também há casos de agressões e violência sexual.
O estudo foi realizado com base em dados recebidos pelo Observatório da Discriminação. Segundo Marta Ramos, representante da Ilga Portugal, a divulgação do relatório no dia de hoje é simbólica pois, pela primeira vez, se celebra o Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia em Portugal.
Segundo a ativista, nem todas as pessoas que relataram situações de discriminação ao observatório denunciam os fatos a autoridades oficias.“Temos 66% das pessoas que não denunciaram [os atos de discriminação] a qualquer autoridade, e isso mostra bem o peso do silêncio e da insegurança.
Por outro lado, 24% das pessoas já denunciaram a uma autoridade, o que é um aumento significativo face aos relatórios dos anos anteriores, o que também significa que as pessoas passaram a perceber que têm direitos e que devem exercê-los e reivindicá-los”, disse Marta.
'Dependendo do tipo de situação, há várias autoridades que podem ser responsabilizadas. Em uma escola, pode ser o conselho diretivo; se for a recusa de um restaurante ou de um hotel, pode ser o livro de reclamações; se for um crime, é com a polícia”, explicou.
Segundo o relatório, as vítimas alegaram motivos como descrença nas autoridades, receio de sofrerem ainda mais e vergonha e o desconhecimento de como proceder como motivos para não terem denunciado as agressões.
Perfil das denúncias
De acordo com o documento, as denúncias foram majoritariamente registradas pelas próprias vítimas (81 casos) e por testemunhas (30 casos). Em relação à idade das vítimas, a maioria tem entre 18 e 39 anos de idade (70%).
Um número expressivo (18%) possui menos de 18 anos de idade e 12% tem mais de 40 anos. Quanto ao tipo de discriminação descrita, uma parte significativa (42%) envolveu alguma forma de abuso ou ameaça verbal, oral ou escrita.
O bullying aparece em segundo lugar, (cerca de 20%), seguido de tentativas de agressões físicas ou agressões concretizadas (16%).
Quanto à origem das ocorrências, elas aconteceram principalmente nas grandes cidades, especialmente em Lisboa (49% dos casos).
Segundo o relatório, este cenário não traduz necessariamente uma maior ocorrência de incidentes nas metrópoles, e pode ser reflexo da maior visibilidade e sensibilização para as questões LGBT e mais acesso a serviços e informações nessas regiões.
O levantamento aponta ainda que em 34% dos casos a discriminação aconteceu uma única vez. No entanto, em cerca de 30% dos casos, as vítimas relataram mais de uma situação de constrangimento. E em outros 30% afirmaram ser acontecimentos frequentes, como é o caso em situações de bullying ou de violência doméstica.
Em relação à identidade de gênero das vítimas, mais da metade das pessoas que preencheram o questionário, cerca de 54%, identificaram-se ou foram identificadas como homens; 20% como mulheres; 10% como mulheres trans; 2% como homens trans; e uma pessoa como intersexo.
Quanto à orientação sexual, a maioria das pessoas se disse gay (44%) ou lésbica (20%); seguidos da identificação como bissexual (11%) e heterossexual (10%).
Cerca de um quarto (24%) dos incidentes relatados ocorreram na rua, seguidos de situações online (15%), em casa (14%), na escola (13%), no local de trabalho (10%). Já os relatos em serviços públicos como hospitais e centros de saúde representam 7%.
Marcas da discriminação
O brasileiro Jordan Oliveira, de 28 anos, esteticista, é homossexual e morou em Portugal durante os últimos seis anos. Segundo ele, a diferença entre a discriminação sexual nos dois países é grande.
"No Brasil, saí no carnaval com um grupo de pessoas e um amigo mais afeminado levou uma garrafada na cabeça. Isso faz com que muitos gays vivam escondidos, pela cobrança da sociedade. Foi um ato gratuito, era como se ele fosse uma aberração. Em Portugal nunca presenciei nada parecido. As pessoas te olham, mas são só olhares, nunca ultrapassam”, comparou.
Ainda de acordo com o relatório português, 73% das vítimas consideram que houve um impacto psicológico como depressão, baixa autoestima, ansiedade, tremuras, revolta, medo de sair de casa e tentativas de suicídio após as agressões.
Um número significativo (63%) relatou forte impacto social, que levou a isolamento e dificuldade em manter laços sociais, olhares reprovadores, humilhação, inibição de demonstrações de afeto, impossibilidade de corrigir a documentação de acordo com a identidade de gênero, entre outros.
E 49% das pessoas identificaram impactos físicos como ossos partidos, hematomas, atordoamento, enjôos, fadiga e aumento de peso.
Para a Ilga Portugal, a impossibilidade de registrar a homofobia como motivação para um crime dificulta a obtenção de dados sobre crimes de discriminação em Portugal.
Desta forma, há um desestímulo às denúncias e um obstáculo à confiança da comunidade LGBT em relação às forças de segurança.
Além dos relatórios anuais, a associação também faz trabalhos de intervenção comunitária com pessoas de diversas áreas. "Fazemos ações de sensibilização junto aos jovens nas escolas e temos todo um conjunto de serviços disponíveis à população. Além disso, temos a única linha telefônica de apoio nacional, um serviço de aconselhamento psicológico, um departamento jurídico e um centro de documentação para investigação científica. Apesar do atual panorama legislativo, [o Observatório de Discriminação] também mostra às pessoas LGBT que a discriminação não é uma coisa aceitável e que, portanto, devem denunciá-la.”

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